16 de dezembro de 2012

#A Carta

Carta escrita por mim para você - porque, em dia de anos, eu tenho o direito de escrever uma carta para quem eu quiser. 

Ei, você aí. É, você. O que fez hoje? Ficou na frente da TV mais uma vez, vendo as notícias trágicas e pensando "Esse mundo está louco"? Mas é o mundo que está louco, ou apenas você e seus bilhões de vizinhos? Louco é você pensar que quem está se acabando é o mundo. O mundo não é mais mundo por causa de você e de seus bilhões de vizinhos. Acha que não?

Então, me diga. O que fez hoje além de fazer nada? Leu algo que ficou piscando em sua cabeça? Viu algo que te fez ficar desorientado e pensar "É isso"? Conheceu uma criança que precisa de você? 

Passos de passarinho.

É isso que penso quando vejo alguém à minha volta. 

Ela está indo para algum lugar, fazer algo para obter alguma coisa. Felicidade. Uma pele melhor. Uma sandália nova. Ela retorna para casa, para a família - ou até mesmo para si própria. Mas de que adiantou, se a única que obteve sucesso foi ela mesma? E os cachorrinhos de outro lado da rua? E o cara que passou pedindo uma caixa de fósforo? E os idosos que ficaram esperando os filhos aparecerem?

Eles não valem a pena? Não merecem nem mesmo um "Vai ficar tudo bem"?

Os passos de passarinhos apareceram de novo. É assim que se começa. Você acorda, agrada seu gato e, de repente, cinco horas depois, descobre que, puxa, você não é comum. E que você tem o direito e o dever de mudar as coisas à sua volta. 

Você pode pensar que está aqui para rezar, para frequentar igrejas, para entoar canções no coral. Mas não. Não creio que Deus seja tão egoísta assim. Aliás, ele não é. E, pensando em você, que ele te colocou aqui. Porque ele quer que você faça mais do que apenas adorá-lo. Ele quer - ele precisa - que você cuide dos seus bilhões de vizinhos também. Porque ele não consegue cuidar de todo mundo - você tem que fazer uma parte do trabalho dele. 

E cuidar não vai arrancar pedaço. Na verdade, você vai ficar quase tão feliz quanto os seus ajudados. 

E você não precisa tentar cuidar da paz no mundo. Faça por partes. Tente mediar entre o "pouco" e o "tudo". Doe-se um pouco. Comece com passos de passarinhos. Aprenda com os animais. Eles fazem você ser uma ameba. Animais não carregam armas, não têm religião, não pensam em vingança (o filme da Baleia Assassina é completamente irreal). 

Você não precisa se mudar para o fim do mundo para aprender a se humanizar. Você só precisa ser Humano. E, tendo isso em vista, não aja como Humano apenas no Natal - só porque o ano está acabando não quer dizer que as pessoas não vão precisar de mais humanidade no ano que vem. E, sim, as pessoas esperam humanidade. Porque é isso que faz de você - um bicho que aprendeu a manusear o fogo e a aniquilar inimigos em questão de segundos - um Inteligente. E a Inteligência não é sinônimo de dinheiro, ou de status. A Inteligência nasce em lamaçais, em locais que você tem certeza de que não é habitável. Você pode ser um leigo completo, mas se você é Inteligente, você ganhou o mundo. Você se tornou o passarinho batendo as asas. 

Ser Inteligente, na verdade, é sinônimo a "Ter Uma Alma". Não à Alma com a qual está acostumado. Não o tipo de Alma que vai para perto de Deus. A Alma do Inteligente nunca se desprende. Ela continua ali, quietinha, disseminando a Inteligência. 

Se você tem uma Alma, você é capaz de aferir o que deve fazer e o que é um completo absurdo. Você tem o direito de escolher. E se você está com as asas abertas, sobrevoando as amebas, você conseguiu conquistar o mundo. E conquistar o mundo não é o que está pensando. Não é ser o presidente dos Estados Unidos. Tal feito é deixar a sua marca. E você não precisa usar a roupa mais esquisita do mundo, ou distribuir medalhas, ou raspar o cabelo. Você apenas precisa inspirar alguém. Pode ser um alguém. Se você inspirou esse um alguém, você está deixando a sua marca. Porque, mesmo que você não acredite, está mudando um segundo, ou um minuto, ou toda a vida desse um alguém. 

Mudar a vida de alguém não significa doar a sua casa para esse alguém. Você pode fazer isso com uma palavra. Com mil palavras. Apenas fazendo o que você ama. Quem ama, inspira. E se você inspirou, conseguiu mudar o mundo. Pode ter sido um milésimo de todo o mundo, mas mudou. 

Porque mudar o mundo, uma pessoa, um segundo é o que fez você estar aqui. É para isso que você está aqui. E é assim que vou terminar essa carta. Aliás, com a frase abaixo, pois ela deveria ser o Grande Lema de todos:

"Seja a mudança que você quer ver no mundo".

Todos deveriam, assim como eu, acreditar nesta frase. Porque, como supracitado, uma palavra pode mudar muita coisa. 

Então, mude. Mas comece por você

Love, Nina.