17 de novembro de 2013

#Conhecendo a autora Carol Bensimon

Nova coluna no blog, meus amores. 

A coluna se destinará a apresentar a vocês novos autores e, consequentemente, o livro que me fez conhecê-los. 

Bem, eu A-M-O livrarias. Amo ficar lendo as sinopses dos livros nas estantes e anotando seus nomes para, nu futuro próximo, adquiri-los. Não consigo sair de uma livraria sem fazer isso, é questão de ritual de leitora. E foi assim que encontrei a Carol. 

Decidi que a primeira postagem da coluna seria destinada à Carol Bensimon, porque a Carol é daqui de Porto Alegre, minha cidade do coração. Quando soube que a Carol é daqui, eu meio que surtei ainda mais. 

Quem é a Carol?
Nasceu em Porto Alegre, em 1982. Publicou contos no jornal Zero Hora e em revistas como Ficções e Bravo!. Estreou com as narrativas de Pó de parede (2008). Sinuca embaixo d’água, romance publicado pela Companhia das Letras, ganhou a Bolsa Funarte de Estímulo à Criação Literária. Defendeu mestrado em Teoria da Literatura e fez doutorado na Sorbonne Nouvelle em Paris. É uma das integrantes da edição Os melhores jovens escritores brasileiros, da revista inglesa Granta.

O livro pelo qual morri de amores escrito por Carol foi Todos Nós Adorávamos Caubóis. Quando comecei a ler um trecho da narrativa na contra-capa, achei que seria um romance morno, sem nada a acrescentar. Daí, no final, percebi que havia algo de muito diferente nas personagens e no próprio tema do livro: o par romântico não é menino + menina, mas menina + menina, e toda a essência da trama não seria a mesma, talvez, se Júlia e Cora (as personagens) não se envolvessem em uma road trip pelo no Rio Grande do Sul. 
No site da Companhia das Letras (editora deste livro), está disponível um book trailer, que vocês podem conferir logo abaixo: 


Sinopse: 

Cora e Julia não se falam há alguns anos. A intensa relação do tempo da faculdade acabou de uma maneira estranha, com a partida repentina de Julia para Montreal. Cora, pouco depois, matricula-se em um curso de moda em Paris. Em uma noite de inverno do hemisfério norte, as duas retomam contato e decidem se reencontrar em sua terra natal, o extremo sul do Brasil, para enfim realizarem uma viagem de carro há muito planejada. Nas colônias italianas da serra, na paisagem desolada do pampa, em uma cidade-fantasma no coração do Rio Grande do Sul, o convívio das duas garotas vai se enredando a seu passado em comum e seus conflitos particulares: enquanto Cora precisa lidar com o fato de que seu pai, casado com uma mulher muito mais jovem, vai ter um segundo filho, Julia anda às voltas com um ex-namorado americano e um trauma de infância.


Se você ficou com vontade de conhecer o trabalho da Carol, não deixe de visitar o site oficial da escritora, sua coluna no blog da Companhia e o o começo de Todos Nós Adorávamos Caubóis. 



Avante, Porto Alegre!, Nina.

12 de novembro de 2013

#And all the souls says...

Se você precisa de mais tempo, venha cá.
Se precisa de salvação, não hesite, venha cá. Passe para esse lado, para o meu lado. Junte-se a mim. Não venha porque peço, mas porque quer. 

Não é tarde demais para desistir. Ninguém disse que você precisa seguir em frente em todos os momentos. Você tem o direito de não gostar de alguém, de dizer que não há mais conserto para si mesma, de apontar o dedo e não querer ser a culpada. O ódio atinge a todos, atinge a você também. A vingança, é o que lhe falam, é para pessoas fracas e miseráveis. Mas você sabe, sempre pode piorar. Pode ter que se confessar, ter de suportar pessoas ridículas a todo instante, ter de se abster do choro. 

Mas não deixe a água te levar. Grite, se for preciso. Mate-se por dentro, mate tudo que lhe faz mal. Carregar tudo isso apenas lhe causa ainda mais danos. 

Distancie-se de quem não te quer bem e aproxime-se de gente que você julgou erroneamente. Sua alma agradece.

Corra para o final, não espere mais. Não deixe os outros lhe ditarem. Tudo é bonito, se você permitir tirar suas vendas. Sabe o que eu soube? Que a vida não é fácil para ninguém, seja você alguém que acabou de perder sua casa, ou seja você filha de uma prostituta. Coisas assim acontecem. Mas é ainda pior se você for uma ovelha negra. A cor negra é tão linda, poucos enxergam sua beleza, todos de olhos vendados, veja só!

Garotinhas de 17 anos que não sorriem, que não estão em lugar algum, que não são nada além de ovelhas negras. Almas perdidas. Aonde foi Jesus, todas querem saber. Desapareceu. Nenhuma delas é anjo, todas de asas arrancadas, bestializadas, sufocadas. Ninguém está ali para elas. E elas não acreditam em milagres. Elas estão comigo, sem Jesus. Ainda não aprenderam a viver, mas estão ao meu lado. Almas perdidas, todas elas. 

Venha cá você também, se perdeu tudo, ou o pouco que lhe restava, ou o que achava que seria para sempre. Venha cá. Depois de todo esse tempo, pra que fingir que não quer fazer algo, ser algo, devolver algo?

Seja a luz que te cega, a menina que um dia vai sorrir, que vai enxergar muito além do que consegue. O tipo de menina que não quer ser mãe da sociedade, que não quer ser esposa dos homens e que não vê futuro em nada. 

Porque, no final das contas, todas as almas dizem: mate-me.

Se não o fizer, quem morre é você. 


Give me a superhero and save me, Nina. 

11 de novembro de 2013

#Trechos de: Senhorita Ninguém.

Decidi publicar os trechos que mais me chamaram atenção do último livro que li para, depois, fazer sua resenha.

Trecho de: Senhorita Ninguém, Tomek Tryzna. Livro polonês, 1994.

"A gente tem que se sufocar no meio, porque infelizmente, ou felizmente, os infinitos não são para os seres humanos. A gente vive e morre na solidão", p. 83.


"- Não é para os outros que quero ser alguém - diz Kasia - Quero ser alguém para mim mesma", p. 90.


"- Sim, minha Kasienka - dia a professora - Queria te poupar de muitas desilusões. As ovelhas negras não levam uma vida fácil. 
- Como você pode sabe como é a vida das ovelhas negras, se você não é uma delas? - pergunta Kasia", p. 93.


"- Fiquei irritada porque gostaria muito que você soubesse tudo o que eu sei. Não é muito, mas sempre é mais do que nada. Só que você tem que entender que, para conhecer a si própria e ao mundo, não pode ter tantas vendas nos olhos", p. 157.


"- Não foi o padre que criou você, foi Deus. Ele criou você para que tentasse igualar-se a Ele em sabedoria. Mas, além de tudo, criou você para que fosse livre, também livre Dele, entendeu? Livre, livre, livre! Porque a liberdade é a oração que dá mais alegria a Deus. Reze a Ele com a sua liberdade", p. 159.


"Abandoned, hope and love that turns and self contempt bitterer to drink than blood pain whose unheeded and familiar speech is howling and keen shrieks day after day and Hell or the sharp fear of Hell...", p. 253 (é um poema com o qual Marysia sonha e depois anota).


"A vida. A gente pode não fazer nada, não dizer nada, não pensar em nada... que a vida vai continuar. A mesma para mim, para uma formiga, para cada plantinha. Independentemente do que eu for, sempre serei a vida. Até quando for. E quando já não for? O que serei, quando já não for vida? O ar? Porque agora sou um corpo", p. 308. 


"- Para poder ajudar os outros - diz Milu -, é preciso antes ajudar-se a si mesmo. É cena muito cômica um cego conduzir outro cego. Pense em você, Marysia", p. 327.  

Até a resenha de Senhorita Ninguém, Nina.

8 de novembro de 2013

#A Tal da Obrigação

Eu aprendi que um problema é ser quem é.
Aprendi que você tem que ser outro alguém, também.
Que você não pode ser como é, não pode gostar do que é, não pode gostar do que faz.

Tem a total obrigação de ser quem não deve ser, e quem não gostaria de ser. Tem a total obrigação de sair à noite com as amigas, porque essa é a vida que lhe deram. Você é jovem, tem que sair. Você é obrigada a isso. Não pode querer ficar em casa sendo quem é, lendo seus livros de amorzinho, ou escrevendo histórias de amorzinho. Tem que sair.

Saia, menina!

Aprendi que se você sair com suas amigas você é legal. As pessoas vão gostar mais de você por causa disso.
Vão gostar, aliás, de alguém que você não é.

Então é isso.
Você tem a total obrigação de fingir gostar de coisas que não gosta, de fingir não gostar de ler à noite, de fingir não amar as palavras.
Você tem a total obrigação de se doar a quem não se doa, também. De suportar gente que revira os olhos enquanto fala contigo. De fingir que papos fúteis lhe agradam pra não passar a imagem de introvertida. De concordar em ser maltratada. De entrar num tipo de conluio no qual você é sempre humilhada por não fazer parte daquele velho papo “Mas todo mundo faz isso”.

Aprendi, também, que você pode dizer com todas as letras algo assim: “Dá licença, mas quem disse que eu tenho essas obrigações?”.
E que se dane se a outra pessoa, aquela que revida os olhos enquanto fala contigo, não gostou da sua resposta. Quem sabe, você não tenha gostado de ter de explicar o modo que passará sua noite, que não vai ao barzinho com suas amigas.

Aprendi que não adianta explicar, as pessoas entendem o que querem. Que as pessoas se agarram a padrões ridículos. Que acham que pra ser feliz você tem a total obrigação de sair à noite, de estar à caça de garotos, de ficar procurando coisas que deveriam ser achadas ao acaso.
Quem disse que a vida é feita de projetos?

Aprendi, também, que o mais importante é ser feliz do modo que mais lhe agrada, independentemente do condicionamento cultural ao qual está inserida.
Não precisa sair à noite, se assim não quiser.
Não precisa olhar todos os garotos da sua turma tentando encontrar alguém.
Não precisa procurar o amor a cada esquina.
Não precisa, acima de tudo, ser feliz fingindo ser alguém que nunca seria.
Seja você.
Introvertida.
Esquisita.
Caseira.
Escritora.
Leitora.

Mas seja quem é. 


Sem obrigações, Nina. 

7 de novembro de 2013

#Sobre amores contra o vento


Tínhamos cinco anos.
Você segurou minha mão na sua e disse: "Para sempre".
E eu acreditei. "É muito tempo", eu rebati.
Aos cinco anos, era tempo demais.
Você era pequeno e loiro, muito loiro. Gostava de olhar seu cabelo contra o Sol. Gostava de olhar sua pele contra o Sol. Gostava de fingir que éramos casados. Gostava de dizer que teríamos mais cachorros do que já conhecíamos ali na fazenda.


Entrei pela porta. Estava cansada. Meus pés estavam doendo e minhas costas já não suportavam o peso da mochila. Mas sorri quando o vi de avental. Você veio e retirou o peso de cima dos meus ombros e perguntou: "Como foi seu dia?".
Você não queria, realmente, ter ciência de todos os meus percalços, nem de todas as lágrimas que derramara escondida no box do banheiro após meu coordenador rejeitar meu último trabalho e me sugerir refazê-lo. Não queria refazê-lo, porque não suportava mais. 
Porém, quando lhe narrei todos os meus piores momentos, não foi como se eu os revivesse novamente. Eu suspirei e apoiei minha cabeça no seu ombro. "Quero largar tudo", acabei dizendo. Queria muito chorar, mas não o fiz. Não gostava de chorar na sua frente. 
"Vai ficar tudo bem".
Nunca ficou 'tudo bem'. Mas você me fez acreditar nisso por um bom tempo.


"E aí?".
Você era menino, dizia coisas assim. Mesmo que eu dissesse que não apreciava aquilo. Mas não era minha função mudá-lo. Nunca quis mudá-lo. Sabe o quê? Gostava de você do modo que era, com todas as suas frases irritantes, com aquele seu jeito de não se importar com praticamente nada, com aquele seu gesto de dar de ombros quando não sabia o que dizer e com todos os seus lados errados. 
Eu era errada também. 
Éramos errados juntos.
E de errados e errantes, mais alguns anos se passaram.


Agora você diz: "Estou aqui. Para sempre".
Não sei o que dizer, quero chorar. Acabo dizendo, com a voz embargada: "É muito pouco".
Eu e você temos ciência disso. O tempo é efêmero; infindável, apenas a dor.
Você afaga meu rosto com carinho. Seus dedos são nodosos, agora, mas ainda detêm aquela maciez de sempre. Sei que quer me consolar com a mesma urgência que eu tento fazer contigo. Seus cabelos estão ralos, recobertos pelo seu chapéu. Você me aperta forte - mas não o suficiente para me machucar. Gosto deste tipo de abraço. Apertado, inundado de medo, de tristeza e de amor. Você me aperta com tanto amor que parece que machuca meu coração. Dói, mas não reclamo.
"Eu sei. Eu sinto muito", você acaba dizendo, enquanto suas lágrimas rolam pelo seu rosto e são aparadas pela minha pele.
Choramos juntos. E, quando me vou, ainda estou nos seus braços.


We were young and strong
We were running against the wind

It seems like yesterday
but it was long ago

I’m still runnin’ against the wind, Nina.