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#Resenha: A Menina Que Não Sabia Ler

by - dezembro 13, 2013

Como meus dias estão sendo preenchidos por leituras e ataques de escritora, tenho mais uma resenha novinha pra vocês! 

Título Original: Florence and Giles
Autor: John Harding
Ano: 2010
Páginas: 282
Editora: Leya
Gênero: Literatura Inglesa

Primeiramente, sou apaixonada por essa capa tão linda e simples. Adoro as capas da Leya, pois se assemelham muito com a da Cia das Letras em termos de simplicidade. Então, uma amiga me emprestou seu exemplar. Demorei para começá-lo, mas a leitura é tão agradável e inteligente que o li em dois dias. 

A história se passa século XIX, numa propriedade chamada Blithe House. Nesta casa vivem duas crianças, Florence e Giles, e três empregados, Sra. Grouse, Mary e John. Quem a abastece é um tio das crianças, cujo irmão era pai delas - que já é falecido, assim como a mãe de Florence e a madrasta de Giles. 

De início, a trama é bastante calma; apenas ficamos sabendo sobre as artimanhas de Florence, de 12 anos, com relação aos seus dias literários. Embora hoje em dia qualquer criança que esteja nessa faixa etária seja letrada, o tio das crianças não permitiu que Florence se alfabetizasse - por isso, ela tem que fingir que não sabe ler nem escrever. Ela passa suas manhãs e tardes se escondendo dos criados para conseguir ler seus livros preferidos na grande biblioteca da casa. Florence, muitas vezes, se faz de burra apenas para que não descubram seu segredo. 

Eu, entretanto, passava horas e horas lendo (...) meu quarto tornou-se um depósito de livros. 
Quando Giles vai para um internato, Florence é obrigada a se entreter sozinha - no entanto, acha diversão com um suposto 'pretendente', o vizinho Theodore, a quem ela se refere como garça, pois é todo desengonçado. Ela, então, percebe que, apesar das investidas do garoto para beijá-la, Theo é uma boa companhia. Ele a visita quase todos os dias, por conta da sua asma, e a tira um pouco dos livros. Porém, quando Giles é 'dispensado' do internato, devido a problemas internos, Sr. Grouse - que é uma espécie de governanta - acha melhor que o garoto tenha um tutor. 

A princípio, chega a Sra. Whitaker. Mas ela não fica muito - acaba se envolvendo em um acidente no lago e morre. Esse episódio é o ponto de partida para uma série de consequências e acabamos, enfim, entendendo o prefácio:
O cisne: Foi em abril, eu me lembro bem, embora em meu espírito fosse dezembro, que um pássaro ferido foi retirado da escuridão do lago, as penas brancas brilharam ao sol, e de sua boca escorreu água negra enquanto por dentro minha voz gritava até pensar que meu coração iria se partir; fui eu quem assisti à sua morte, seguindo à deriva, à deriva, esperando em sua vigília que Deus levasse sua alma. 
Com a morte precoce da Sra. Whitaker, é preciso arranjar outra preceptora. Assim, chega à Blithe a Sra. Taylor, concedendo à Florence um ceticismo enorme. Florence nos conta, bem no começo do livro, que sofre de sonambulismo e que tem um sonho esquisito sobre a segurança de Giles. Ela começa, então, a ficar paranoica com a Sra, Taylor. Até que uma noite, a garota percebe que sua paranoia tem fundamento: seu sonho com Giles e com uma figura fantasmagórica se concretiza. A partir daí, Florence é obrigada a ficar em constante vigília, sempre tentando convencer o irmãozinho de que a preceptora é uma bruxa, ou uma fantasma e que pretende fazer algum mal à ele. Giles, claro, muito pequeno, não acredita. Florence até mesmo envolve o capitão da polícia no episódio - a princípio, ele acha que a menina está sofrendo de histeria, porém, após averiguar algumas informações, começa a entender um pouco o medo de Florence. Quando a menina descobre duas passagens de navio, que ela acredita serem para a Sra. Taylor e para Giles, ela tem que correr contra o tempo para arquitetar alguma armadilha e fazer com que o plano da tutora não se realize. 

Na contra-capa, há a seguinte frase, que eu acho completamente justa: 
Na tradição de Henry James e Edgar Allan Poe, uma história incrível sobre uma menina e o poder de sua imaginação. 
Ou seja, ao final, você tem a sensação de que Florence apenas estava pregando uma peça. Cheguei ao ponto de pensar que toda aquele mistério seria apenas um sonho da garota. A história é tão envolvente e inteligente que nos confunde e nos faz ficar apreensivos como se estivéssemos assistindo Pretty Little Liars. Quando toda a tensão e todo o confronto final ocorre, me surpreendi. O desfecho é completamente complexo para uma realidade de uma garotinha de 12 anos. Assim como os desfechos meticulosos de Poe (pois nunca li nada do Henry), o desse livro é igualmente perturbador e fantástico (em todos os sentidos). Outro segundo ponto que me agradou foram os neologismos de Florence, que dizia francesar, shakespearear e hamletar

Love for books always, Nina. 

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4 comentários

  1. Olá Nina!

    Descobri o seu blog por um grupo do facebook e acabei favoritando-o na barra dos favoritos e voltei hoje para ler todas as postagens com calma! rs
    Enfim, falando sobre o post: gostei bastante da sua resenha, você soube fazer super detalhado e super prendeu a minha atenção. Outra coisa: o livro parece ser bem interessante, e eu também amo capas simples e delicadas, super concordo com o ditado: menos é mais!
    Já estou com vontade de ler esse livro, mas primeiro preciso terminar de ler todos que tenho aqui para ler! Farei tudo isso nas férias haha.

    Kisses with love,
    Elen.
    http://mais-cores.blogspot.com.br/

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  2. Fiquei bem curiosa pra ler, de verdade! Amei a resenha ♥
    http://daniperere.blogspot.com/

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  3. nunca li maais parece ser ótimo ;]
    bjs
    http://entre-estilosas.blogspot.com.br/

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  4. Oi Nina, passei rapidinho pra falar sobre a vaga na equipe do blog.
    Entrevistas já foi preenchida, mas crônicas ainda está abertas, você pode se inscrever mandando um modelo pra o email do blog: refugiodaspalavras@hotmail.com.

    Ah, e pode explicar que tipo de resenha você citou.
    Ou me adiciona no face que conversamos.

    ResponderExcluir

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