27 de fevereiro de 2014

#Lina

Lina chegou eufórica no bar combinado. Sua amiga, Ana, acenou, grudada no celular (essa mania chata que os professores da faculdade já a tinham repreendido; mas quem disse que ela largava o aparelho?). Lina jogou a bolsa numa cadeira vazia, enquanto dizia: – Meu dia está lotado, como está o seu? 
Ana riu. E deu de ombros. 
– Acho que estou com dor de cabeça. Sabe o Gordo? Não sai do meu pé. Parece que o trabalho era digitado, e eu fiz à mão. Vai entender. 
Lina olhou para a amiga, reprovando-a. Parecia duro chamar o seu professor preferido, aquele que todo mundo detestava, de Gordo. E daí que ele era mesmo gordo? O que isso dizia sobre ele, além de precisar fazer alguns exercícios? Mas, claramente, naquela vida de professor/jornalista não havia espaço para exercícios, além dos mentais. 
– Ai, meu Deus. Coitado do Cardoso. É o dever dele! E desde o começo ele disse que queria todos os trabalhos digitados! Foi você que não ouviu!
– Até parece que ouço o Gordo, dê licença! – Ana retrucou. E aí percebeu que Lina não estava ali para se prestar a defender o Cardoso. Por isso, logo emendou – Por que toda essa felicidade?
Lina logo sorriu, mal se contendo. 

– Sabe que peguei uma pauta nova, né? Sobre as manifestações da Ucrânia. 
– É? Não ouvi. 
Ana nunca ouvia, na verdade. Mas Lina relevou aquilo. Não estava ali para brigar com a amiga. 
– Então, eu passei a tarde pesquisando sobre isso. E, com umas ajudinhas também do Thiaguinho – Lina continuou, falando do segundo professor preferido com amor – compreendi a História por trás de tudo. Ele está certo: não dá pra sobreviver sem a História. 
– Tá, tá. E aí? – Ana rolou os olhos, louca para voltar ao Facebook. 
– E aí que, preste atenção, e aí que estou muito animada com essa pauta. Já escrevi o lead e, agora, somente preciso de uma mãozinha do Cardoso para me ajudar com o olhar que ele pretende dar à matéria. 
Cardoso, além de professor, era um dos coordenadores responsáveis pelo estágio no qual Lina trabalhava. 
Era verdade: ela tinha odiado o primeiro semestre lá na redação, tinha sido tão inútil quanto possível; mas agora... Puxa, agora ela tinha esperança. Ela queria acreditar que aquele semestre seria produtivo. Queria ver seu nome estampado no jornal. Nem era pelo nome, por favor. Era por saber que tinha um espaço ali dentro. 


– O Gordo vai fazer aquilo de novo. Eu odeio das marcações dele.
– Mas ele tem o direito, e eu estou lá para aprender. 
– Ai, meu Deus. Ele é, tipo, o Carrasco.
– Ele não é o Carrasco. Se você prestasse atenção nas instruções pedidas, se sairia bem. 
Ana revirou os olhos. Tanto fazia, ela já tinha concretizado aquela opinião sobre o Gordo: odiava-o, e ele nem precisava se esforçar. 
– Bem, cuidado com esse otimismo todo. E não estou falando somente pelo Gordo – Ana logo esclareceu – Otimismo, geralmente, acaba resultando em decepções. 
– Ana, por que você é assim? Por que não pode ficar feliz uma só vez?
– Eu sou feliz. 
– Você reclama de tudo, não vê saída em nada e, com certeza, se presta para acabar com os dias felizes dos outros! 
– Eu apenas disse a verdade. Não seja tão otimista. E se a pauta não virar matéria? E se o Gordo detonar com o texto? E se não conseguir entrevistas?
– Não conto com esse "E se". Não existe "e se" nessa situação! 
– Se você diz...
– Pois reafirmo: pare com esse "e se". 

Lina acreditava. E se – aqui a expressão cabia – Ana estava a fim de destruir aquilo, teria de se esforçar mais. 
Pois a felicidade, tudo indicava, estava morando na vida de Lina. 
E, tudo também indicava, não a abandonaria tão cedo. 




Love
Nina 

23 de fevereiro de 2014

#Resenha de Filme: Antes do Amanhecer

Hoje venho falar do primeiro filme de uma trilogia que acho que muitos já devem ter ouvido falar, pois ele é meio antiguinho. O filme é Antes do Amanhecer, uma romântica história iniciada na década de noventa. 


Título Original: Before Sunrise
Direção: Richard Linklater
Nacionalidade: EUA/Suíça/Áustria
Duração: 100 minutos.
Ano: 1995
Gênero: Romance

~*~

Jesse e Céline, os protagonistas, se conhecem numa viagem de trem. Ela está indo para Paris, e ele, voltando para os Estados Unidos. Depois de um incidente dentro do vagão, eles começam a conversar e percebem que compartilham muitas coisas em comum. Isso acaba geralmente um conflito interno em Jesse que teme nunca mais rever a moça, por isso propõe a ela que desçam em Viena para curtirem o resto das horas juntos. 

Céline acaba aceitando e, juntos, eles descobrem a beleza das ruas e da noite de Viena. Ela lhe mostra lugares que já frequentou, enquanto ele engata conversas longas sobre tudo. Suas conversas é o ponto positivo do enredo, pois são inteligentes e, mesmo algumas sendo um tanto quanto filosóficas, não deixam de ser interessantes. Eles debatem sobre Deus, sobre reencarnação, sobre coisas da infância, sobre amores do passado. E a cada conversa, eles se envolvem mais. Apaixonar-se um pelo outro é algo que lhes é natural, pois acontece gradativamente, não de uma vez. Esse é um ponto também muito positivo, pois o amor que nasce entre eles não é forçado, nem meloso. Muitas vezes, mais parece uma amizade enclausurada. É realmente tocante a forma como as conversas conduzem ao brotamento do amor. O amor deles floresce de um modo completamente leve e natural. 

As lições que aprendem um com o outro, por meios das conversas, apenas faz com que ambos caem nesse amor, mesmo sabendo que na manhã seguinte irão se separar para, muito provavelmente, nunca mais se rever. Esse ponto, a separação, é algo que angustia um pouco, pois por mais que nós, expectadores, saibamos que eles estão se divertindo pela noite de Viena é indubitável que a separação irá ocorrer. Os personagens falam sobre isso, e é por isso que decidem um prazo para se reverem. É claro que não sabemos, realmente, se eles virão a se reencontrar, mas é isso que decidem: dali a seis meses, na mesma plataforma, no no mesmo dia, na mesma hora. E, de repente, a despedida se torna muito menos pesarosa por um lado: se a promessa se concretizar, vai ser uma alegria; no entanto, por outro lado, nós, expectadores, ficamos loucos para conferir a próxima parte: o que pode acontecer? 

De humor leve, mas com uma lição ótima de você agarrar suas chances - afinal, e se cada um seguisse seu rumo? Com certeza, não nasceria uma história tão linda e tocante - tenho certeza de que esse primeiro filme vai te conquistar com a trama tão simplista quanto encantadora. 




Em breve, a resenha de Antes do Pôr do Sol (a continuação). 

Gostaram da resenha? Não deixem de comentar e se conferir o filme!
Love
Nina 

21 de fevereiro de 2014

#O seu jogo

É estúpido o modo como me provoca. Sabe que não suporto. Que quero fazer parte de algo, de você. 
E você com esses joguinhos, hein?
Eu prestei atenção da última vez, sei o quanto tem o propósito de me atingir. Isso é tão ridículo quanto todas as risadas forçadas que atira contra mim. 

No fundo, tento me convencer de que não me importo. 
Que o que você tem feito não me atinge, afinal não sou dada a brincadeiras. 
E sei o quanto gosta de brincar. Sei que sou apenas mais uma, talvez a décima. Você quis assim, quis estar nesse circo, no qual sou a palhaça. Daquelas que, por um infortúnio, se apaixonou por você. Por tudo aquilo que você projetava ser. 
Você projeta tudo: seu sorriso perfeito, suas palavras perfeitas, seus presentes perfeitos.

Mas quer saber?
Eu tenho o direito de negá-lo e de me negar a continuar com isso. Se me importo por perdê-lo?
Você me perdeu primeiro. 
Esse esboço perfeito de si mesmo fez a sua parte: me alertou que você não é nada do que pensei ser.

Sou mais uma para você.
E você será mais um para mim.
Porque não suporto mais isso. 
Nesse jogo, nós dois saímos perdendo. 

Love, Nina. 

19 de fevereiro de 2014

#É tudo o que ela escreve

Eles nunca perguntaram seu nome. Ninguém parecia ver a garota com pouco rosto. Ela vivia sozinha, perambulando pelos corredores, enxergando a todos. Ela não queria estar ali, mas não tinha para onde ir. 
Uma estranha numa pele e cabelos mortos. Ela se escondia, com o propósito de não ser alvo de risadas. Ninguém lá fora a entendia, mesmo que houvesse muito. Ninguém se importava, A garota era mais uma na escuridão, o rosto marcado pelas lágrimas. Ninguém lá fora parecia estender a mão, entender seu interior.

Olhando-a daqui, sinto-me enjoado e sozinho.
Estou aqui, em algum lugar. Minhas lágrimas parecem pesadas, agora. Ela, essa garota, me sufoca. 
É tudo que sei. 
Do mesmo modo que ela, sinto-me pequeno diante a tudo. 

As palavras atravessam a página com a tentativa de dispersar a dor. Vejo-a chorando, solitária pelo caminho. Ninguém parece vê-la. 
Somente eu a enxergo seu fantasma. 

Ela quer escolher um refúgio, um lugar onde nunca mais será a mesma. Quando a olho, e ela devolve o olhar, é lindo. 
Ela sorri, quebrada, machucada, precisada. 
Agora ela sabe. 
Sabia que entenderia. 

Vamos para casa juntos. Ela me estende suas palavras. 
É tudo o que ela escreve: a tristeza transformada em poesia. 


Love, Nina.

17 de fevereiro de 2014

# Se apegue a isso

Te conheci numa estação, você parecia pequena demais para as cinco malas que carregava. 
– Estou de mudança  você tinha dito. 
Perguntei para onde, e você me disse seu nome. 
 Para onde, pouco importa – respondeu, sorrindo. 

Disse também que queria ganhar o mundo e cantar blues. Naquela tarde, sob o pôr do sol, o seu sorriso estampado tão impressionante, eu deveria ter seguido em frente, dito para mim mesmo que você era a garota do interior com um sonho grande demais. Tentei me convencer, me fazer acreditar, mas então você sorri e me convidou para um café. 

Eu era apenas o cara sentado no banco, aguardando a noite chegar na cidade; acho que estava à procura de algumas respostas. Mas aí te conheci e aquele segundo me pareceu eterno. Só havia você, seu sorriso e tudo o que você dizia carregar. Eu apenas me contentaria com uma emoção barata, talvez com qualquer outra. Mas você? 
Como poderia chamá-la de emoção barata, quando você parecia tão valiosa quanto tudo aquilo que eu imaginara alguém ser?
E esse alguém era você.

Nunca tinha pensado sobre o valor das pessoas – todas que conheci antes de você me pareciam comuns; eu sempre me contentava com o ordinário, com aquela peça que nunca se encaixava em mim. 

Mas aí você apareceu. E aquele pôr do sol pareceu infinito.  Dividimos cafés com muito açúcar – "porque a vida já é amarga o suficiente", você me explicou. Gostei das suas covinhas e da cor âmbar dos seus olhos. Você discursou sobre as bandas decadentes do passado que ainda ouvia, e eu lhe disse que ainda gostava de reler Tristes Trópicos. 

Uma hora mais tarde, após a noite se mostrar nevoenta, você piscou para mim e disse para me cuidar. 
Quando acenei, vendo-a desapareceu no horizonte, pensei que você nem desconfiava que eu gostaria era de cuidar de você e que iria para aquele tipo de lugar-algum se estivesse lá me esperando. 



Love, Nina. 

14 de fevereiro de 2014

#Quando você se foi levando meu coração

Por favor, não vá embora. Não corra desse jeito. 
Diga-me o que está acontecendo em sua mente. Não vejo mais a sua alma, seu rosto está tão manchado pelas lágrimas que derramou. Está com medo de dizer?

Estou com medo de saber.
Não pare assim, estou bem aqui. 
Tentei o meu melhor, te dei meus sorrisos e todas as palavras bonitas que encontrei pelo caminho. Um dia você vai saber que não poderia ter sido diferente. Nós dois parecemos ter colidido e o fogo se alastrou de um jeito que apenas feriu nossos corações. Então pare com isso e venha cá. Estou te seguindo, vou percorrer seus caminhos até cansar.

Está tão quieto, mas você sabe que te conheci assim. 
Às vezes, você parecia brilhar, mas agora está se desfazendo bem na minha frente. Não vá, te suplico. Mesmo que você pareça se esquecer de mim, das minhas palavras atiradas pelas nossas estradas, gosto de você.

Você era jovem demais, e aquele me pareceu ser um dia perfeito. Você correu até mim no inverno, as botas se afundando na neve, e disse o que tinha de me dizer: me levava no pensamento todos os dias. Aquele garoto parece estar perdido nas montanhas, agora.

A realidade mudou. 
Você está tão zangado agora. Pergunto-me o que houve para fazer as malas e correr com elas até a entrada. Você é outro agora. 

Está fazendo desaparecer o garotinho doce que já foi um dia.
Não te disse antes, mas está partindo meu coração. 

Por favor, volte. Fique. 

Love, Nina. 

13 de fevereiro de 2014

#Pra te fazer sorrir

Não gostava muito de você, antes.
Acho que já te disse isso.
Você era meio assustador, me fazia ficar sem reação. Tudo que eu queria fazer era fugir de você. Mesmo quando você era legal, quando me sorria e me emprestava seus lápis de cores. 

Ainda não posso evitar isso: você ainda me assusta. Mas de um jeito diferente, eu gosto disso. Gosto de você me assustar, de demonstrar toda a sua loucura e tudo mais. Porque agora eu te conheço.

Acho que o destino fez seu trabalho conosco. Ele nos fez perceber que, olha só, pertencemos um ao outro. 
Você e eu, mesmo tão diferentes e mesmo tão errados. 
Eu, claramente, sou a parte errada. Você sempre foi o cara certinho, aquele que estava sempre trabalhando no seu melhor desempenho e enfiado nos livros. 

Agora entendemos que fazemos parte um do outro. 
Quando você acorda duas horas mais cedo que eu e diz no pé do meu ouvido que vai caminhar e já volta, entendo que isso é inerente a você. 
Quando rouba os melhores bombons da sua casa somente para me ver sorrindo, entendo que isso é inerente a você.
Quando canta a minha música preferida no karaokê, entendo que isso é inerente a você.
Quando vem pra perto de mim e declama sobre as minhas melhores e piores partes, entendo que isso é inerente a você.
E quando me dá flores, ou escreve trechos das minhas músicas favoritas em bilhetinhos, entendo que isso é inerente a você. 

Às vezes, acho que você faz muito mais por mim do que tudo aquilo que ofereço a você. Não entendo por que eu sou assim, tão prática e difícil de lidar. Você sempre consegue me arrancar risos com aquele seu típico apertãozinho no meu nariz. Eu não sei muito bem o que faço para você sempre estar rindo comigo. Mas já me conformei. A gente tem que se conformar com a vida. 

Se não sei ser romântica, não devo culpar a minha vida, ou a sua. Eu sou assim.
Ou melhor, você é assim: sabe como me conquistar todos os dias. Com um sorriso, ou com aquele seu beijo que você sabe que me deixa à sua mercê. 

Pode ser que a vida seja mesmo assim: alguns sabem mais do que os outros. 
E, verdade seja dita, você me conhece como ninguém e sabe sobre o amor muito mais do que eu. 

Love, Nina. 

12 de fevereiro de 2014

#Resenha: Apenas Uma Vez

Título Original: Once
Diretor: John Carney
Ano: 2007
Duração: 85 minutos
Nacionalidade: Irlanda
Gênero: drama/musical

~*~

Ok, Once, que também é uma peça da Broadway, é um daqueles filme que, com certeza, você não se contentará em ver apenas uma vez. Falando sério. Um dos filmes musicais com maior prestígio (angariou até mesmo um Oscar e um Tony) simplesmente vai ganhar o seu coração com tamanha simplicidade e sensibilidade já na primeira canção cantada por Glen Hansard. 

Ele, que é vocalista da banda irlandesa The Frames, no filme encarna um compositor/cantor que está em busca de um pouco de sucesso. Apesar de trabalhar numa loja que faz reparos em aspiradores, se dispõe a cantar pelas ruas para ganhar uns trocados. É assim que conhecemos seu personagem. E é assim, também, que ele conhece uma imigrante tcheca, que, conforme os dias se passam, se torna seu braço direito em suas composições. A princípio, a moça é relutante enquanto ele se mostra interessado, embora esteja tentando se decidir se corre ou não atrás de seu antigo amor. Suas vidas se entrelaçam sem pressa alguma, é quase tão natural quanto todas as melodias compostas pelo casal. 

Em busca de uma gravadora, ambos descobrem muitas coisas sobre a vida e sobre, claro, a música. O entrosamento deles é compassado, não há nada que nos faça perceber que há algo que "não se encaixa" em seu relacionamento. É justamente assim, aos poucos, que ambos se conquistam e conquistam também o espectador. Em meio a melodias e composições novas, eles se tornam amigos. A história do casal, embora o filme seja relativamente curto, deixa a sensação daquelas histórias de amor que você nunca vai esquecer, por conta de toda a simplicidade e sensibilidade contidas. 

E o que falar da trilha sonora? É, honestamente, uma das trilhas sonoras mais marcantes e maravilhosas que você vai ter o prazer de ouvir muitas e muitas vezes! Composta quase que exclusivamente por Glen, a trilha é simplesmente arrebatadora e apaixonante. 



Gostaram da resenha? Não deixe de comentar e DE ASSISTIR AO FILME!!!

Love, Nina. 

10 de fevereiro de 2014

#Playlist: embale seus dias também

Playlist da semana, yay!
Tentei resumir todas as músicas que mais tenho escutado e cheguei à conclusão de que essas são as que mais estão embalando os meus dias. 
Espero que elas possam fazer parte da trilha sonora da sua vida também! ;)






Awnnn </3


Love, Nina. 

7 de fevereiro de 2014

#Resenha: A Família

Título Original: The Family
Direção: Luc Besson
Ano: 2013
Duração: 1h52
Nacionalidade: Estados Unidos/França
Gênero: comédia/ação


~*~

Uma família ítalo-americana ligada à máfia precisa se mudar rapidamente sempre que é encontrada por seus inimigos (que são muitos). Dessa vez, a família é transferida para a França é forçada a parecer "uma família normal", de acordo com os costumes. A princípio, cada um arranja um modo de vivenciar suas vidas da melhor forma possível. Gio, o pai, começa a espalhar a todos que é escritor. E, de fato, ele começa a escrever suas próprias memórias numa máquina antiga de escrever. Ele passa muito tempo sozinho, enquanto sua esposa frequenta a igreja e tenta manter a ordem dentro de casa, fazendo o papel da dona de casa perfeita. A filha mais velha, Belle, começa seu primeiro dia de aula com problemas com relação a alguns garotos que a rondam, o que gera confusões. Warren, o caçula, segue o padrão da irmã, logo se metendo em encrenca com seus colegas e professores. Todos tentam resolver seus empecilhos de seus modos, aflorando seus velhos hábitos. 

Com os líderes da máfia americana atrás deles, em busca de vingança, é acionada uma patrulha de segurança aos Blake (nome sobrenome da família na França), contando com a ajuda de um agente do FBI. Cada personagem tem suas peculiaridades, o que acaba fazendo com que tentemos imaginar como eles sairão de suas confusões utilizando seus próprios modos. Às vezes, nada melhor que um taco de basebol, ou explodindo um mercado. A violência está contida na maior parte do tempo, no entanto não é algo pesado, pois com isso vem também um pouco do lado cômico. Dá para dar umas risadas de vez em quando, apesar dos tiros e das raquetadas. De modo geral, é um filme que dá para assistir com quem você quiser, pois trata-se, especialmente, do vínculo familiar. Trata-se de todas as maneiras que uma família reage aos seus restritos e amplos problemas. 







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Love, Nina. 

6 de fevereiro de 2014

#6 on 6

Como prometido, mais um 6 on 6
O tema desse mês é cultura ;)

Um dos elevadores da Casa de Cultura  Mario Quintana, situada no centro de Porto Alegre. 

Uma das melhores obras expostas da Bienal do ano passado, no prédio do Santander Cultural, 
também no centro da minha cidade. A obra e feita de cerâmica, embora não pareça. 

Uma das coisas mais incríveis do Santander Cultural é a arquitetura, que não pude deixar de registrar.

Homenagem à Carlos Drummond de Andrade e Mario Quintana; as estátuas estão expostas na
 Praça da Alfândega, também no centro de Porto Alegre. 

Memorial à Elis Regina, que fica em uma das salas na Casa de Cultura Mario Quintana. 

Meu livro MVFS 2 autografado pela Paula Pimenta. Na ocasião, eu tinha ido ao lançamento do título, 
que ocorreu no começo do semestre passado. 

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Love, Nina. 

2 de fevereiro de 2014

#Vinte segundos de coragem insana

Hoje queria te falar uma coisa que já faz tempo que penso. 
Leio romances, não nego. Acho que, de vez em quando, a gente tem que acalentar um pouco o coração. Prefiro romances, dependendo do momento, a aventuras fantásticas. É uma coisa minha, não esperava que você entendesse. 
Sou assim, oras. 
Você diria: "Você é uma menina meio maluca, sabia?". 
Eu sei, obrigada. 

Romances ajudam a sua alma, é o que ouvi dizer. Você aprende mais em um livro do que na escola. Aprende sobre o amor em 300 páginas. Aprende que, na verdade, cada menina é única. Que, é verdade, algumas esperam o príncipe encantado. Outras, entendem que elas devem ir atrás de seus príncipes. E que, não importa o que acontecer, o futuro é capaz de juntar duas pessoas que estão destinadas a viverem juntas para sempre. Aprende, afinal, aquilo que quase ninguém entende ou tem paciência de esperar: que será, será. 

Sei que você diria algo como: "Você vive demais nos livros, tem que parar com isso".
Mas eu não sou você; não me divirto pelos outros, ou me divirto somente para mim. Se você não gosta, desculpe, mas não posso te explicar mais vezes do que já expliquei. 
Eu gosto do impossível, porque, no fundo, todo impossível tem um fundinho de possível, e aquele que persiste consegue entender isso. Você não, é claro. Você acha que tudo é impossível. 

E se você acha que os romances dos quais gosto são esses da modinha cujos personagens correm atrás do próprio rabo, diversas e repetidas vezes, sempre enfiados nas mesmas cenas e, quando têm seus momentos de lucidez, ficam declamando palavras meigas e apelidos irritantes... Acho que você não me conhece tão bem. 
Eu detesto esses casais. 
Eles podem ser mais felizes do que eu em seus mundinhos, mas eu me contento em agradar a mim mesma.

 Não acredito nessas pessoas que dizem "fofo", ou "fofa" para todo mundo. Nem mesmo para os seus respectivos namorados ou namoradas. Não consigo confiar em gente assim. Não tem verossimilhança, eu acho. Não dá pra sentir a sinceridade, entende? Pessoas que escrevem sobre esses casais, que se chamam mais pelos apelidos bobos do que pelos seus nomes, não conhecem nada sobre a vida. 
Tudo bem, eu também não conheço, mas sei que o mundo está cada vez mais carente de casais verdadeiros. Daqueles que têm suas desavenças toda semana, mas que a sociedade não pode negar que se amam. Ou daqueles que não criam apelidos infantis e preferem olho no olho, ao invés de suspiros pelos cantos. 

Sou aquele tipo de leitora que acredita que garotos esquisitos conseguem conquistar a garota da vida deles. E sou também daquele tipo de leitora que acredita que todas as meninas são princesas e não precisam de coroas inúteis para provar isso. Aprendi essas coisas com meus melhores amigos literários, você deveria saber. 

Eles me ensinaram, também, que todo mundo tem muitas chances.
E você perdeu a primeira, não se desespere, mais uma deve aparecer daqui a pouco; talvez na próxima esquina, no novo colégio, na próxima aula teórica de direção, na bancada do petshop, no próximo trabalho em grupo. E se perdeu a segunda, existe a terceira, a quarta, a quinta... 
São muitas possibilidades, não há por que se lamentar toda vez, só porque seu passageiro amor se foi. Ele foi mais um, é verdade. Mas, ao final, o destino faz a sua parte. 
Vai acontecer com você, também. Vai se apaixonar e querer impressionar a pessoa. E, depois de muito impressionar, vai perceber que há alguma coisa errada: a garota, ou garoto em questão, parece distante ainda. 

Você poderia aprender com os romances, também, que você não precisa impressionar toda hora, sempre que encontrá-lo, ou encontrá-la. Tudo que precisa fazer são duas coisas: ser você mesmo e ter seus vinte segundos de coragem insana. São os vinte segundos que podem mudar a sua vida. 
Você diria: "Isso não existe".

Não existe pra você, que já perdeu seus vinte segundos. Não uma ou duas vezes, mas talvez umas trinta vezes. Não soube como administrar esses segundos. E verdade seja dita: não é culpa minha. Eu tentei te ensinar, está lembrado? Já te contei essa historinha da coragem insana algumas vezes. 

Então, meu amigo, leve fé na historinha. Pode ser coisa da minha cabeça, mas sei como ela é infalível. 
Vinte segundos.
Tic-tac.
São apenas VINTE. SEGUNDOS. 
Você pode olhá-la nos olhos e dizer tudo o que sempre quis dizer desde que a viu, ou apenas sorrir a ela e lhe convidar para um chocolate quente. Isso não é problema meu; o trabalho, agora, é seu. Eu apenas te dei uma dica. E, se você for inteligente, vai fazer desses vinte segundos toda a sua vida. 

Porque esses vinte segundos são sagrados. É o seu tempo doado à outra pessoa, de propósito. É meio interesseiro, é verdade: você quer fazer essa menina um pouquinho mais feliz. 
E verdade seja dita: você também vai ficar um tiquinho mais feliz.
Então vá lá, prove dos seus vinte segundos de coragem insana. 
E boa sorte. 

Coragem, Nina.