14 de novembro de 2015

#Uma coisa é sempre outra

Sentei aqui esperando as palavras se esvaírem de meus dedos, mas cartas nunca foram tão fáceis de serem escritas. Eu sei, parece que são apenas letras, declarações de afeto e repetições sobre saudade, mas ultimamente nem as minhas mais sinceras emoções fazem sentido. Tá meio nublado aqui dentro, um vazio automático e sem fim. Aconteceu o seguinte: eu era a última gota que faltava no oceano e, assim, ele inundou cidades e devastou tudo o que encontrou. Eu era gota pensando ser alívio. O alívio era amor pensando ser caos. O caos era pânico pensando ser festa. 

O que era eu, senão apenas um fantasma? 
O que era da vida, senão apenas uma mera confusão tardia? 
O que era da confusão, senão apenas toda a minha existência? 

Achei que sacrifício poético - morte através de cada ponto final - movesse o universo, mas esse universo morreu tentando ser tudo quando era apenas nada, ou muito pouco. Se esse fosse o último suspiro e as paredes azuis do quarto desenhassem a minha alma, a onda sem fim que levou a minha gota quebraria nos pés do fracasso. Pensei ser amor quando era apenas um sorriso qualquer que, de últimos dias, sabe demais. Meu último dia para sempre, sem igual, sem vontade nenhuma. 

Seu universo me acertou lá das estrelas - ponto final, de qualquer maneira -, e não sei por onde ele anda. Acabou cedo, nem amanheceu direito, volta aqui. Não lembro por onde andei, mas venho dizer que tô procurando as pegadas deixadas pelo seu rastro de saudade, a minha saudade de você. O meu mundo era cego sem o seu azul, o azul do tudo misturado ao nada - porque tudo é nada, e você soube disso desde o começo. Você me disse que "nada" não significa "vazio" e que, se eu tinha nada, era porque tinha muito. Eu falei que tinha você, mas seus olhos foram parar longe de mim. É que nem lembro mais onde te guardei aqui dentro. Eu te guardei pra quê, se não tem nada pra lembrar? Aquele vazio... O meu nada, o seu nada. O nada da vida em anulação, convergência e destruição. 

Você estava certo. Uma coisa é sempre outra. Amor não é amor - é encontro enganado, olhos nos olhos, faísca passageira. Saudade não é saudade - é dia de inverno, peito doído, mar beijando os dedinhos dos pés. Indiferença não é indiferença - é deslembrança, não olhar depois que a cortina se fecha, a vida toda pela frente. Universo não é universo - é um só verso, enlaces frágeis, acaso que quis ser destino. 

Nem você é a mesma coisa. Foi embora, ficou parado na chuva, voltou para a vida. Continua universo, porque saudade sempre vem. Pega a gente pela mão e faz lembrar dos melhores momentos para nos fazer entender que voltar não dá, porque o retorno ficou a quilômetros. 

O meu retorno foi te achar no meio da multidão e saber que sacrifício poético é largar os dedos do amor para deixá-lo navegar em direção ao além-mar. Um dia voltarei a ser gota e, quem sabe, a gente se encontre naquela onda que te levou. 


Love, Nina :)

7 de novembro de 2015

#Resenha de livro: Sombras da Primavera

No final do semestre passado, eu entrei no book tour de Cores de Outono (resenha aqui) e de Sombras da Primavera, da autora Keila Gon, Recebi o segundo livro há alguns dias, mas pelo final de ano estar completamente doido, terminei-o somente hoje. 

Título: Sombras da Primavera
Autora: Keila Gon
Editora: Novo Século
Ano: 2014
Páginas: 461

Foi impossível não ler este segundo livro sem "comparar" com o primeiro, pois lembro que fiquei um pouco decepcionada com Cores de Outono e até estava um pouco desanimada para ler Sombras da Primavera por causa disso. Ainda assim, devo dizer que ele superou totalmente as minhas baixas expectativas. O começo do enredo ainda tem o ritmo repetitivo das ações do primeiro volume, como as brigas desnecessárias e uma espécie de "ciclo" infindável. Parecia que a história não seguiria caminho nenhum divido a isso. Esse início ainda é bastante pautado pelo romantismo (mesmo que bastante equilibrado) e conversas sobre o futuro do casal, Melissa e Vicent. 

Mas qual não foi a minha surpresa ao perceber que, apesar dessa repetição, havia uma história de verdade a ser contada. Melissa e Vicent estão apaixonados e os planos que fazem são bastante corriqueiros entre casais; a vida segue conforme a normalidade, até que, em uma das viagens pelas sombras que ambos fazem, o poder de Vicent começa a esmorecer - e tudo indica que isso envolve Melissa. A princípio, o conselho acha que pode ser somente uma armadilha, já que o mundo mágico tem vários embates entre os seres. Mas acontece algo totalmente imprevisível em seguida: Vicent é atacado e desaparece. 

É a partir daí que a história realmente começa e, devo dizer, se fez de forma bombástica e muito bem arquitetada, pois me pegou completamente desprevenida e me fez reconsiderar todas as minhas antigas opiniões. Não dá para contar mais do que isso do enredo, senão seria um spoiler gigantesco, então vou prezar por falar de coisas específicas, como por exemplo, o fato de, finalmente, acontecer o protagonismo da personagem principal, a Melissa. O primeiro livro foi quase que inteiramente focado em quem era Vicent e o que ele escondia, enquanto este segundo, para o meu profundo alívio, cumpriu com o seu papel de sequência, desenvolvendo outros plots e oferecendo um novo, digamos, material ao leitor. O fato de Melissa, finalmente, estar no papel que lhe cabe, como a verdadeira protagonista da história, me deixou muito feliz, pois, apesar de a evolução da personagem ser sutil, suas características mencionadas no primeiro livro começaram a serem testadas e emergidas. Então, o trabalho que a autora fez em cima de Melissa me conquistou muito, em especial porque a moça se desapegou de várias atitudes e pensamentos que, antes, me deixavam com a sensação de que ela era um paradoxo mal formulado. 

Pelo fato de a narrativa focar mais em Melissa, os outros personagem mais corriqueiros de sua família ficaram, mais uma vez, de lado. Ainda assim, devo comentar que o pequeno plot de Melissa e seu amigo Artur, mesmo que pudesse soar cliché para alguns, me deixou bastante satisfeita. O aparecimento de novos personagens me agradou muito, pois entendi que todos, sem exceção, foram importantes para comporem o primeiro plano e o plano de fundo da história. Todos muito bem escritos, aliás. O mundo mágico, mais uma vez, me deixou encantada e muito animada. A narrativa desse plot se embrenhou um pouco mais no obscuro e nas traições, o que deixou tudo ainda melhor. Essa continuação ganha tons mais maduros, o que me deixou muito satisfeita. E, por maturidade, não há como não elogiar a escrita incrível da autora: nem muito rebuscada, nem "pobre" demais. Simplesmente, exatamente do jeito que gosto.
“A ilusão me cegou. Ela estava me levando para um precipício e tinha medo de não sobreviver à queda. Suspirei  longamente... ainda assim, por mais definitivo que fosse, jamais deixaria de amá-lo. A lembrança desse amor seria para sempre uma sombra em meu coração. E dela eu jamais me afastaria”.
p. 298
Posso dizer com toda a certeza do mundo que espero muito, muito mesmo, a continuação. O que mais amo em livros é justamente essa capacidade de eles nos surpreender e Sombras da Primavera fez exatamente isso comigo. Só devo parabenizar a autora pelo amadurecimento da história :) 

O terceiro livro, Luz de Inverno, sairá em breve.

Love, Nina :)