31 de dezembro de 2015

#Retrospectiva 2015

Fim de ano é um dilema, né? A gente quer que o novo ano se inicie o mais rápido possível para deixar para trás as situações ruins, mas ainda assim, queremos continuar guardando as boas. Bate saudade. Então, pra ninguém ficar com saudade de 2015, fiz uma retrospectiva baseada, em parte, neste post do Perplexidade e Silêncio e na do ano passado.



Melhor livro nacional:
Uma vida para sempre, de Simone Taietti

Se tem algo que prezo na literatura é o quanto nós, leitores, nos modificamos ao longo de um livro. Uma história que nos refaz, desconstrói e re-unifica nossos pedacinhos é, com certeza, um achado. Poucas conseguem essa façanha e este livro, com certeza, me atingiu em cheio, bem na época que mais precisava de ajuda. 
Um vida para sempre conta a história de Ethel, uma garota doente. Ela é obcecada pela morte e por sua simbologia, mas quando conhece Vitor, seus conceitos sobre morte e vida se misturam enquanto o amor surge. 
Escolhi-o simplesmente porque ele é profundo, rico, sutil, poético e soube me devolver a vida num período em que eu pensava demais no seu oposto. 
#Resenha: AQUI.



Melhor livro de poesia:
Toda Poesia, de Paulo Leminski

A poesia quase nunca esteve, intrinsecamente, mergulhada em mim e, até esse ano, eu duvidava muito que encontraria beleza e calmaria em versos. Mas aconteceu e sou eternamente grata.
Toda Poesia é a antologia poética completa do escritor Paulo Leminski. A partir daí, passei a admirá-lo profundamente.
Escolhi-o também porque o li num período conturbado e, portanto, a poesia contida nele me trouxe paz, leveza e a imensa paixão por haicais. 
#Resenha: AQUI.







Melhor livro Young Adult:
Os bons segredos, de Sarah Dessen

Acho que não li tantos YA's quanto gostaria este ano, mas esse foi uma enorme e maravilhosa surpresa que, com certeza, guardarei para sempre na estante e no coração.
Os bons segredos é sobre um drama familiar, mas que mescla humor, epifanias, romance e, claro, lições de vida. A protagonista Sydney enfrenta meses complicados dentro de casa, logo após seu irmão mais velho ser preso por acidentar um garoto. Ela, então, decide mudar de ares e, na nova escola, conhece pessoas divertidas que, acima de tudo, se importam com seu bem-estar.
Escolhi-o, porque é uma história transformadora que pode muito bem transformar também o leitor e, portanto, surpreendente. 
#Resenha: AQUI.




Melhor livro de fantasia:
Os três encontros, de Rúbia Dias

Afastei-me de forma gritante da fantasia no último ano e fiquei mais do que feliz pela autora (dona do Perplexidade e Silêncio) ter me re-conquistado a ler o gênero. 
Os três encontros é uma narração muito intimista e onírica, que traz à tona questões sobre o nosso ser: afinal, quem são o Universo, o Tempo e o Destino e será mesmo que eles podem influenciar naquilo que fazemos e somos? Com certeza, uma leitura incrível, marcante e muito epifânica. 
#Resenha: em breve.







E se todo momento na vida viesse
com uma segunda chance? 
Melhor filme:
About Time (Questão de Tempo), 2013

Assisti-o recentemente e arrebatou o meu coração de um modo irreversível. Com certeza, sensacional.
About Time (que tem na Netflix, então corre!) é sobre Tim, um jovem que descobre que pode viajar no tempo. Assim, ele tenta fazer com que suas viagens o apresentem ao amor. Alterando o curso de muitas situações, Tim enfim descobre que viagens no tempo não podem fazer alguém amá-lo da maneira que quer, apenas porque quer. 
Uma storyline aparentemente boba e romântica, mas que esconde toda uma lição simplista sobre a vida, os amores e as consequências. 
#Resenha: em breve.






Conquista do ano:
A publicação do meu conto "Sutilmente"


Já faz uns dois anos que decidi sair da minha zona de conforto e, por isso, comecei a escrever histórias que envolvessem temáticas LGBT (confira AQUI). Comecei com as fanfics e, mais ou menos em Março, escrevi meu primeiro conto homoafetivo. Até Setembro não soube o que fazer com ele, mas sabia que não queria deixá-lo na gaveta, então, publiquei-o na Amazon, depois que ele ganhou a capa dos meus sonhos, ilustrada pela Alice Gomes (conheça o trabalho dela AQUI). 


"Sutilmente" é sobre se deparar com sentimentos indecifráveis e inusitados e tentar entendê-los com cuidado; curiosidade, ansiedade e amor podem ser descobertas sutis para quem apenas tem 13 anos. A protagonista Giovana convida o leitor a conhecer Laura e perceber que o amor se esconde nas mais variadas nuances de alguém.

Minha maior satisfação é que ele está sendo muito bem recebido e, a cada resenha que leio, fico imensamente feliz por saber que o que escrevi realmente está sendo absorvido pelos leitores. Até hoje, só recebi palavras incríveis e que me emocionaram muito. Tive bastante medo devido à temática, mas minha gratidão é eterna por saber que minhas personagens são vistas como quaisquer outras pessoas. E, como se tudo isso já não fosse emoção suficiente, em Outubro o conto alcançou a 36º posição dos mais vendidos da Amazon (de 100, na categoria "Baixados grátis"). 
#Para comprar: AQUI.


Melhor música:
Last Hope, Paramore

O Paramore vem me acompanhando desde 2008 e, honestamente, tenho certeza de que é a banda da minha vida. As letras falam algo (sonhos, incertezas, desamores, solidão) e as melodias tocam a alma de um modo que, raramente, outras bandas fazem. 
Last Hope pode parecer que fala, meramente, sobre esperança. E, sim, fala. Mas a mensagem não é, exatamente, sobre ter (a primeira ou a última) esperança. Cada verso, na verdade, é sobre deixar acontecer
Escolhi-a não apenas porque é Paramore, mas porque essa música, literalmente, me acompanhou o ano i-n-t-e-i-r-o. Não sei passar uma semana sem ouvi-la. Sempre que algo muito bom ou muito ruim acontece, já vou eu ouvi-la, porque ela me recorda sobre a minha humanidade. Sobre eu ser quem sou e sobre quem eu quero ser. Sobre aqueles que eu deixei para trás, e sobre aqueles que quero deixar entrar na minha vida. Sobre os pedaços que deixei que me arrancassem da alma e sobre os tecos que todo dia alguém me doa com amor. É um sentimento quase inexplicável o que sinto por essa canção e tenho a absoluta certeza de que ela seguirá sendo a minha preferida por toda a vida. 
#Ouça: AQUI.

Melhor(es) texto(s) publicado(s) aqui:
Um dia, a felicidade vai te encontrar, no mês de Junho
Tenho algumas coisas bonitas para te contar, no mês de Julho
Uma coisa é sempre outra, no mês de Novembro

Escolher um único texto é difícil, pois sou aquela escritora-leitora que ama vários trechos de diferentes recortes daquilo que senti. Mas, falando essencialmente de sentimento, três ainda me saltam o coração. Foram escritos em momentos bastante diferentes, mas que podem resumir bem quem sou e o que o ano representou. Um dia, a felicidade vai te encontrar foi um texto sobre renovação, sobre um desejo de divisor de águas: queria deixar a tristeza para trás. Se consegui? Não sei. Mas, quando retorno a ele, ainda sorrio pela esperança depositada nele. No meio do caminho existiu um texto: Tenho algumas coisas bonitas para te contar. É sobre tentar transformar as tristezas, as angústias e os tropeções em coisas bonitas. Não precisavam ser perfeitas, coloridas, efusivas ou explícitas. Apenas precisavam ser bonitas para a minha alma. Uma coisa é sempre outra me fez doar poética de uma forma que nunca realmente imaginei que conseguiria (e verdade seja dita: nunca imaginei que tivesse isso dentro de mim). O lirismo dele permitiu que eu me enxergasse de forma mais plena e complexa, embora sem deixar a minha enorme parte sutil de lado. 

Feliz Ano-Novo. 
Muitos livros novos, velhos, re-lidos, re-encontrados. 
Muitas novas histórias de amor, de solidão, de sabedoria. 
Obrigada por fazerem do Nina um lugar incrível! 

Love, Nina :) 

29 de dezembro de 2015

#O que chegou por aqui?

Sei que estou postando apenas resenhas ultimamente e que as outras colunas estão aparecendo pouco. O motivo é que ainda tenho muita coisa atulhada no rascunho - e dá pra ver que esse mês tá bem lotado de publicações. Tenho algum material relacionado à escrita (para as #Dicas e o #Escrevendo), mas preciso decupar/selecionar/organizar, então, por ora, ficaremos em hiatus dessa parte. 

Mas, pra quebrar um pouco essa monotonia, trouxe a vocês as coisinhas que comprei/troquei/ganhei no último mês. Eu já postei a maioria disso tudo na página do blog, mas achei legal trazer esse conteúdo para cá. 

No finalzinho de Novembro, fiz um amigo secreto com o meu grupo de amigos da faculdade e recebi essas duas lindezas. Todo presente deveria ser dado com algo manual junto e o meu amigo que me tirou se inovou me presenteando com o Voldemort de Cubeecraft haha.
Já faz um super tempo que estou querendo ler Helena, do Machado de Assis, pois gosto muito da prosa dele e foi o presente ~oficial~ que ganhei.

Comprei A Princesa e a Costureira, de Janaína Leslão, pelo site (adquira o seu aqui). É o primeiro conto de fadas brasileiro LGBT, então, me interessou de cara. Eu já o li e, em breve, a resenha estará aqui. Só posso dizer que é muito amor.
O livro que está envolto por esse laço lindíssimo é Os Três Encontros, da minha amiga Ruh Dias. Ela me deu de presente de aniversário, já o li e posso adiantar que se tornou uma das leituras mais marcantes da minha vida. Ele está disponível na Amazon, em formato ePub e de forma física). 

Só pra mostrar que o Voldemort tem companhia haha. O meu amigo que me presentou com o Voldie me deixou com o Harry para eu montar. É muuuuito simples de fazer o seu próprio Cubeecraft e adorei! O meu acabamento não ficou muito bonito, mas gostei mesmo assim. 
Escolha o seu personagem aqui ou no Google mesmo. 
Ah, eu prometi a mim mesma que, nessas férias, eu releria a saga HP, pois faz uns seis anos que mal tocava nos livros (eles ficavam num armário, daí eu quase nunca lembrava dos livros). E, sim, a minha coleção é justamente essa, creio que uma das primeiras que vieram para o Brasil. Não sei se, algum dia, vou querer comprar outra edição, pois essa carrega toda a minha história dos 11 aos 17 anos (tempo que era loucamente fã da saga). 

Fiz a minha primeira comprinha na loja da Mary Cagnin Art e já estou eternamente apaixonada. Eu já havia recomendado o trabalho da Mariana nesse post, mas fiquei muito feliz por, finalmente, ter algo dela em casa. Vidas Imperfeitas são HQ's que falam sobre a adolescência, desenhadas exclusivamente pela Mary. Abaixo, estão as aquarelinhas. A minha preferida, com certeza, é a da garota com a coruja na cabeça (me lembra muito a Luna Lovegood e a Hermione haha). Vale muuuuito a pena dar uma olhada na loja! 

Uma amiga me emprestou Vida Peregrina, uma espécie de biografia engraçadinha da jornalista Mariana Kalil (talvez, se você não é gaúcho/a, não vai saber quem é). Já o li e gostei bastante, é ideal para passar a tarde. Não vai ter resenha, pois tô tendo que escolher quais livros vou deixar por aqui e, este, não me deixou tão animada para resenhá-lo. 
Já faz um tempo que quero ler algo do Maurício Gomyde, pois as história dele parecem muito próximas da gente, e consegui A Máquina de Contar Histórias no sebo perto de onde trabalho. Eu já o li, mas não achei tudo isso, como tanta gente fala. Não vai ter resenha, de novo, mas mais porque não sei exatamente o que criticar. Só sei que não gostei tanto quanto achei que gostaria. 
Recebi Mudanças, de L. L. Alves. Acabei-o ontem, e gostei moderadamente. Na biografia da autora é dito que este livro foi escrito quando ela tinha 13 anos, então é uma narrativa típica de alguém dessa idade. Há pontos bons, mas não fiquei com a sensação de que ele é sensacional, infelizmente. Resenha em breve. 

O Oceano no Fim do Caminho, de Neil Gaiman, e Memória da Água
de Ammi Itahanta, comprei pelo Submarino. 
Já faz muito tempo que tô querendo ler algo do Gaiman, pois ele é muito da fantasia e sinto saudade de bons livros do gênero (e muita gente diz que ele é o Rei da Fantasia contemporânea). 
Quando fui ao Mochilão da Record, em Julho, falaram que Memória da Água era lançamento e fiquei com muita vontade de conferi-lo. Como eu não estava podendo gastar na época, deixei para comprar agora, numa mega promoção (gastei menos de R$22,00 reais, incluindo o frete).
On The Road, de Jack Kerouac, e Garota Oculta, de Shyma Hael, troquei também no sebo. 
Lá, consegui também Quem eu era antes de você (que não está na foto, por motivos de: eu esqueci haha). Um amigo vive falando de On The Road (e como gostei muito de Pergunte ao Pó, de John Fante, que tem o mesmo estilo do Karouac), decidi levá-lo. Tinha visto Garota Oculta na livraria da minha faculdade, me deixou bastante curiosa e fiquei muito feliz por encontrá-lo no sebo. 
Por causa de uma amiga, do blog Uma Dose de Café, comecei a ficar viciada no Caio Fernando de Abreu. Já li Pequenas Epifanias (resenha em breve) e, num impulso doido, comprei Ovelhas Negras, uma compilação de contos. 

Comprei os dois primeiro volumes dos livros do Augusto Alvarenga na Black Friday, que vieram autografados. Sou apaixonada pelas capas desses livros e o Augusto é super amorzinho no Facebook, então, decidi dar essa chance. De forma geral, me lembra um pouco a literatura da Paula Pimenta e, assim sendo, já me conquista bastante.

Por enquanto (cof cof), é só.
Love, Nina :)

27 de dezembro de 2015

#Resenha de livro: Os bons segredos

Já li dois outros livros da Sarah Dessen (Just Listen e O que aconteceu com o adeus?), mas fiquei bastante tempo sem querer ler outro, pois esses dois primeiros não tinham me proporcionado muita emoção. E, então, acompanhando as publicações da página do blog Sete Coisas, vi muitas fotos lindas de Os bons segredos, indicando que o dono do blog o estava lendo. Depois de saber que o livro era mesmo muito tocante, resolvi comprar. E não me arrependi nadinha, ainda bem 

Título Original: Saint Anything
Autora: Sarah Dessen
Editora: Seguinte
Páginas: 403
Ano: 2015
+ 

Vivo dizendo que amo livros que me surpreendam, né? Pois aconteceu mais uma vez. Eu fico realmente grata por ter a oportunidade de conhecer tantas histórias tocantes e que, de alguma forma, sempre ficam no meu coração. Os bons segredos conseguiu entrar para o meu TOP 10 de YA's preferidos. O que gostei nessa narrativa é que ela não é simplesmente boba e fala de adolescentes desajustados, irritados e "legais demais" - pelo contrário, a storyline é tão comum, mas de forma tão singular, que nos deixa muito surpresos. 

O drama familiar está totalmente instalado no livro, mas vai se revelando aos poucos, e isso é completamente encantador. Sydney está enfrentando um período conturbado em sua família, com o seu irmão mais velho (que sempre foi o centro das atenções) preso por ter atropelado um garoto. A garota já está bastante cansada de ser a única que vê a situação como ela é (ou seja, concorda com a justiça sobre a pena que seu irmão tem que cumprir) e de ser colocada como última opção para os pais, já que estão sempre somente voltados para o filho (a mãe, especialmente). Embora a atitude de Sydney possa parecer somente uma adolescente reclamona e sedenta por atenção, ela é convincente. Não consegui odiá-la um só minuto. 
“– Não dá para mudar o passado.
(...)
– Isso não quer dizer que você precisa se prender a ele”.
p. 190
Sydney começa a frequentar outra escola, para que não seja mais associada ao irmão. Numa tarde, ao invés de voltar para casa, entra numa pizzaria perto da escola e acaba conhecendo a família Chatham. Torna-se amiga de Layla, uma garota que poderia muito bem ser a "patricinha sem graça", mas que foi muito bem desenvolvida e, com certeza, é uma graça. Sydney e Layla começam, então, a trocar suas experiências familiares e foi justamente aí que Sydney (e eu) começamos a perceber que não podemos achar que estamos sozinhas no mundo. Layla também tem um histórico familiar não muito perfeito. 

Aliás, a perfeição é o ponto-chave desse livro: ela é completamente desconstruída com cada cena e cada personagem. Além de Layla, há também seu irmão Mac, o primeiro a realmente enxergar Sidney. Mac não é aquele tipo de personagem masculino excessivamente fofo, mas é equilibrado (ponto extra!). Um dos pontos que me fez adorá-lo foi o fato de ele se parecer muito com o St. Clair (de Anna e o Beijo Francês), alguém que tem seus momentos engraçados e que, mesmo assim, sabe ser contido e amigo. A partir de Mac, Sydney tem uma grande reviravolta na trama, pois passa de alguém que se sentia invisível para alguém que, embora não queira ser o centro de tudo, aceita ser vista. Só isso já serviu para eu amar profundamente o livro, pois há uma relação muito próxima com o modo como me sinto o tempo inteiro (o negócio todo de me sentir invisível). Aprendi muito sobre mim mesma no decorrer do livro e, com certeza, fica uma ótima lição com esta leitura. 
“Estava acostumada a ser invisível. As pessoas raramente me viam e, se viam, nunca me olhavam de perto (...) Mas essa é a questão. Você sempre acha que quer ser notada. Até ser notada”.
p. 9
Mas, claro, não é apenas isso. Creio que o que realmente fez o livro funcionar não foi somente a trama, mas os personagens. Uma coisa que aprendi em oficinas literárias é que o personagem é que faz a trama acontecer e é por isso que um bom livro chega a esse patamar. Os bons segredos comprovou isso com maestria. Os personagens, cada um deles, dos mais recorrentes aos mais "de escanteio", fizeram a trama acontecer e contribuíram muito para que eu amasse demais cada página. Só posso recomendá-lo infinitas e infinitas vezes, pois é um daqueles livros que tem muito a nos ensinar sobre nós mesmos e sobre a vida. Eu o adorei tanto que o li em dois dias (eu praticamente não saí do quarto hahaha).  

Outro ponto muito bom é que a história não é focada no romance. Fala muito sobre relacionamentos, claro, pois muitos dos personagens estão indo e vindo pelo campo de batalha, mas o enfoque mesmo é o drama familiar. O romance, entretanto, se desenrola com muita sutileza e harmonia, sem tirar o destaque para o real objetivo da trama. 
“– O fato de uma pessoa não falar sobre algo não significa que não pense nisso. Na verdade, em geral é justamente esse o motivo para a pessoa não falar.
(...)
– Porque falar torna a coisa real.
– Exatamente”.
p. 341
Essa capa, por si só, já me fez querer lê-lo, quando eu não sabia muito o que esperar. O projeto gráfico é muito lindo e conseguiu, completamente, expôr a essência da história.
Curiosidade: quem lê o título original (e eu sou uma dessas malucas que a-m-a saber o título original dos livros, só para descobrir se o título traduzido tem mesmo a ver) acha que não tem absolutamente n-a-d-a a ver com o livro, mas... espere só, sério. Tem tudo a ver e é algo bastante surpreendente, pois não está totalmente escancarado. Com certeza, é um livro que sei que vou querer reler em breve! 
“Quando nos vemos diante da coisa mais assustadora, só queremos voltar atrás, nos esconder no nosso lugar invisível. Mas não podemos. É por isso que o importante não é apenas sermos vistos, mas ter alguém que nos veja também”.
p. 388
“Nos acostumamos com o jeito de ser das pessoas; contamos com ele. E quando o comportamento delas surpreende, para o bem ou para o mal, é capaz de mexer profundamente conosco” - p. 395 

Love, Nina :)

21 de dezembro de 2015

#Resenha de livro: De repente, nós

De repente, nós é uma antologia que recebi da autora parceira Flávia Duduch. O conto Primeira vez foi escrito por ela para compor o livro. Claro que não falarei apenas deste conto ;)

Título: De repente, nós
Autores: Diversos
Editora: Andross
Ano: 2015
Páginas: 304

De repente, nós é uma coletânea de contos de amor - das mais variadas formas de amor. Então, somos apresentados às mais diferentes histórias. O que, de imediato, chama a atenção é a variedade de autores. Gostei demais de perceber os estilos ali; alguns são mais simples, outros, mais rebuscados. Todos acabam se complementando, conferindo uma ótima identidade à antologia. Não há apenas uma linha editorial, então, o leitor acaba conhecendo recortes de histórias específicas, ou até mesmo uma grande "linha do tempo" da história de um casal. 

O que mais me motivou a ler foi essa miscelânea de palavras, estilos e enredos. Alguns contos são um pouco mornos e me fizeram sentir indiferente, mas outros são geniais e muito críveis. Há uma mistura de romance clichê com romance rude, onírico e trágico. A antologia pode agradar a todos: os que não gostam de romance, os que até gostam e os que não vivem sem. Justamente por isso, o livro deu mais do que certo. O romance não é enaltecido, ou exacerbado, é apenas um dos elementos que compõem, de forma agradável e harmônica, o objetivo da coletânea. 

Meus contos preferidos - não estão em ordem de preferência (spoilers free):

1) Primeira Vez (Flávia Duduch) - o que adorei neste conto foi o fato de a autora não ter especificado em momento algum qual é o gênero do personagem narrador. Embora a pessoa por quem o personagem esteja apaixonado seja uma garota, a parte da imaginação fica toda para o leitor: pode imaginar um casal heterossexual, ou homossexual. E isso, de modo algum, interferiu na afeição que tive pela história. 
2) Doce ironia (André Silva) - o ponto alto do conto é a significação do título na história. A doce ironia é simplesmente fantástica no enredo e, por isso, tornou-o surpreendente. 
3) Te encontrei (Letícia Borja) - acho que este é um dos poucos contos com uma linguagem jovem, estilo YA, e, portanto, já foi o suficiente para eu adorá-lo. A forma como a autora conduziu a história é despretensiosa, mas que, no final, me deixou muito feliz pela sacada que teve. Sem contar que é um dos poucos contos que me fizeram rir pela naturalidade das situações ali escritas. 
4) O amor é cego (Davi Paiva) - é um dos contos mais lindos da antologia, pois é de extrema sensibilidade, mas realidade. É uma história tão marcante que a reli muitas vezes e sempre com muita emoção. 
5) No silêncio da noite (Evelin Barboza) - a princípio, o leitor pensa que é apenas uma personagem boba que está reclamando de um relacionamento qualquer. Não, não é. Senti o poder de todas as palavras enquanto garota, leitora e escritora. Sabe aquela velha história de que, às vezes, amamos tanto alguém que acabamos esquecendo de cultivar o amor-próprio? Pois bem, esse conto tem muito a nos ensinar sobre isso. Como feminista, esta história, que é mais um monólogo, me deixou muito feliz e satisfeita. 
6) O meu primeiro amor (Raphael Sulivã) - eu conheço o Raphael há algum tempo, por causa do blog Quem gosta de ler. Fiquei muito feliz por encontrar este conto dele na antologia, pois já o havia lido e gostado muito. O que mais me chamou atenção foi a época em que a história se passa e o sentimento romântico presente que, de maneira alguma, é clichê. 
7) O início, o meio e o fim (Vinícius Do Sol) - a narrativa é jovial e segue o rumo esperado do título em questão. A história me pegou de surpresa, por causa da reviravolta. 
8) Um segredo entre nós (R. S. Rolim) - com certeza o meu preferido do livro. O que me conquistou de cara foi o modo de escrita, que é muito parecido com o meu. A linha de raciocínio e a prosa poética, também. Para os desatentos, o conto pode não "dizer" muita coisa, mas eu consegui entender todas as ideias implícitas e sutis. É o único conto que me fez apaixonar por quotes inspiradores, que me acalentaram a alma e que, tenho certeza, levarei para a vida. 

“Eu podia sentir os olhares das pessoas queimando em minha pele. No entanto, eu não conseguia me importar com isso. O momento era bom demais para que eu ocupasse minha mente me preocupando com outras pessoas que não fossem Lucy e eu”.
Primeira vez, Flávia Duduch.
 Ter tido a oportunidade de ler essa antologia foi muito boa, pois me ajudou a relaxar antes de dormir (eu e minha mania de ler antes de dormir, rs). História belas, marcantes e inspiradoras que, com toda a certeza, merecem mais atenção. Ao ler as mini-biografias ao final, fiquei contente por saber que muitos autores são de "primeira viagem" e, ainda assim, se saíram muito bem. Com certeza, o livro é muito bem produzido, ainda que, às vezes, a revisão tenha deixado a desejar. A capa é muito atraente e a diagramação muito bem feita. 
“A vida se fez em você. A vida que eu quis deixar para trás. E que a todo e qualquer custo meu coração grita nesse apelo constante por preencher de um ar essa ausência que ficou à margem de quem eu era. Pena que só compreendemos o grande milagre da vida quando a deixamos de lado. (...) A vida é isso. Não é uma carta incompleta com um pedido de adeus escrito às pressas. Não é um livro inacabado. A vida é muito mais do que isso. A vida não quer mais ser esse canal de linhas de uma vida incompleta. A vida não quer mais ser espera nem ser expectador de partidas”.
Um segredo entre nós, R. S. Rolim. 
#Para publicar: a Andross Editora está com inscrições abertas para a novas coletâneas de contos, poemas e crônicas até 31/01/2016, basta clicar aqui. 

Love, Nina :)

18 de dezembro de 2015

#Resenha de Livro: Vida & Verso

Recebi a antologia Vida & Verso por causa do book tour e já faz bastante tempo, mas não consegui fazer a resenha até agora, porque não tinha terminado de ler (apesar de ser bem curtinha) - o final de ano acadêmico destruiu todas as minhas chances de ficar apenas lendo e fazendo vários nada (obviamente, fiz muitos tudos e deixei os nada para agora, nas férias).  

Título: Vida & Verso
Autores: diversos
Organização: Rô Mierling
Editora: Illuminare
Ano: 2015
Páginas: 96

Vida & Verso é uma coletânea de poemas de diversos autores. Gostei da proposta, pois ela não delimitou um tema - fala exatamente sobre vida e verso. Esse ano me encontrei muito na poesia e, quando recebi o livro, achei que ele seria de bom proveito. Entretanto, fiquei decepcionada. 

A maioria dos poemas usa rima branca (ou seja, não existem rimas) e isso dificultou muito o meu proveito. Gosto de certo ritmo na leitura e, embora esse ritmo não precise acontecer necessariamente devido às rimas, não consegui realmente adorar a leitura. Geralmente, poesia me acalma, mas esse livro não conseguiu proporcionar isso em mim. Eu realmente não sei o que houve, só sei que me senti truncada na leitura e meio irritada. Acho que porque, de começo, eu coloquei muito fé nele. Os poemas tratam de assuntos sentimentais, do cotidiano e da poética, mas fazem isso de forma tão fria e difícil que pouquíssimas vezes realmente me identifiquei com os versos. A maioria dos poemas não usa uma linguagem acessível, ao invés disso usa palavras rebuscadas e invertem o sentido das ideias de forma que me desagradou muito. 

Não sou estudiosa na área, mas as poesias que já li ao longo do ano me deixavam leve e sempre me davam esperança, sem contar que usavam formas muito simples e singelas de tocarem o leitor. E poucas vezes vi isso acontecer nesta antologia. Realmente, não gostei tanto quanto achei que fosse gostar. Sem contar que passei o tempo inteiro odiando a diagramação do livro (as páginas foram divididas em duas colunas e isso atrapalhou muito na disposição dos poemas, pois muitos versos ficaram cortados e tendo de ter continuidade na linha abaixo - então há uma quebra de continuidade na leitura que me irritou muito). Desde a primeira vez em que vi a capa da antologia me apaixonei, mas com ela impressa nas mãos percebi muitas falhas, pois dá para ver que o photoshop que o capista fez ficou bem ruim - tipo: dá para ver os pixels da ilustração, o que ficou muito feio). 

Enfim, eu diria que é uma leitura muito morna e bem atrapalhada. 

Mas deixo aqui três poemas/versos que me chamaram atenção pra vocês não acharem que eu desgostei de tudo hehe. 




Love, Nina :)

15 de dezembro de 2015

#Promoção || Virada com Livros

Final de ano com S-O-R-T-E-I-O de livros? Vai ter, sim! :) 

O Nina se uniu ao Imaginary books, Amantes da leitura, Brisa literária, Diário de uma livromaníaca, Reality of books e Profissão escritor e, juntos, preparamos 3 KITS de livros para presentear 3 de nossos leitores!



Fique atento às regras abaixo, preencha corretamente o Rafflecopter e, pronto, é hora de cruzar os dedos!

Regras e informações:
 A promoção tem início dia 15/12/2015 e término dia 15/01/2016
 Ela é válida apenas em território nacional.
 Cada kit contém suas entradas obrigatórias (e elas têm de ser preenchidas para validar a participação) e, após preenchê-las, outras adicionais aparecerão. Lembre-se, quanto mais entradas preenchidas, maiores as chances de ganhar! 
 Todas as entradas do ganhador serão verificadas após o término da promoção, então certifique-se de cumpri-las de maneira correta para não ser desclassificado.
 O envio de cada prêmio é responsabilidade do blog que o disponibilizou, portanto provavelmente chegarão em datas diferentes.
 O prazo de envio dos prêmios é de 30 dias após o término da promoção.
 Nós entraremos em contato e o ganhador terá o prazo de 72 horas para responder. Caso contrário, um novo sorteio será realizado.




#Dúvidas: envie um e-mail para mundodanina@gmail.com

Que a sorte esteja sempre a seu favor!

Love, Nina :)

13 de dezembro de 2015

#Divulgação: Louis e Lorraine, de Anaté Merger

No começo do ano, resenhei o livro Amor em Jogo, da Anaté Merger, mas, desde então, não tinha tido a oportunidade de ler outra obra dela. No começo do mês, entretanto, vi-a divulgando um conto que está na Amazon, chamado Louis e Lorraine. Logo me chamou atenção e baixei (pois estava de graça). 


Por ser um conto, a história tem apenas 21 páginas, mas foi o suficiente para me desconcertar. A sinopse é bastante singela e, portanto, eu esperava outro tipo de storyline. Mas não pensem que me decepcionei - de modo algum! A reviravolta do conto me pegou totalmente de surpresa e, ao invés de ficar decepcionada, eu simplesmente achei isso fantástico. Gosto muito de histórias que me surpreendam, pois a maioria fica na minha mente por bastante tempo. 

O enredo é fluído e narrado em primeira pessoa por Lorraine, uma garota que se acha sem graça e que tem 15 anos. Ela está se arrumando com muito esmero para ver o garoto por quem é apaixonada, Louis. De cara, adorei Louis, pois o modo como a autora/personagem o descreveu de modo tão sedutor, mas equilibrado (aquele típico garoto mediano que não sabe que é bonito, por assim dizer), me convenceu bastante. Aliás, o conto inteiro é muito convincente. Temos o costume de achar que contos deixam a desejar pela natureza mais breve, mas esta história cumpriu com perfeição o seu papel, dando-nos informações precisas, mas sem deixar de lado detalhes que complementam o plano de fundo do enredo. Então, de forma geral, o conto é bastante equilibrado. 

Agradou-me demais o fato de a autora ter inserido o tema da música com o piano. Lorraine diz que foi justamente devido às notas musicais que conheceu Louis e que se apaixonou por seu dom tão especial. A música conferiu um toque mágico, sutil e poético à história. Toda a magia da musicalidade se evidencia em cada linha lida, depois que entendemos o propósito dela para compor o plano de fundo da história contada. O que mais me chamou atenção foi, justamente, a oscilação entre a leveza e a gravidade, pois isso permitiu um ritmo fluído e cadenciado na leitura. 

Gostei muito da reviravolta presente, pois me deixou desesperada, confusa e surpresa ao mesmo tempo. Achei, realmente, muito bem colocada e me deixou com a sensação de que vou carregar a Lorraine e o Louis por um bom tempo. A autora dá pequenas pistas quanto à reviravolta que se mostra eminente, mas precisa de uma leitura bastante atenta (eu tive que ler duas vezes para, enfim, me dar conta das sutilezas escondidas). A maneira como a história se encerra (ou apenas dá continuidade... na nossa imaginação) é muito poética, doce e, de alguma forma, fica "flutuando" na nossa mente.
"Ele era tão impossível para mim como o piano que usava para tocar o coração de quem o escutasse. Dias e noites de choro se passaram até que me conformei em amá-lo do meu jeito silencioso". 

#Para comprar na Amazon: aqui.

Love, Nina :)

10 de dezembro de 2015

#Resenha de filme: Medianeras

Uma amiga me recomendou esse filme e, como eu descobri que ele sairia do catálogo da Netflix em dezembro (17/12), corri para assistir. Apesar de relativamente curto, é uma história muito apaixonante 


Título: Medianeras
Diretor: Gustavo Taretto
Ano: 2011
Nacionalidade: Argentina/Espanha
Duração: 1h35
Gênero: Romance/Comédia/Drama
+ 


Medianeras tem uma storyline simples: é um recorte sobre a forma com que estamos lidando com a conexão virtual e interpessoal. Apesar de ser ambientado em Buenos Aires, a lição de estende para qualquer cidade, país etc. A história nos mostra dois relatos diários: Martin, um cara que tem como única relação a cachorrinha da ex-namorada e Mariana, um moça que está tentando lidar com o término de um namoro de quatro anos. Ambos são muito solitários. Martin trabalha bastante com a internet, por isso, sua única conexão com as pessoas, na maior parte do tempo, é feita através da rede. Mariana é formada em arquitetura, mas não conseguiu emprego na área e, por isso, se contenta em trabalhar nas vitrines das lojas, arrumando os manequins - objetos que fazem parte de sua rotina até dentro do pequeno apartamento no qual vive. 

Enquanto nos é mostrado o dia a dia dos dois personagens, começamos a torcer para que eles, finalmente, se notem. Há diversas cenas em que estão no mesmo lugar, a centímetros um do outro, mas que simplesmente não se enxergam. Isso, com certeza, me angustiou o filme inteiro e me fez pensar o quanto isso deve também acontecer na vida real. Percebi que, embora digamos que a internet seja um benefício, pois nos conecta com pessoas diferentes e faz essa conexão ser mais "fácil", há também o outro lado: quantas pessoas igualmente interessantes poderíamos ter conhecido se não tivéssemos com os olhos na tela do celular, computador, tablet etc? Mais: imagine quantas chances perdemos de termos tido relacionamentos verdadeiros e saudáveis simplesmente porque olhamos nos olhos dessas pessoas, ao invés de meramente enviarmos uma mensagem virtual a elas?

Então, fica evidente que é exatamente isso que o filme quer nos causar - essa reflexão que ora nos anima e ora nos angustia.

Algo que me chamou atenção foi a tecnologia disposta ao longo da sequência. Computadores da MAC se misturam com mp3 players ~super~ antigos e celulares estilo tijolão. Levando em conta que o ano de lançamento foi 2011, ainda assim fiquei meio surpreendida pela tecnologia meio atrasada do país. Aliás, o "atraso" foi algo bastante interessante que permeou todo o filme. As cenas são compostas em tons frios e me deu a impressão de que todo o roteiro também não era muito moderno, pois a forma de narrar a história não se assemelha com filmes bonitinhos americanos. Esses pontos me conquistaram muito, pois gosto muito de coisas "antiquadas".


A atmosfera solitária, embora os personagens, esporadicamente, se relacionem com outras pessoas está sempre presente. Dá para sentir toda a angústia dos dois de serem sozinhos e de tentarem ir além de seus limites para se relacionar. Ainda que essa solidão de ambos seja um recorte para falar sobre a era virtual, eu me identifiquei muito, já que sou muito solidão - mas por motivos bem diferentes; eu aceitei a minha solidão, especialmente porque realmente não gosto de estar perto das pessoas (introversão e fobia social aqui, sim). Então, assistir a esse filme foi ao mesmo tempo tenso e maravilhoso. Mas, acima de tudo, me permitiu também dar um passo além da minha bolha. Me permitiu pensar o quanto é realmente difícil deixarmos alguém invadir a nossa vida e nos deixar conquistar quando estamos quebrados ou vazios por dentro (embora eu não me sinta assim de maneira nenhuma, mas é a realidade dos personagens do filme).

Mal tenho palavras para expressar o meu amor por essa sutil e poética história. Ela é leve e pesada ao mesmo tempo, inspiradora e destrutiva, apaixonante e irritante (nas cenas em que Mariana e Martin se encontram, mas não se enxergam, por exemplo). É um tipo de história que não precisou usar nenhum recurso mirabolante, ou apelativo (embora tenha umas cenas sexuais, mas nada demais). O menos foi mais nesse caso. Apaixonei-me por tudo - cenário, diálogos, personagens.

Ah, uma brincadeira muito engraçadinha e inspiradora dentro do filme é aquele negócio de "Procure o Ollie". O cartaz evidencia bastante isso. Mariana diz que tem um livro do Ollie, mas que nunca o achou na cidade. Algumas vezes, a cidade se torna um cartoom numa tentativa de que nós mesmos, os espectadores, encontremos o personagem pelas ruas. E já posso adiantar que o final é muito amor por causa dessa brincadeira - então, vá logo assistir! :)

Recomendo infinitamente, não apenas por causa da lição, mas também porque creio que as pessoas precisam dar uma chance ao cinema argentino, que é tão bom quanto o nosso, ou os europeus 





Love, Nina :)

7 de dezembro de 2015

#Resenha de Livro: Fernão Capelo Gaivota

Meu pai deixou um enorme legado em mim: a paixão por livros. Ele foi o meu grande incentivador (mesmo quando reclamava da quantidade que eu comprava, rs) e lembro perfeitamente de um livro que ele citava sempre que podia: Fernão Capelo Gaivota, do autor Richard Bach. Segundo ele, era um dos livros mais lindos que já tinha lido. Quase três anos depois que ele se foi, eu resolvi dar uma chance a esta leitura não somente para relembrar os bons momentos, mas porque fazia anos que não lia uma fábula com tanta sensibilidade humana. 

Título Original: Jonathan Livingston Seagull - a story
Autor: Richard Bach
Editora: Círculo do Livro
Ano: 1970 (original)
Páginas: 152

O exemplar que consegui é bastante antigo (nem tem o ano da publicação brasileira), pois o peguei da biblioteca da PUCRS. A capa é dura, a diagramação é rasa, as páginas são estreitas e o texto se apresenta muito comprimido. O mais interessante é que as fotografias do fotógrafo Russell Munson se "casam" com a narrativa. Para alguns, talvez, as fotos quebrariam o ritmo de leitura, mas eu achei que isso apenas conferiu bastante dinamismo à ela, inclusive incrementou muito a atmosfera da história. 

A fábula narra, em terceira pessoa, a transição de vida da gaivota Fernão. A gaivota tem grande dificuldade de se encaixar na sociedade da qual pertence. Seu bando é tradicional: ou seja, se esgoela e briga por comida, não faz nada além de agir como pássaros condicionados aos seus destinos pré-definidos. Fernão, desde o princípio, se mostra contrário e insatisfeito com seu estilo de vida. Seus pais tentam, em vão, colocá-lo nos eixos, pois sabem que ele pode ser banido, caso se recuse a agir como uma gaivota "normal". Fernão tem um desvio de comportamento bastante diferente: ao invés de comer, ele prefere treinar seu voo. É claro que gaivotas voam, mas apenas o básico para se manterem vivas. Fernão, entretanto, quer ir além disso, quer aperfeiçoar seus movimentos e ser livre.
“Para a maioria, o importante não é voar, mas comer. Para esta gaivota, contudo, o importante não era comer, mas voar. Antes de tudo o mais, Fernão Capelo Gaivota adorava voar”.
p. 15
Fernão acaba expulso do bando e vai para o "paraíso", um local meio transcendental e onírico. Lá, ele se transforma em aluno capacitado e muito entusiasmado. Nesta segunda parte, a gaivota conhece outras - o Mais Velho, uma espécie de sábio, e Henrique, outro pássaro que foi expulso de seu bando e que acabou ali. A cada "mundo" ao qual Fernão se adentra, ele vai perdendo o status de aluno e começa a ser visto como professor.  

A fábula bate muito na tecla da liberdade e creio que esta seja a moral da história. O enredo pode parecer bastante simples e até mesmo bobo, no entanto, foi escrito com tamanha sensibilidade que se torna impossível não dizer que é um incrível trabalho. Fernão suscita no leitor reflexões pertinentes quanto à formação da sociedade, ao que esta sociedade espera de nós e, especialmente, até que ponto devemos lutar por nossos sonhos e fazer deles parte de quem somos. 

O livro não me emocionou absurdamente, mas a mensagem que ele deixa é, com certeza, muito linda. Há muita poética nos diálogos, um constante debate quanto como a mente é a extensão de quem somos e que, devido a ela, podemos fazer e alcançar o que quisermos. O ponto principal é a liberdade tanto terrena quanto espiritual, de diversas maneiras. As metáforas utilizadas são muito consistentes e faz a ligação entre a realidade e a história retratada na fábula. 

A leitura é muito suave e tranquila, é muito fácil mergulhar no enredo e se identificar com Fernão, seus ensinamentos e indagações. As imagens no meio do texto, em preto e branco, deram um grande "charme" à história. Todas são de gaivotas em voo e não sei se, nas edições recentes, elas estão presentes. Recomendo muito a leitura, para qualquer pessoa, independentemente da idade, pois a mensagem deixada é muito humana e transformadora 
– Todo o corpo de vocês, da ponta de uma asa à outra – dizia Fernão outras vezes –, não é mais do que seus próprios pensamentos, numa forma que podem ver. Quebrem as correntes dos seus pensamentos e conseguirão quebrar as correntes do corpo...
p. 123
Love, Nina :) 

4 de dezembro de 2015

#Resenha de livro: A luz de um isqueiro

Recebi A luz de um isqueiro por causa da parceria que fechei com a autora Roberta Grassi. Eu o li há algum tempo (uns três meses), mas não tinha encontrado tempo de escrever a resenha, pois estava tentando desenterrar as que já estavam atrasadas. 

Título: A luz de um isqueiro
Autora: Roberta Grassi
Editora: Deuses
Páginas:  314
Ano: 2014
+ 

Fiquei intrigada, de imediato, quando li a sinopse desse livro pela primeira vez. A premissa é bastante curiosa e isso me fez querer ler. A história é narrada em primeira pessoa por Bernardo, um garoto um tanto perdido na vida, que tenta agradar os pais, mas que não é muito feliz. Os pais o pressionam a arrumar um emprego, já que está desempregado, mas Bernardo não demonstra interesse em quase nada. Tudo começa a mudar quando seu avô, um senhor de poucas palavras e afeto, adoece. A tarefa de Bernardo é fazer companhia ao avô, então, começa a passar bastante tempo na casa dele. Certo dia, o senhor lhe dá uma tarefa esquisita: visite um amigo.

A partir disso, a vida comum do personagem tem uma grande reviravolta, porque é como se ele tivesse entrado em uma "caça ao tesouro" (ou em uma "caça à resposta correta", para ser mais objetiva). Esse amigo do avô o leva a muitas outras pessoas e cidades. Bernardo se vê à procura de um milagre, uma cura divina que não sabe para que serve, ou como ela pode alterar a vida do avô (ou de si mesmo). Em uma das cidades, ele conhece uma garota aparentemente mimada e "patricinha": Eleonor. Ela não é nada doce, ou fofa. Depois de algumas conversas, os dois embarcam em uma aventura louca. Eleonor precisa ir embora da cidade e Bernardo ainda precisa de respostas (e, pelo que tudo indica, ela sabe de alguma coisa). A relação deles é construída à base de muita música, alguns palavrões e perguntas que quase nunca são inteiramente respondidas. O que mais gostei neles é que Eleonor não é nem um pouco estereotipada. Ela é autêntica e incrivelmente real. Identifiquei-me muito com Bernardo em diversas passagens, pois ele gosta bastante de pensar e a situação de nunca saber exatamente o que fazer, ou como agir é muito a minha cara. Ambos são incrivelmente bem construídos e sólidos. Têm seus erros e acertos, suas qualidades e seus defeitos. A autora conseguiu dar vida a duas pessoas que poderiam estar por aí, no mundo real. Ela escreveu Bernardo e Eleonor de maneira tão convincente que fiquei muito ligada a eles. São personagens muito maduros e seguros de si (embora Bernardo possa não parece à primeira vista). 
“Você nunca vai realmente decidir se foi destino ou acaso. Você gosta do conceito de destino, da ideia de que tudo já estava traçado – provavelmente porque isso tira um peso de decisão das suas costas, porque assim você é só uma vítima das circunstâncias. Mas o acaso também lhe agrada, o pensamento de que o improvável aconteceu, a aleatoriedade trabalhando para dar sentido a tudo”.
p. 12
“Eu estava morrendo e o momento da morte parecia eterno”.

p. 162
A narrativa é completamente apaixonante, porque o leitor se vê cada vez mais embrenhado em mistérios que parecem sem resolução, ou que carecem de muitas respostas concretas e verdadeiras. Isso produziu em mim um efeito meio doido, pois eu não conseguia me desgrudar do livro. Varei algumas noites em claro, simplesmente porque estava entretida demais com tudo aquilo. O mais especial dessa história, sem dúvida, é que a autora não entrega nada de graça. Todo o mistério tem fundamento: o livro não faz o papel de revelar tudo, pois precisa da mente do leitor para que sua conclusão aconteça. Tanto é que os personagens e os lugares são muito pouco descritos, o que permite que nós, leitores, usemos a imaginação para dar vida a tudo que está no papel. 

Com certeza, é uma baita história. Ficou por dias na minha cabeça, pois me marcou demais. As conclusões que, aos poucos, nos são reveladas nos fazem pensar bastante em coisas menos "concretas", ou "materialistas". Todos nós estamos atrás de respostas e o livro nos mostra que para cada uma delas há um porquê e uma consequência. 
“Ela tinha me apresentado à eternidade em camadas: tédio, dor, raiva, arrependimento”.

p. 199
“Quando você percebe que a sua vida é uma ode às causas perdidas e que só a miséria traz as pessoas para perto de você, isso confunde a noção do que você deve ou não fazer e do preço das coisas”.
p. 226
Quem gosta de mistérios, super recomendo. 
Tenho certeza de que vai igualmente adorar! :) 

#Curta a página do livro no Facebook para ler outros quotes maravilhosos 

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*BÔNUS: entrevista com a autora


1) Qual foi a definição que quis encontrar no Bernardo? Acha que conseguiu fazer com que os leitores a entendessem? 
O Bernardo é um cara comum que pega emprestada a jornada do avô só para poder permanecer em sua zona de conforto e evitar a grande questão “o que eu quero fazer da minha vida?” e no meio do caminho descobre quão letal é deixar os outros escolherem o seu caminho, que se diluir nas expectativas dos outros te transforma em um eco fraco do que te mandaram dizer. Não tenho certeza se os leitores o percebem assim, mas a desorientação dele serviu bem pra conduzir a história.

2) Por que você acha que as pessoas buscam por milagres? Acha que o jogo entre mortal vs. imortal é importante para que esses milagres aconteçam, ou não aconteçam? 
O termo “milagre” gerou certa confusão, algumas pessoas chegaram a achar que o livro era religioso (o que definitivamente não é o caso, principalmente se levarmos em consideração a quantidade de álcool presente na história), mas acabou que não tinha outra palavra que se encaixava tão bem como essa.
Eu acho que a maioria das pessoas busca milagres por desespero e nos lugares errados. As pessoas acreditam que um milagre é uma transformação gigantesca e instantânea, mas é como naquela frase do Einstein que diz que todas as coisas são milagres: encontrar alguém por quem você se interessa neste mundo abarrotado de chatos de galocha é um milagre, uma boa conversa é um milagre, se maravilhar por qualquer coisa é um milagre, se permitir se perder é um milagre, se encontrar é um milagre maior ainda, se manter fiel a você mesmo enquanto somos bombardeados por zilhões de estímulos contraditórios deve ser o maior milagre de todos. E justamente porque somo mortais, esses “pequenos milagres” deveriam ser valorizados, porque é nisso que a nossa existência é “fixada”, é nisso que a gente “vence” a morte.
Mas o parágrafo final do livro responde melhor estas perguntas que este textão hippie hahaha.

3) Qual é a sensação que te dá por ter finalizado essa história? O que espera com ela?
A sensação é muito boa e ao mesmo tempo meio estranha, é sempre complicado se expor. Eu comecei a escrever esta história pra matar o tédio e acabei gostando do resultado, então acho que esta é minha expectativa: que o livro divirta quem lê, que as pessoas se percam com o Bernardo, se embriaguem com a Eleonor e aproveitem a viagem.

P.S.: Roberta, obrigada pelo seu textão hippie! :)

Love, Nina :)

1 de dezembro de 2015

#Resenha de livro: Pergunte ao pó

Estou mega atrasada com resenhas? Sim, com certeza. Mas entrei ~mais ou menos~ de férias acadêmicas e terei mais tempo para escrever aqui. A resenha de hoje é a de Pergunte ao pó, de John Fante, um livro que a Ruh, do Perplexidade e Silêncio, indicou há algum tempo. 

Título original: Ask to dust
Autor: John Fante
Editora: Editora Best Seller (integrante da Record)
Páginas:176
Ano: 2010

O livro é relativamente pequeno, pois é versão de bolso. A narrativa, a princípio, é bastante esquisita. Demorei um pouco para me acostumar com o fato de o narrador, Arturo Bandini, se referir a si mesmo em terceira pessoa. Fiquei diversas vezes confusa, embora a escrita seja muito convidativa para leitores que gostam de "livros rebuscados" (meu caso haha). Depois que passa essa sensação inicial, começamos a entender o personagem principal. Ele é um aspirante a escritor que sempre se acha melhor do que realmente é. Acha que, um dia, seus escritos serão muito famosos e que será muito rico. No entanto, a realidade é outra: ele mal consegue se sustentar com o que realmente ganha pelos contos que são publicados de vez em quando em revistas locais. Achei extremamente difícil vê-lo como alguém jovem (se não me engano, ele tem 21 anos), pois seus pensamentos e atitudes, diversas vezes, remetem a um homem mais velho. 

A leitura é um pouco arrastada, mas bastante intimista. É quase que uma aventura melancólica por seus dias que de quase nada valem. Bandini não tem uma vida muito movimentada, pois é sozinho e não tem muito interesse por quase nada. Mas tudo muda quando ele conhece uma garçonete chamada Camilla Lombard, uma latina pobre e malvestida. Apesar de ele, claramente, estar apaixonado pela moça, Bandini tem um jeito totalmente tosco de demonstrar isso. É altamente rude com ela, sincero de um modo desnecessário e, diversas vezes, machista e controlador. A relação do casal é muito, muito conturbada. Camilla é bastante combativa, ou seja, devolve na mesma moeda, não leva desaforo para casa. O amor retratado é possessivo e muito auto-destrutivo.
“O amor não era tudo. As mulheres não eram tudo. Um escritor precisa conservar suas energias”.
p. 71. 
Li o livro oscilando muito entre os sentimentos de raiva, desgosto e certa compaixão (mas apenas nas partes sobre Bandini mencionar sua relação com a escrita). A narrativa é bastante sedutora, poética e, por vezes, carrega bastante em fluxos de consciência. Posso dizer que, embora o personagem não tenha me agradado em quase nada, esse livro me marcou bastante, pelo fato de ser bastante diferente das leituras com as quais estou acostumada. Fante retrata com muita lucidez o começo dos anos 1900, sendo este romance ambientado na década de 30. 

Quem já leu On The Road, de Jack Kerouac, pode se interessar pelos livros de Fante, pois ambos os autores fazem parte do movimento beat, entre as décadas de 40 e 50 (que, posteriormente, deu origem ao movimento hippie). Os autores desse movimento carregavam bastante no comprometimento de passar ao leitor uma visão mais profunda da realidade, das sensações e das situações; além disso, prezavam bastante suas próprias experiências e gostavam de níveis elevados de consciência. Não é a toa que Pergunte ao pó é semi-biográfico. Com certeza, leria de novo e recomendo :)
"Outro dia, poesia! Escreva um poema para ela, derrame seu coração para ela em doces cadências; mas eu não sabia escrever poesia. Era amor e dor comigo, rimas pobres, sentimento desajeitado. Oh, Cristo no céu, não sou um escritor; não consigo sequer escrever uma quadra, não sou bom neste mundo (...) não sou nada bom, apenas um impostor barato; nem escritor, nem amante, nem peixe, nem ave".
Love, Nina :)