31 de dezembro de 2016

#Pena & Tinta: adeus ano velho

Você precisa saber algo: 2016 me deu algumas lições incríveis e gratificantes.

Aprendi que, às vezes, é preciso estar sozinha, porque existem caminhadas que entenderemos apenas assim: confiando mais em nós, sem dar ouvidos a terceiros (por mais estimáveis e empáticas essas pessoas possam ser). Em 2016, eu tive depressão. Procurei ajuda profissional, mas não foi nada como esperei - foi ruim. Só fiz duas sessões e não apareci mais. Em 2016, aprendi a aceitar as palavras dos outros. Foi assim que aprendi gratidão e resignificação. A partir de maio, consegui estruturar melhor minha mente. Dizer a ela que o que quer que tivesse acontecido em 2015 não era mais quem eu queria ser. Porque eu estava cansada de não sentir nada na maior parte do tempo e de sentir muito em momentos específicos. Em 2016, eu aprendi a controlar a minha mente. E a controlar quem eu não queria mais ser. 

Quem eu ainda queria ser não queria mais aceitar pessoas tóxicas, oportunistas e duas caras. Nessa época, eu ainda estava muito frágil e estava enfrentando um processo de reencontro interno muito delicado. Eu não sabia se queria levantar da cama e dar de cara com os fracassos do dia. Mas resignificar me ajudou muito - mudou muito a me reencontrar, aliás. 

Todos os lugares e pessoas e lembranças ruins, que me causavam ansiedade e ataques de pânico, foram modificados. Eu tive que dizer a mim mesma para parar de ter medo desses lugares e pessoas e lembranças. Porque o medo não ia me privar de essas coisas existirem ao meu redor, em meu convívio e em minha rotina. Foi bem na época que eu comecei uma atividade diária nova. Em 2016, eu aprendi a amar a meditação. Faz quase seis meses e foi uma das melhores coisas que descobri na minha vida. A meditação me ajudou, em definitivo, a controlar a minha mente - e, em conjunto, a minha ansiedade e meu medo. São somente dez minutos à noite, antes de dormir. Isso mudou a minha vida. Finalmente, aquela pessoa de quem estava cansada de ser começou a ir embora. É claro que ainda é um processo. A depressão e, em especial, a ansiedade ainda estão aqui, ainda existem. Mas é como se, de onde estou agora, estivesse segurando um lado de uma corda muito, muito, muito comprida, que termina onde eu nem me lembro mais. 

Em 2016, eu esqueci como era lidar com o choro até adormecer. Mas também tive decepções com pessoas que admirava. Comecei a ficar triste num lugar que ainda amo. Percebi que ninguém é confiável tanto assim. Percebi que a maioria te pergunta as coisas porque quer mesmo sabê-las. Algumas pessoas já sabem as respostas e estão somente brincando com a sua cara. Outras, só querem especular a sua vida. Outras ainda só querem rir da sua desgraça ou escrachar sua felicidade. Dessa forma, aprendi a parar de confiar tanto nos outros e acreditar mais em mim mesma. 

Eu tive que encontrar uma maneira de lembrar quem eu era, o meu eu verdadeiro. Tive que lembrar o quanto escrever é quem sou, o quanto preciso continuar no mundo, o quanto outras pessoas dependem das tarefas que faço, mesmo que haja ingratidão. Aprendi que vou desagradar alguns, que vão tentar me derrubar e que vão dar a mínima para mim. Mas, apesar disso, eu vou continuar sendo eu. Vou continuar navegando para longe, bem longe, dessa gente. Porque eu não dependo de quem me destrata, quem me rebaixa, quem acha que pode brincar comigo e ir embora. 

Em 2016, eu aprendi que as coisas ruins podem melhorar. Que vamos voltar ao mesmo mar alguma hora. Que vamos reencontrar aquele pedacinho de nós mesmas que ficou para trás. Porque, de pedacinho a pedacinho, a gente se reconstrói. E se gosta cada cada vez mais. 

Em 2016, eu descobri uma paz espiritual incrível. Aprendi sobre perdoar o outro e perdoar a mim mesma. Aprendi sobre amor-próprio. Aprendi que está tudo bem não estar bem o tempo todo. Que somos frágeis, mas que nossa força só está esperando o momento certo para se mostrar. Aprendi que os lugares, as pessoas e os momentos vão embora. E está tudo bem. Porque não precisam ficar o tempo inteiro. Porque bom mesmo é dizer adeus para aquilo que não funciona mais. 

Então, adeus, 2016.  E obrigada por ter deixado cicatrizes que não doem mais. 


Imagem: arquivo pessoal.
Sim, eu fiz minha primeira tatuagem.
Para que eu continue lembrando que sou a minha própria força.

"É possível encontrar a felicidade mesmo nas horas mais sombrias, 
basta se lembrar de acender a luz".
~ Alvo Dumbledore

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Esse texto faz parte do projeto Pena & Tinta 
Pena & Tinta é um projeto de escrita criativa com o objetivo de criar textos (crônicas, contos, poesias, relatos pessoais etc) mensalmente em cima de temas predeterminados. 
Você tem um blog e quer fazer parte do projeto? Legal, vem que a gente te espera AQUI.

Um dos temas de Dezembro era escrever um texto sincero de formato livre 
sobre o que aconteceu em 2016.

Love, Nina :)

29 de dezembro de 2016

#Resenha de livro: Mrs. Dalloway

A minha última leitura foi pra lá de sensacional, como tudo o que já li da Virginia Woolf (tá falando a resenha de Um teto todo seu, pois é; vai ficar para 2017). 

Como disse aqui, Mrs. Dalloway faz parte do projeto #LeiaMulheres. Não consegui concluir a meta, mas me desafiei a terminar este livro, que havia iniciado em abril. E que surpresa! Se, em abril, a leitura estava desconexa - pois não havia lido nada da Virginia, até então -, agora, fluiu com muito amor e muita angústia. A literatura de Woolf provou mais uma vez que pode me conquistar cada vez mais ❤ 



Título original: Mrs. Dalloway
Autora: Virginia Woolf
Editora: L&PM
Páginas: 221
Ano: 1925 (original) | 2012 (BR)
★★★★★ +

De narrativa muito mais linear que As Ondas, Mrs. Dalloway é envolvente, primeiro devido ao ambiente de classe média londrina; segundo, devido aos fluxos de consciência. Para alguns, esses fluxos podem incomodar, mas, para mim, que gosto muito, apenas serviu para que eu me adentrasse cada vez mais na história. A leitura é rápida, profunda, e narra um dia na vida de Clarissa Dalloway. Um dia importante, além de tudo. É de manhã quando ela sai para comprar flores para sua festa e, a partir daí, conhecemos não apenas ela, mas seus antigos amigos e boa parte da sociedade da época. Uma época em que casamento não era sinônimo de amor, que roupas extravagantes eram importantes e que transtornos mentais eram tabus e tratados quase que com escárnio. 

Mesmo escrito em terceira pessoa, a dimensão de cada personagem é muito bem apresentada e desenvolvida ao leitor. Dificilmente eu "entro" em histórias escritas em terceira pessoa, mas não tive em momento algum problemas com isso em Mrs. Dalloway. Virginia consegue, com cada palavra, cada sentimento, nos convencer a sentir cada frase. A capacidade da autora de nos tocar, mesmo escrevendo sobre coisas banais, é sensacional. Eu, que amo a literatura introspectiva, agradeço mais uma vez o mergulho em mais uma obra dela. O saldo é sempre positivo. E, por incrível que pareça, não me sinto triste durante a leitura, de modo algum.
Morte era desafio. A morte era uma tentativa de comunicar, a pessoa sentindo a impossibilidade de alcançar o centro que, misticamente, lhe escapava; a proximidade se desfazia; o arrebatamento se desvanecia; estava-se só. Havia um aconchego na morte.
p. 209
Alguns temas são pesados, como o alarde de Septimus em se suicidar, mas a banalidade está em todas as partes. Virginia descreve arrogância, soberba e esnobismo através de Clarissa, que está numa posição social privilegiada. Todas as personagens, mesmo as mais arrogantes ou frias, nos motivam a descobrir mais e mais coisas sobre elas. Além de Septimus, há Peter Walsh, alguém que compete bastante em termos de cenas com Clarissa. Só posso descrever Peter como um obcecado por Clarissa, pois, mesmo que esteja de volta à cidade para tocar a vida, não consegue se desvincilhar de seu passado com ela. Esses arroubos de paixões por parte dele tinham tudo para serem irritantes, mas, na verdade, é algo fascinante - mostra muito de sua alma vazia, incapaz de se ater ao presente. Uma antiga amiga da protagonista também é bastante citada: Sally Saton. 

Sally, apesar de não ganhar tanto destaque, é muito importante para que o leitor descubra quem Clarissa é. Apesar de estar casada e ter uma filha, Clarissa, em momento algum, revela sentimentos românticos a seu marido, Richard. Ao invés de falar de amor sobre ele, fala sobre Sally. A homossexualidade, aqui, é bastante presente. Ela diz que sente por Sally "um sentimento do tipo dos homens". Isso me incomodou, porque eu ficava esperando que também dissesse sobre amor com o marido. No fim, comecei a me sentir mal por ela, por ter se casado com alguém que não amava quando, muito claramente, poderia ter sido feliz com outra pessoa, com alguém por quem era apaixonada. Um sentimento equivalente, o amor por alguém de mesmo sexo, é pincelado em Septimus em relação ao seu amigo falecido Evans. É instintivo, aliás, dizer que os pensamentos suicidas de Septimus afloraram devido à morte do amigo. Foi inevitável, em muitos momentos - em especial sobre a homossexualidade e o suicídio -, pensar que a narrativa é uma auto-biografia permeada de ficção.

Não tenho gratidão e amor suficientes para estimar esta leitura. Fico, na verdade, brava comigo mesma por ter adiado a finalização deste livro. Ele abraça você de um modo leve e angustiado ao mesmo tempo. A sociedade e boa parte das personagens são frias e distantes, mas foi inevitável sentir amor, compaixão e expectativa por eles. Mrs. Dalloway refletiu muito de mim mesma, dos meus pensamentos e dos meus anseios. O final tem de tudo para deixar o leitor irritado, mas o que senti, na verdade, foi um enorme amor. Foi impossível não sorrir com aquele final, sinceramente. Um dos finais que vão ficar para sempre no coração ❤  



Love, Nina :)

27 de dezembro de 2016

#Retrospectiva 2016

Ano passado eu também fiz uma retrospectiva. Anteriormente, estava pensando em fazer um TOP 5 com as melhores leituras do ano, mas aí percebi que fiz muito mais do que cinco e não daria certo haha. Como a retrospectiva engloba categorias diversas, achei muito mais diversificado e justo fazê-la, com algumas alterações. 



Melhor livro nacional:

Pequenas epifanias, de Caio Fernando Abreu

Se tem algo que 2016 me proporcionou foi me aproximar e amar a literatura de Caio F. Até então, apenas lia trechos avulsos pela internet afora, mas quando peguei Pequenas Epifanias, percebi que o autor é muito mais do que um romântico incurável. Suas palavras me lembraram eu mesma muitas vezes e, por isso, senti uma enorme proximidade com sua mente.
Este foi o livro, também, que me fez recomeçar a ler bastantes crônicas e relembrar do quanto eu as adoro.
 Resenha: AQUI 



Melhor livro infanto-juvenil:
A princesa e a costureira, de Janaína Leslão

Esse ano eu li muitos livros com temática LGBT e este é um dos queridinhos, pois é um conto de fadas voltado ao público infanto-juvenil, mas que dialoga com qualquer pessoa, independentemente da idade/sexualidade etc. Além das ilustrações serem l-i-n-d-a-s, a "moral" da história é graciosa, humana e representativa. 
A representatividade importa. Você não precisa concordar, gostar ou aprovar. O amor vai continuar existindo :)
 Resenha: AQUI 



Melhor livro Young Adult:
Por lugares incríveis, de Jennifer Niven

Eu falei desse livro m-u-i-t-a-s vezes ao longo do ano no blog, mas não consegui fazer resenha dele, pois, às vezes, quando amo algo falar sobre esse algo é muito complicado e nunca acho que estou falando tudo o que senti ao longo da leitura.
Por lugares incríveis se tornou, na verdade, o meu livro YA preferido da vida inteira. A sensibilidade, a sinceridade, a coragem e a verossimilhança são admiráveis e sensacionais. A storyline é incrível, apaixonante e inspiradora. Falar sobre transtornos mentais é muito difícil e o modo como Jennifer escreveu essa história é algo que mal tenho amor e gratidão suficientes para agradecer. 
Esse livro veio numa época em que eu estava passando por meses horríveis, de profundo vazio, e ele salvou a minha vida - de verdade, literalmente. A gratidão é infinita e de coração. 


Melhor livro de fantasia:
O oceano no fim do caminho, de Neil Gaiman

Este foi o primeiro (e, até agora, único) livro que li do Gaiman, mas me fez sentir tantas coisas sensacionais que achei que já tivesse perdido e se tornou um dos meus queridinhos do ano. O modo como ele trabalha a narrativa de modo a convencer o leitor sobre mentiras vs. verdades e imaginação vs. realidade é genial. É uma daquelas histórias frenéticas de sentimentos contraditórios e que nos faz ler, ler, ler até esquecer a noção do tempo. 
 Resenha: AQUI   



Melhor livro LGBT:
Volto quando puder, de Isa Prospero e Márcia Oliveira
O que me conquistou neste livro foram os fatos de ser nacional e de a narrativa ter me surpreendido, pelo fato (spoiler alert!) do plot da sexualidade não estar diretamente ligada ao protagonista. O ensinamento é lindo, uma espécie de reeducação familiar e aceitação. É algo muito maduro e sensível. Há "tapas com luvas de pelica" em muitos quotes, coisa que simplesmente adorei. O crescimento da história e das personagens é algo único, cativante e humano.

Mais uma vez: A representatividade importa. Você não precisa concordar, gostar ou aprovar. O amor vai continuar existindo :)


Melhor livro "auto-biográfico":
A redoma de vidro, de Sylvia Plath

Este romance, na verdade, é tido como "semi-biográfico", uma vez que o nome da protagonista não é Sylvia e a narrativa não é, exatamente, a rotina da autora. No entanto, depois de um tempo, não conseguia mais desassociar a Esther da Sylvia. A Esther era a Sylvia, na minha cabeça. 
Novamente, falar sobre problemas psicológicos é algo difícil (e raro, em especial, se levarmos em conta a época da primeira publicação: 1963), mas a lucidez e a articularidade de Sylvia neste romance é algo que ora angustia e ora conforta. Assuntos psicológicos sempre me interessaram e, por causa dessa leitura, comecei a procurar bastantes referências históricas sobre tratamentos da depressão e outros transtornos. 
 Resenha: AQUI 


O livro mais surpreendente:
As ondas, de Virginia Woolf

Antes de eu começar a lê-lo, a Ruh tinha me falado que esse era o livro mais complicado da autora e que não me recomendava começar a explorar a literatura dela por este título. Mas lá fui eu, porque eu queria me surpreender. E aconteceu. 
A narrativa é pacata, quase não há atos concretas nela, pois é contada em solilóquios (monólogos internos). A dificuldade é muita, mas, na época em que o li, estava precisando muito de algo que mergulhasse a minha mente em outra dimensão, em algo calmo e introspectivo, que me fizesse desacelerar. 
Este livro se tornou, com certeza, um dos meus preferidos do ano e da vida. Uma leitura marcante.
 Resenha: AQUI 


Melhor filme:
Melancolia, de Lars von Trier, 2011

A fotografia me conquistou logo nos primeiros minutos. Eu não sabia muito sobre a narrativa, por isso o filme me surpreendeu bastante. Além disso, as "epifanias" que acontecem no meio dele são incríveis. Pode parecer um simples filme surrealista, mas é muito mais do que isso: fala muito sobre a mente humana e transtornos psicológicos (depressão e ansiedade). Durante dias eu só conseguia falar e pensar sobre astronomia (estrelas e planetas), o que me rendeu ótimos insigths para meu novo romance.






Obviamente, capa não-oficial - tá faltando um S,
isso mesmo. Foi antes de eu mudar o título haha
Conquista do ano:
Voltar a escrever meu novo romance, Rotas de fuga

No meio do 2015, eu escrevi algo (nunca publicado) que, tempos depois, percebi que poderia se tornar um romance. Iniciei a história, muito pacata e com muita dificuldade, pois, apesar de ter a espinha dorsal, não tinha conseguido construir os arcos das personagens nem elaborar os plots que se entrelaçam e se desenvolvem. 
Mais ou menos um ano depois, eu estava de volta à essa narrativa. Percebi que ter deixado o texto "descansar" foi algo ótimo, que me permitiu pensar melhor e reconstruir o que desejava para as personagens e para a própria história. 
Até agora, o romance tem ficado muito melhor do que havia previsto e tem me dado um imenso orgulho. Pretendo finalizá-lo até o final de janeiro, pois quero inscrevê-lo no Prêmio Sesc de Literatura. 
Um imenso agradecimento à Cecília, do Blog Refúgio, que é a minha beta-reader oficial e sensacional

Parte da sinopse (ainda em construção):
Procuramos saídas o tempo inteiro. Então, fugimos. Deixamos para trás dores e vivências, assim como alegrias e saudade. Às vezes fugimos porque estamos com medo; outras, porque o sofrimento da permanência nos fere muito mais do que abandonar pessoas e quem um dia fomos. Às vezes fugimos para nos reconstruir; outras, para fazer desaparecer o inesquecível. (...)  


Melhores músicas:
I. Dear Wormwood, The Oh Hellos
II. (How it's going to) End, Marble Sounds
III. Dust to Dust, The Civil Wars


Descobri o The Oh Hellos em janeiro deste ano e, por muitos meses, uma canção em especial da banda me acompanhou dia e noite: Dear Wormwood. Tal qual Last Hope, do Paramore, esta se tornou uma espécie de hino para um momento muito ruim da minha vida, que me permitiu focar em algo que não fosse a vontade de morrer, o constante medo e a ansiedade. A música me deu uma consciência plena de que algo estava muito errado em mim e um verso dela me fez encontrar equilíbrio entre quem eu não queria mais ser e quem eu ainda queria ser: 

I know who I am now
And all that you've made of me
I know who you are now
And I name you my enemy

Conheci o Marble Sounds em 2010, com The time to sleep, mas no início deste ano eles lançaram um novo álbum e a canção (How It's Going to) End me ganhou nos primeiros segundos e, desde então, ouço-a muito. Tiveram meses que a única coisa que ouvi foi ela. Algo que amo absurdamente nesta banda é a sonoridade calma e profunda, que chega na alma da gente de um modo sensacional. Além da melodia, a letra significa muito para mim, de uma forma quase inseparável. 

You took a step 
Without looking back 
But knowing too well 
How it’s going to end 
You’ve reached the point 
You can’t pretend 

Conheço o The Civil Wars (terá uma playlist sobre eles em breve, prometo!) desde 2012, por causa da trilha sonora do primeiro filme de Jogos Vorazes. Ouvia-os muito esporadicamente, mas no último mês voltei a ouvir Dust to dust compulsivamente. Não sei mais começar o meu dia sem esta música, pois a melodia dela me traz t-a-n-t-a calma e paz, que só tenho muita gratidão pela existência dela! 

You've held your head up
You've fought the fight
You bear the scars
You've done your time

Melhor(es) texto(s) publicados aqui:
Rimas em saudades perenes, no mês de janeiro
Não podemos (nos) proteger para sempre, no mês de agosto

Durante o ano inteiro, eu só publiquei dois textos. Parece horrível, né? Mas, pra falar a verdade, eu estou feliz com isso. Porque essa parada com as palavras significou muito para mim. Foi - e ainda é - um processo para mim dominar melhor meus sentimentos e transformá-los em palavras necessárias. Ao longo da existência do blog, acho que escrevi muito sobre qualquer coisa e, este ano, percebi que escrevi apenas quando sabia que era verdadeiro, quando tinha que ser, realmente. A escrita ainda é a minha vida, é tudo o que realmente sou. E aprendemos sobre nós mesmos o tempo inteiro. Aprender é um processo, assim como a cura e a harmonia. De modo que esses dois únicos textos representaram muito bem esses três pontos sobre mim: o eu, a cura e a harmonia. 
Para ler/reler:


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Obrigada pela companhia durante 2016!
Que venham outras leituras e novas histórias inesquecíveis! 

Love, Nina :)

25 de dezembro de 2016

#Resenha de livro: Antes do baile verde

No começo do ano, eu aderi ao projeto #LeiaMulheres e criei uma lista com autoras que gostaria de ler em 2016. Se fracassei nessa meta? Eu não vejo assim. Não, eu não consegui completá-la, mas, ainda assim, me sinto orgulhosa de, pelo menos, ter espalhado o projeto internet afora. 

Neste dezembro, eu me desafiei a ler dois títulos da lista: Antes do baile verde (Lygia Fagundes Telles) e Mrs. Dalloway (Virginia Woolf). Este segundo, tinha começado em abril, no entanto, nunca o terminei. Sejamos todos feministas (Chimamanda Ngozi Adichie), que está na lista, eu já li no ano passado, mas a resenha acabou não saindo por de: esquecimento.

Título: Antes do baile verde
Autora: Lygia Fagundes Telles
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 205
Ano: 1970 | 2009
★★★★★ +


Antes do baile verde, na verdade, foi uma releitura. Li-o no ensino médio, há uns oito anos, mas decidi relê-lo, porque sentia certa saudade desses contos. São 18, cada um com uma temática. Apesar disso, há uma marca característica da autora, que é o fluxo de consciência. Em As meninas, também romance de Lygia, esses fluxos são intensificados, mas nestes contos é suave. As histórias são rápidas de serem lidas, têm entre 4 a 6 páginas. 

Para quem não está acostumado com a literatura da Lygia, acho que o entendimento das narrativas podem ser um pouco complicadas, porque são tão subjetivas e entrecortadas, muitas vezes eu terminava um conto sem ter entendido o seu sentido. Depois de um tempo, comecei a perceber que, mais do que entender, a proposta desses contos é fazer o leitor sentir - mesmo que seja confusão. O incrível das palavras da autora, tal qual Clarice e Virginia, é o sentimento. As frases parecem truncadas, desconexas e mesmo inacabadas, mas, ainda assim, nos faz sentir. 

Cada conto tem personagens diversas, sempre envoltas em conversas. Os diálogos são abundantes, algo que, a certo tempo, começou a me incomodar, pois gosto muito de descrições e introspecções. Mesmo assim, são precisos e enriquecedores. A partir deles é fácil notar algo que se repete bastante ao longo do livro: os diálogos não são lineares. As personagens estão em uma conversa no presente, mas que sempre se deixa atravessar por outros assuntos, seja do passado, seja de conflitos inter-pessoais. E isso, apesar de ajudar um pouco na confusão, é algo incrível, porque passa ao leitor o transbordamento das vidas das personagens. Podemos não saber o antes e o depois completos, mas os diálogos nos oferecem pinceladas para a imaginação. 

Outro ponto fácil de perceber é que os contos não têm um final, algo que amarra as histórias. Por vezes, o sentimento de surpresa e desapontamento com um "final" abrupto aflora, mas não deixa de ser encantador. Acho que, justamente por causa disso, os contos são diferenciados e despreocupados com o que o leitor quer. Eles oferecem, na verdade, o que o leitor precisa. Mesmo que seja pouco ou incompleto. Me fez pensar, por exemplo, nos recortes que fazemos de vidas alheias em nossas realidades. Nós esperamos um final, mesmo que saibamos que um final pode representar, também, um recomeço ou mesmo uma incompletude. 

A riqueza das narrativas é incomparável. Refletem, acima de tudo, a brasilidade. Foram escritos em outra época (a primeira publicação é de 1970), mas ainda faz o leitor se identificar. Os contos se aproximam da ideia das crônicas, que carregam uma atemporalidade mais fincada. Características culturais da época retratada aparecem a todo instante e, para mim, foi bastante enriquecedor. Palavras em "desuso" também aparecem com frequência, mesmo que a minha edição seja a mais recente, de 2009. Adorei o fato de a editora ter mantido esses detalhes, pois manteve o caráter literário de Lygia. 

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O conto homônimo "Antes do baile verde" foi escrito em 1969, em meio ao desânimo do AI-5. Mas foi o suficiente para que Lygia Fagundes Telles ganhasse o primeiro lugar do prêmio francês "Grande Prêmio Internacional Feminino para Contos Estrangeiros de Cannes". No ano seguinte, a publicação de 16 contos contidos na antologia de mesmo nome do conto premiado aconteceu. Depois de 1970, já teve 20 e, atualmente, na sua versão definitiva, tem 18. 

Fique esperto!
Não confie no ron-ron de Lygia Fagundes Telles.
Garras de veludo. Posfácio de Antonio Dimas (professor titular de literatura brasileira na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo).

um apêndice maravilhoso sobre o livro e a autora, ao final, escrito por Antonio Dimas, Carlos Drummond Andrade (uma carta) e Urbano Tavares Rodrigues (um depoimento) é igualmente enriquecedor e curioso, porque complementa os contos de forma muito harmônica e pertinente.

Love, Nina :)

23 de dezembro de 2016

#Especial: CCXP2016 pt II

No começo do mês, fiz uma viagem incrível à São Paulo, para ir a Comic Con Experience. A primeira parte das fotos vocês podem conferir AQUI. 

Nessa segunda e última parte, mostrarei as aquisições da Artists' Alley, que contemplou mais 50 quadrinistas e ilustradores nacionais e internacionais.  


Eu comecei a adorar ilustrações por causa de três artistas sensacionais: a Mariana Cagnin, a Carmell Louize e a Alice Gonçalves. Vocês podem conferir os trabalhos delas nesse post que fiz no ano passado sobre designers. Até hoje, acompanho diariamente o progresso e a rotina artística delas. 

A Mariana estava estava presente na CXPP, mas eu não pude comprar a graphic novel dela, Black Silence. Estou louca para tê-la na minha estante, mas vou ter que esperar um pouco. O primeiro capítulo está disponível AQUI, e eu s-u-p-e-r recomendo!

Apesar disso, comprei outras grafic novels, HQ's e ilustrações. 

O espaço para esses artistas é enorme e eu tinha vontade de ficar olhando t-u-d-o, mas ao mesmo tempo me sentia muito mal por não poder comprar tudo o que gostaria. Eu não pretendia levar quase nada, mas acabei comprando muito mais do que deveria. No entanto, não me arrependo nem um pouco, pois sei que todos os produtos são sensacionais!

Não preciso dizer muito sobre o porquê quis comprar essa HQ fofíssima. Catioros haha. Comprei, especialmente, para dar de Natal à minha mãe, porque sei que ela sente falta de ler e que adoraria algo assim. Espero que eu tenha acertado no presente haha.

I. Os artistas: ANTONIO EDER | WALKIR FERNANDES | CAROL SAKURA 
II. Sobre os artistas: AQUI | AQUI 
III. A obra: SE MEU CÃO FALASSE TUDO SERIA POESIA
IV. Sobre a obra: AQUI
VI. Onde comprar: AQUI

Levei essa fábula em forma de HQ, porque me encantei com a história, que me foi contada pelo próprio autor. Por se assemelhar bastante com narrativas escritas pelo Neil Gaiman, foi o que bastava para que eu a levasse. Ainda não tive oportunidade de lê-la inteira, mas posso adiantar que as personagens são encantadoras e a história, fantástica!

I. O artista: DANYAEL LOPES
II. Sobre o artista: AQUI
III. A obra: CIDADÃO N
IV: Sobre a obra: AQUI
VI: Onde comprar: AQUI 

A Billie é uma das personagens de CIDADÃO N, de Danyael Lopes.

A temática, de cara, me chamou atenção. É super rápido de ler e acho que todo mundo deveria fazê-lo, porque é bastante didático e emocionante. 

I. Os artistas: GUILHERME SMEE | LUAN ZUCHI
II. Sobre os artistas: AQUI | AQUI
III. A obra: ESPERANDO O MUNDO MUDAR - UM CONTO DA PRIMAVERA ÁRABE
IV. Sobre a obra: AQUI

A apresentação simples e a expressão do fungo me ganharam na hora. Li apenas três tirinhas e elas me convenceram a levar. Se a Dona Anésia fosse um fungo... seria o Meriadoc, com certeza! Hahaha.

I. O artista: LUIZ ANDRADE
II. Sobre o artista: AQUI
III. A obra: MERIADOC - O FUNGO
IV. Sobre a obra: AQUI 
VI. Para ler online: AQUI

Levei essa ilustração porque me identifiquei com o barco e a água. Claro que lembrei de um dos meus quotes preferidos de As ondas (Virginia Woolf). A técnica usada é semelhante a um carimbo. Além disso, a ilustradora foi uma fofa e fiquei com vontade de levá-la pra casa também haha. O trabalho dela é diverso e cada um mais encantador e fofo que o outro.

I. A artista: GABRIELA GIL
II. Sobre o autora: AQUI
III. Mais ilustrações e outras artes: AQUI

Esse card me chamou atenção na hora e fiquei sabendo por um dos autores que essa cena é um quadro do storyboard de um curta-metragem que estreou recentemente. 

I. Os artistas: DAVID MUSSEL | LUÍSA FURUKAWA
II. Sobre os artistas: AQUI | AQUI
III. Para assistir ao trailer do curta CARTAS: AQUI

É claro que levei essa ilustração super fofa, porque sou super fã de Stranger Things

I. A artista: DANIELLE PIOLI
II. Sobre a artista: AQUI
III. Mais ilustrações e outras artes: AQUI

 A ilustração me intrigou e me encantou ao mesmo tempo e foi por isso que a levei. Infelizmente, não há nenhuma indicação no card sobre quem é o/a autor/a, então, fico devendo as informações.

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Gosta de ilustrações, HQ's e graphic novels também? Não deixe de apoiar aquele/a seu/sua amigo/a ou conhecido/a que faz esses trabalhos. Compre. Se não puder comprar, divulgue. Nós, artistas, não vivemos apenas de curtidas e amor, haha. 

Love, Nina :)

16 de dezembro de 2016

#Resenha de livro: Juntando os pedaços

Não é nenhum exagero escrever que sou eternamente fã da Jennifer Niven, depois que li Por lugares incríveis. Tenho uma relação muito pessoal com essa história, não somente por me identificar com o Theodore, mas também porque esse livro foi o principal motivo por me dar consciência de que precisava ficar no mundo, numa época em que eu queria muito ir embora. 

Então, eu estava com uma enorme expectativa perante Juntando os pedaços. Acompanho a autora em todas as redes sociais e, uns três meses antes do lançamento, eu já estava d o i d a para tê-lo na estante. Comprei-o na pré-venda, de tanta ansiedade por lê-lo. 

Título original: Holding up the universe
Autora: Jennifer Niven
Editora: Seguinte
Páginas: 391
Ano: 2016

Antes de lê-lo, eu já sabia algumas coisas sobre o livro: os protagonistas não são nada comuns. E isso, imagino, é a marca da autora. Assim como Por lugares incríveis, as personagens são únicas. Aqui, temos Libby, que já foi a Adolescente Mais Gorda dos Estados Unidos. Ela perdeu a mãe e, após isso, lidou com a tristeza comendo até ver a vida acontecer deitada em duas camas. Foi tirada de casa pelos bombeiros. Todo mundo acha que a conhece e que sabe o que é melhor para ela. Temos, também, Jack, o garoto popular e carismático. Se as pessoas acreditam que o Theodore é um badboy, Jack não se encaixa no perfil nem por um único minuto. Apesar de ir-e-voltar num relacionamento conturbado, não dá para dizer que ele é um completo babaca. E temos aqui um plus sensacional: Jack é negro. E não é descrito apenas uma vez, sua etnia está na narrativa de várias formas, porque ela está ali, ela existe. Se, por um lado, seus colegas acham que o conhecem pelo garoto popular que é, Jack é o único que sabe quão "anormal" é, pois acredita que tem prosopagnosia, doença que o impossibilita de reconhecer rostos, mesmo os que ama (como seus familiares). 

Juntando os pedaços me conquistou antes mesmo do primeiro capítulo, com a uma dedicatória incrível e sincera aos leitores. É impossível não ter empatia pela autora, pois sua história de vida se mescla bastante com suas narrativas. O que mais amo na Jennifer é que ela não esconde sua vida de ninguém, ela quer muito que os leitores entendam que não estão sozinhos e que são importantes, independentemente de como são ou se sentem. Com este novo romance, percebi que o objetivo continua sendo este, mas com uma modificação: que todos nós somos únicos de nossos próprios jeitos. Talvez andemos de um jeito esquisito, ou tenhamos vergonha de alguma coisa sobre nós, que insistimos em esconder, mas o que Juntando os pedaços tenta nos ensinar é que está tudo bem, porque todos nós temos medo de não sermos aceitos, importantes e amados do modo que somos. 
As pessoas fazem merda por vários motivos. Às vezes, são simplesmente pessoas escrotas. Às vezes, outras pessoas fizeram merda com elas e, apesar de não perceberem, tratam os outros como foram tratadas. Às vezes fazem merda porque estão com medo. Às vezes escolhem fazer merda com os outros antes que façam merda com elas. É uma autodefesa de merda.
p. 74
As vidas de Libby e Jack se unem de uma forma esquisita e vergonhosa. Por causa de uma "brincadeira" chamada Rodeio das Gordas, Libby dá um soco em Jack e a diretora está irredutível: precisam fazer serviço comunitário depois das horas escolares. Com isso, eles acertam algumas coisas, mesmo à contragosto. Libby não sabe se pode confiar em Jack, e Jack começa se sentir confuso com o que sente pelas pessoas, devido à prosopagnosia. Não sabe se reconhece as pessoas pelos seus pedaços, ou pelo que elas o faz sentir. A amizade que brota é bonita, meio que um equilíbrio. Ele tenta fazer com que Libby não se sinta inferior por seu tamanho e ela tenta fazer com que Jack entenda que sua doença não é a única coisa que o define. 

O livro é, inteiro, exatamente isso. Diz para o leitor que um único pedaço de nós não nos define. Que somos muito mais do que um cabelo marcante, um nariz torto, uma voz estridente. Nós somos todos os pedaços juntos. Ironicamente, o cérebro de Jack não consegue fazer isso. Ele reconhece partes, nunca o todo. 
Por causa do meu problema, vivo perdendo as pessoas que eu gosto.
p. 153
Os arcos das personagens, ao menos as principais, são muito bem construídos. Jack e Libby têm passado, sentimentos aos montes e passam ao leitor muita realidade. Ambos têm erros a consertar, não são perfeitos e sabem disso. Algo incrível sobre as narrativas da Jennifer é justamente isso: as personagens são reais porque, apesar de se esforçarem em ser perfeitas, não o são. Quanto mais imperfeições concretas, mais reais elas se tornam e mais nos faz sentir que temos um lugar no mundo. 

Somente duas coisas me incomodaram na história. O livro é sobre gordofobia, sim. E achei triste que, em algumas cenas, existe gordofobia em palavras. Aquela coisa de: "Apesar do seu tamanho grande, ela era graciosa". Libby é gorda e ponto. Mas isso não exclui o fato de que é graciosa, que sabe dançar e que sabe o que quer. A outra coisa é que o final (sem spoilers, juro!) me decepcionou um pouco, pois achei-o comum demais, esperado demais, clichê demais (muito!). 
Não é seguir em frente, Libbs. É continuar de um jeito diferente. É só isso. Levar uma vida diferente. Em um mundo diferente. Com regras diferentes. Nunca vamos deixar aquele mundo para trás. Só vamos criar um novo.
p. 370
Algo que preciso pontuar, algo bem pessoal, é que me senti triste várias vezes por perceber que, embora Jack seja descrito toda hora como alguém negro, às vezes, eu esquecia deste fato e o visualizava na minha mente como um garoto branco. A complexidade disso é enorme. Me fez pensar na pouca representatividade negra em livros, especialmente em livros YA. Como não exerço a imaginação para este tipo de representatividade, foi difícil e vergonhoso lembrar que Jack era um garoto negro. Um garoto negro que não era rebaixado por sua cor, nem estigmatizado por ela. Se vocês souberem de outros livros YA's que tenham um/a protagonista negro/a, POR FAVOR, me indique nos comentários!

De forma geral, superou minhas expectativas, porque a narrativa é igualmente inspiradora, tal qual Por lugares incríveis. Existem pequenos trechos simplesmente sensacionais, com os quais gostaria de casar e que me deixaram repleta de amor. Temos aqui uma protagonista forte e visível e um protagonista cativante. Todos os conflitos se entrelaçam de forma única e verossímil. Apesar de deixar uma ponta solta, que não foi bem desenvolvida (ligada à família de Jack), tudo se encaixa perfeitamente. Tudo é muito bem amarrado, sensível e, por vezes, poético. É, basicamente, outra lição de vida - diferente, incomum, mas universal. É justamente isso que me fez adorar Juntando os pedaços, o fato de as histórias das personagens serem bastante particulares, mas que, ainda assim, falam da universalidade de sentimentos como medo, rejeição, coragem e esperança. 

p. 317
Tem como ler isso e não sentir um quentinho de amor no coração?

Love, Nina :)

14 de dezembro de 2016

#Especial: CCXP2016 pt. I

Preciso dizer que não sou a melhor consumidora geek deste Brasil. Eu gosto de falar bastante sobre os filmes, os seriados e os atores e produtos dos quais sou fã, mas ir a eventos que exponham tudo isso nunca passou pela minha cabeça. Mas é claro que o Destino faz a sua parte (e é por isso que eu acredito tanto nele!). 

Assim que saiu a notícia oficial de que a Evanna Lynch (Luna Lovegood, de Harry Potter) viria ao Brasil por causa da Comic Con Experience (SP), fiquei pensando: seria muito legal se eu pudesse ir, não é mesmo? E, bem, aconteceu. E foi muito mais do que muito legal. Foi uma experiência única e insubstituível. Fiquei apaixonada e maravilhada pelo evento e por tudo que vi e ouvi. 

Então, esse post é a primeira parte do que aconteceu na CCXP 2016. Vou mostrar as fotos que tirei do evento, dos painéis, dos estandes e dos convidados (com um bônus sensacional da foto do meu encontro com a Carol, do Horinhas de Descuido, que se tornou a segunda melhor coisa da viagem ).

A loja oficial de Harry Potter estava muito linda, mas a fila estava s e m p r e gigante e eu sabia que não queria comprar nada, então, nem entrei.

Melhor primeiro momento do evento foi ter visto da Evanna Lynch. Não uma vez, mas três. Só tem algo que tenho repetido muito desde esse dia: ELA É MUITO FOFA. No sábado, fui ao primeiro painel dela, mas era num lugar gigante e tinha muita gente, mal a vi realmente, só pelos telões. A Evanna é meio retraída, mas tem horas que consegue ser engraçada e, com certeza, é muito gentil e encantadora. Apesar de não ter gostado de como a entrevistadora conduziu o painel, achei que ela foi super querida. Umas três horas mais tarde, ela fez uma live no estande do Omelete, e eu a vi super de perto, mas não deu para tirar foto por causa do reflexo do vidro. No domingo, ela fez outro painel, mas num auditório bem menor e, neste, consegui essas fotos. Esse painel foi muito melhor (apesar da entrevistadora ter se perdido nas perguntas e terminado antes do previsto), especialmente porque houve a interação do público por meio de perguntas. E, novamente, ela foi super gentil e encantadora. Ela tem muito da Luna

Não dá pra ver direito, claro, mas esse é o Mark Pellegrino, que ficou famoso fazendo seriados como Dexter, Supernatural e Lost. Ele é um cara super engraçado e não se esforça muito para isso. Não conheço muito o trabalho dele, mas adorei tê-lo conhecido no painel :)

O Mauricio de Souza apareceu horas mais tarde, no sábado, para a live do Omelete. Como eu mais fiquei andando pelo pavilhão do que esperando alguém aparecer no estande do Omelete, peguei a entrevista dele quase no fim. No vidro, ele desenhou o Cebolinha e escreveu "Ablaço, pessoal" ao contrário (para que o público pudesse ler) no vidro, muita gracinha :)

As roupas originais do filme Animais Fantásticos e Onde Habitam estavam no estande da Warner. A segunda foto é de alguns produtos da loja de Harry Potter.

Mais produtos da loja de Harry Potter.

Sim, Newt Scamander estava presente. Depois desse, eu vi mais uns três. Na ocasião dessa foto, ele estava no estande da Intrínseca posando para o pessoal. Eu achei bastante fidedigno (apesar de que a cara é meio Fred e Jorge, cês não acham???). Ele tinha até um tronquilho haha.

Cosplays: 
Star Trek. 
Sirius Black e Bellatrix Lestrange (estaria eu tendo um ataque interno por ter encontrado o Sirius???). 
Coraline (achei muito fofa!).

Havia um estande da Turma da Mônica, super fofo. Sim, aquilo é um trono de Sansãos haha.
"Nerd e dona da rua, sim, senhora!".

Estande da Intrínseca. Adorei especialmente por causa da área destinada ao Neil Gaiman. Mas, de forma geral, o estande era muito fofo, parecia que eu estava no meio de um bosque encantado.

Ok, melhores cosplays que encontrei, sim. No sábado tinha muuuita gente vestida de Star Wars e essas duas moças, meu Deus, eu fiquei totalmente encantada por elas
Princesa Leia e Rey

Por último, mas nunca menos importante: a Carol
Já fiz textão pra ela e isso aqui é só pra dividir com vocês a realização de um sonho e a força de uma amizade de quase oito anos. Nós duas nos conhecemos no Floreios e Borrões, um site de fanfics de Harry Potter, e desde lá nunca perdemos o contato. 
A Carol é o spark que, com toda certeza, me ensina e me relembra todos os dias o que é o amor e o que é a esperança. Só tenho eterna gratidão por essa senhora incrível e única! 
(E esse foi o meu segundo melhor momento da viagem).

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Voltarei em breve para mostrar as minhas compras na ala dos quadrinistas, que me deixou completamente d o i d a. Queria ter uns 300 reais só pra gastar com isso haha.

Vocês sabiam que, agora, a CCXP (SP) é o maior evento geek do mundo? 
Bateu a de Nova York esse ano!

Love, Nina :)

26 de novembro de 2016

#Essential book: novembro

Esse Essential Book demorou pra aparecer, porque demorei para ler o livro cuja temática do mês se encaixava. Eu estava um pouco dividida (quando é que não estou, não é mesmo?), mas resolvi dar uma chance a um novato, mas que ganhou rapidinho o meu coração <3

Como o tema de novembro é a essência da criança preferida, escolhi Em algum lugar nas estrelas, da Clare Vanderpool, por causa do personagem mirim Early Auden

A Segunda Guerra Mundial estava no fim, mas Jack Baker não tinha motivos para comemorar. Sua mãe morreu e seu pai... bem, seu pai nunca demonstrou se preocupar muito com o filho. Jack é então levado para um internato no Maine (o mesmo estado onde vivem Stephen King e boa parte de seus personagens). O colégio militar, o oceano que ele nunca tinha visto, a indiferença dos outros alunos: tudo aquilo faz Jack se sentir pequeno. Até ele conhecer o enigmático Early Auden. (leia + aqui)




Early não é o protagonista, mas se torna tão (ou mais) importante do que o personagem principal Jack. A relação de ambos começa muito relutante, especialmente por parte de Jack. Early não é um garoto popular, ou mesmo "neutro" na escola. Ainda assim, todos o tratam como se o fato de, de vez em quando, aparecer nas aulas não fosse algo tão sensacional. É muito aos poucos que eles se unem, às vezes à contragosto e com muitos julgamentos, mas no decorrer do livro aprendemos, junto com Jack, que Early é muito mais do que um garoto obcecado por coisas esquisitas. 

Uma das primeiras coisas que Jack descobre sobre Early é que o garoto acredita que o número pi é infinito, contradizendo o professor de matemática. Além disso, tem uma espécie de sexto sentido sinestésico, que o permite enxergar cores e texturas na sequência de pi. 

Depois de alguns dias de convívio, Early começa a contar uma história a Jack: sobre o número pi. Jack acha que a cabeça do garoto é bastante criativa e, por ora, não dá muito bola para o que ouve. Mas a história funciona: pi é alguém que se perdeu e precisa encontrar o caminho de volta para casa.

Na história de pi contada por Early, existe uma mãe-ursa. Além de ser concretamente uma personagem, também faz referência à constelação da Ursa Maior. Early diz que é a partir das estrelas e constelações que pi sabe o caminho de volta e que a Ursa Maior é sempre a guia.

Early, aos olhos de todos, têm atitudes e rituais excêntricos. Uma deles é como ouve música. Dependendo do dia da semana, ouve um cantor ou cantora específico, sendo que, quando chove, é sempre Billie Holliday e, aos sábados, é a folga musical. 
. . .

Espero que vocês tenham ficado com vontade de ler Em algum lugar nas estrelas, porque a estória é muito tocante, humana e poética.

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I. O tema de outubro foi 
a essência do livro (ou duologia, trilogia, quadrilogia, saga) de fantasia
e você pode conferi-lo AQUI

II. Não deixe de conferir os fotografias das outras participantes: