30 de abril de 2016

#O que chegou por aqui?

Eu tinha falado que mês passado tinha sido bastante "pobre" em termos literários, né? Então, nada supera este Abril. Eu até comprei três livros nacionais (das autoras L. L. Alves e Juliana Daglio), mas ainda não chegaram. 

Esses três livros foram enviados pela Editora Record e pela Verus Editora, respectivamente.

I. Zumbeatles, de Alan Goldsher, é um YA divertido sobre os Beatles... se eles tivessem a chance de voltarem à "vida" como zumbis. A ideia parece meio doida, mas já li alguns capítulos e é uma leitura engraçada e, sim, doida hahaha.

II. Os Invernos da Ilha, de Rodrigo Duarte Garcia, é uma obra de aventura, que remete a bucaneiros, tesouros perdidos e expedições bem ao estilo Indiana Jones. Conhecer esse livro foi uma surpresa, pois a história mistura realidade com ficção e, com certeza, me chamou muita atenção. 

III. Encrenca, de Non Pratt, é um YA bastante realista sobre a juventude de hoje. O tema principal é a gravidez precoce, mas tem bastante romance. Parece ser muito fofo. Eu já adorei o personagem masculino principal, o Aaron :)

Já falei da Judith Butler no post sobre a minha meta no #LeiaMulheres e, finalmente, consegui pegar um exemplar de Problemas de Gênero na biblioteca da PUC-RS. O trabalho teórico dela é absolutamente incrível para quem gosta de ciências sociais e ler questões sobre sexualidade, gênero, representatividade etc.


Eu conheci a Lilian Farias quando ela estava divulgando uma das edições anteriores de Mulheres que não sabem chorar, mas, até este mês, eu não tinha tido a oportunidade de ler esta obra. Como autora parceira, a Lilian me enviou um exemplar e posso dizer que é um daqueles livros que marcam e que, com certeza, deveria ser passado adiante. Acho que todo mundo que se reconhece como mulher deveria lê-lo! 

Quem sabe maio seja mais gordinho, né? Hahaha. 
Love, Nina :)

24 de abril de 2016

#Twelve Letters Project: uma carta para um desconhecido

Querido Desconhecido,
[você pode ler essa carta ouvindo a trilha sonora de As Crônicas de Nárnia - não, não é um acaso, porque nada acontece duas vezes da mesma maneira]

Venho começando essa carta mentalmente há alguns dias e, até agora, não encontrei um consenso definitivo. Diante de muitas provações, decepções e angústia, poucas coisas/pessoas me têm feito encontrar alegria. Embora meus dias estejam em um looping esquisito de tristeza, não estou aqui para lhe dizer que a gente nunca encontra paz ou felicidade. Estamos em instâncias de paz e felicidade. A minha instância oposta, tenho certeza, vai acabar. 

E, por entre ciclos, quero te dizer que a gente só entra em instâncias se as permitimos. Aprendi que, durante a vida, passamos por diversas condições e precisamos de todas elas, porque constroem quem somos. Não adianta nos privar de alguma etapa, só porque temos medo das consequências. Aliás, aprendi que o medo é inerente à humanidade. Meg Cabot, em sua instância de escritora, diria que a coragem não é a ausência do medo, mas a decisão de que algo é mais importante que o medo. Então, se você deixou de fazer, falar ou sentir algo por medo, eu sei como é. Às vezes, colocamos as prioridades nos lugares errados numa tentativa vã de nos acolher, de nos resguardar - de, pra falar a verdade, não viver em plenitude. Eu já deixei de viver muitas vezes por causa do medo. Medo das pessoas. Medo de julgamentos. Medo de me perder no meio da caminhada. Medo de não chegar a lugar algum. Medo de perder tempo. Medo de sentir medo. E, no fim, não restou muita coisa nem mesmo dentro de mim. O medo, eu entendi, só acua a gente num canto escuro, onde não conseguimos sentir mais nada além de tristeza, de incapacidade, de indiferença. 

Não posso dizer para não sentir medo. Sinta-o o quanto precisar, sinta-o até entender que não cabe a ele escolher quem você quer ser, quem você é - não deixe que ele o defina. Se for preciso, mude suas prioridades. Vá embora por um tempo, pare de falar com as pessoas, leia livros tristes para entender o que é a tristeza. Depois de conseguir controlar e manusear o medo, dê voz ao seu coração. Ouça o que ele te diz. Entenda que a coragem que ele tem precisa acontecer também dentro de você. Sim, o coração vai sentir medo assim como você, mas, se cuidar dele, vai conseguir dizer quais são as suas prioridades. Ele, assim você, vai conseguir separar o que vale o medo e o que vale a coragem. Não tenha medo de dizer que está difícil e que precisa de um tempo de descanso - por muito tempo, eu achei que desistir fosse fracassar e errar, mas desistir nada mais é do que ouvir a nós mesmos, ouvir quem somos, ouvir a coragem e o medo que habita em nós. Se for preciso desistir, vá em frente. Desista e recomece em outro tempo, outro lugar, com outras pessoas. 

Tenha um lugar para descansar, um lugar para onde ir quando não suportar mais o medo. Tenha um tempo para si, dentro de uma música, dentro de um abraço. Tenha coragem de sentir medo e tenha medo de sentir coragem. 

Acima de tudo, não fuja de quem é. Tenha coragem e medo de ser quem é, do jeito que for. Diga ao seu coração que está tudo bem não saber para onde ir, não saber o que quer, não saber o que esperar. Mas nunca, nunca mesmo, tente convencê-lo de que não sabe quem você é. Por mais confuso que estejamos, por mais cansativa que a vida seja, sempre sabemos quem somos, então, não fuja disso - não se faça correr de si mesmo. Diga ao seu coração que quem você é sempre será a prioridade da sua coragem e do seu medo. 

Entenda que quem você é sempre será o seu caminho. Independentemente de quem seja, de como seja, o caminho é nunca abrir mão de cada pedacinho que forma você. 

Espero que você tenha coragem e medo para seguir em frente, para amar quem é, para amar aos outros. Que cada pedacinho seu saiba escolher o medo e a coragem nas horas certas. 


Com coragem e medo, 
Alguém que soube escolher o coração.


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Conheça o Twelve Letters Project e os próximos temas AQUI.  
Love, Nina :)

Primeiras impressões: As GRANDES Aventuras de Daniella

Já fiz a resenha de Mudanças e, hoje, trago as primeiras impressões do novo romance (chick-lit) da autora L. L. Alves. Alguns blogs foram selecionados (ou se ofereceram como tributos, rs) para lerem o prólogo e os três primeiros capítulos da obra. As GRANDES Aventuras de Daniella será lançado pela Editora Arwen e está em período de pré-venda neste link. A loja oferece o livro em brochura e capa-dura e os preços são bastaaante acessíveis! 


Sou relativamente familiarizada com o chick-lit e posso dizer que a maioria que li me deixou bastante feliz, pois é aquela literatura bem animada e relaxante. As GRANDES Aventuras de Daniella não passa longe desse tipo de storyline. Dani acabou de se mudar de cidade para trabalhar na empresa do namorado, o Thiago, mas ela não sabe muito bem que tipo de trabalho fará. É claro que as más-línguas já acham que ela conseguiu o cargo por estar dormindo com o chefe (o que, ok, é verdade, mas não desse jeito), sem contar que ela tem que controlar o ciúme que sente das outras mulheres que rodeiam Thiago. 

Dani não é uma mulher que está dentro dos padrões: ela sofre para encontrar roupa, está sempre sendo olhada "torto" pela maioria e, com certeza, sofre por não se encaixar dentro desse padrão feminino social. Desde o começo, ela é uma personagem auto-depreciativa. Ela tenta, com algum humor, se manter "superior" às auto-críticas, mas pouquíssimas vezes sai desse ciclo de auto-comiseração/baixa auto-estima/insatisfação. Durante toda a leitura, isso me incomodou bastante, entretanto, depois de alguns minutos de reflexão, entendi o quanto essa imagem que a Dani passa de si mesma ao leitor é importante. Como acompanho a autora no Facebook, tenho ciência de que esta obra é justamente para conhecermos e entendermos alguém que não é aquela representação fajuta que a publicidade, a moda e afins tentam vender de uma mulher bonita. 

Há partes mais engraçadas, que se contrapõem um pouco ao modo que a personagem se vê/se trata. A linguagem é mais madura (com alguns palavrões), despudorada e dinâmica. A leitura, por causa disso, não cansa em hora alguma e flui bastante. Os capítulos são medianos e gostei disso. A única ressalva que tenho é que a personagem fala demais com o leitor e isso acaba estendendo demais partes que, a meu ver, são irrelevantes. Mas não é nada que atrapalhe, claro, até porque a Dani faz isso de forma divertida e é até uma forma de a conhecermos. 

Comprei meu exemplar recentemente e, com certeza, quero dar andamento a essa história, pois acredito que ela guarda e oferece uma GRANDE (opa, haha) lição. Falar de padrões sociais é sempre bastante difícil, pois a maioria das personagens que tenta fazer isso ou é adolescente rebelde/autêntica ou de orientação sexual não-heteronormativa. A pergunta que faço é: você se lembra de alguma personagem principal que seja gorda/o? Que não seja o/a amigo/a engraçado/a do protagonista, ou o/a amigo/a apaixonado/a que não tem uma real chance com a/o mocinha/o? Gente gorda existe e elas não são gordinhas, fofinhas, engraçadinhas - são pessoas como qualquer outra, que têm vida como qualquer outra. Então, se pessoas gordas existem, por que não estão na literatura como protagonistas de suas histórias? As GRANDES Aventuras de Daniella não é sobre dar lição de moral, mas sobre representatividade e empoderamento


Love, Nina :)

21 de abril de 2016

#Top 5: quotes literários pt. I


O Top 5, finalmente, voltou. Por um tempo, acabei me esquecendo dessa coluna, mas, organizando meus livros, me dei conta que marco muitos quotes. E que isso renderia alguma coisa para cá.

1. Do livro Fragmentos, de Caio Fernando Abreu
A verdade é que eu penei demais para encontrar um único quote do Caio. Já li três obras completas dele e, a cada uma lida, me encontro em infinitas encruzilhadas para encontrar o trecho com o qual mais me identifico. Escolhi este, pois ele é curto, direto e incrivelmente verdadeiro. A vida para Caio era doída e sinto que ela me dói também. E a morte - términos, adeus, abandonos, recomeços, partidas - é sempre o final da linha e o que mais tentamos nos distanciar. Sinto a morte todos os dias, por inúmeros motivos e, ainda assim, existe algo de inspirador nela. Ela não me dói tanto quanto a vida, porque, às vezes, temos de morrer pra saber que estávamos vivos. 

2. Do livro Fake, de Felipe Barenco
Um dos livros queer que mais me surpreendeu, por conseguir desconstruir vários padrões, pensamentos e "perfeições". Esse quote marca, inclusive, todo o propósito do enredo e é tão gracioso, que é impossível não o ler e não se identificar. Porque quantas vezes fingimos não sentir nada quanto ao amor - ou qualquer outro sentimento - e resolvemos camuflá-lo para não nos machucar (e/ou machucar o outro)? Ele lembra a todos nós que nos esconder é muito pior, porque ninguém vai conseguir descobrir quem somos e o que queremos. 

3. Do livro Todas as Estrelas do Céu, de Enderson Rafael
Li este livro há muito tempo, mas encontrei-o na minha estante e abri justamente na página marcada com este quote, que, na época, lembro que também foi o meu preferido. É uma pergunta bastante simples, mas que reflete no leitor aquela incapacidade momentânea de não conseguir decidir o que queremos ou o que faremos. Muitas vezes, temos inúmeras escolhas, mas talvez pelo desespero acreditamos que não temos nenhuma - ou que nenhuma é realmente viável. Além do mais, este quote me lembra demais um verso da música Poison & Wine, da banda The Civil Wars, que diz: I don't have a choice, but I'd still choose you. Eu simplesmente amo do fundo do meu coração esse verso e essa música, porque me lembra que sempre temos escolhas e que não fazer nada é sempre a pior opção. 

4. Do livro Harry Potter e a Ordem da Fênix, de J. K. Rowling
Harry Potter me ensinou grande parte das lições do começo da minha adolescência e este quote é um daqueles que sempre carrego em momentos ruins. Ele me faz refletir sobre esperança e sobre como, às vezes, queremos que as coisas aconteçam do nosso jeito, sem nos dar conta que tudo tem o seu curso natural - e que, irrevogavelmente, o que deixamos ir, ou perdemos reaparece um dia, de algum modo. Dito pela Luna Lovegood (), com certeza, ele reflete aquele raiozinho de luz em momentos obscuros. 

5. Do livro Quem é Você, Alasca?, de John Green
Este livro, depois de uma releitura, se tornou o meu preferido do autor, pois o propósito dele é inquietante e muito reflexivo. Este quote foi o que mais me marcou, a ponto de eu o ter decorado. Mais uma vez, reflete muito bem como me sinto. Às vezes, sinto tanto que, realmente, meu corpo sente igual, como se eu tivesse levado uma surra. O eufemismo, muitas vezes, não é totalmente aplicado enquanto vivência quando algo me dói. 

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#Para ler os outros TOP 5: AQUI.

Love, Nina :)

15 de abril de 2016

#Essential Book: Abril

O Essential Book de março foi sobre a essência do quote preferido e, neste mês, é sobre a essência da capa preferida. 

Eu custei a encontrar uma capa que realmente fizesse meu coração pular para esse projeto, porque, como eu já tenho bastante familiaridade com todas as que tenho, foi difícil encontrar uma que ainda me desse emoção e que, claro, se encaixasse na fotografia. 

Escolhi uma das primeira edições de A Garota Americana, da Meg Cabot, porque esse livro é especial para mim por diversos motivos, começando pelo fato de ter sido o primeiro que li da autora e terminando com o de que a arte está muito presente na narrativa, então, é bastante fácil me identificar. Embora a arte que a personagem principal, Sam Madison, faça seja diferente da minha, acho que é um tema universal. Enquanto eu escrevo, a Sam é desenhista. Por isso, essa capa fofenta e absurdamente muito "a cara" da personagem: 

Samantha Madison é uma menina ruiva e rebelde de 15 anos, cheia de problemas. Filha do meio, vive oprimida pela beleza da irmã mais velha Lucy e a inteligência de Rebecca, a caçula. Para piorar, ainda está apaixonada por Jack, namorado de Lucy. Em Washington, capital dos Estados Unidos, leva uma vida muito parecida com a de tantas outras garotas de sua idade. Até que um dia resolve matar uma aula de arte e, por acaso, salva o presidente americano de uma tentativa de assassinato. Samantha logo se transforma em uma celebridade internacional. E vê sua vida virar de cabeça para baixo ao ser nomeada embaixadora da ONU, sem saber exatamente o que o cargo significa. As coisas ficam ainda mais enroladas quando descobre que aquele colega de sala bem bonitão é o filho do presidente. E está apaixonado por ela. 

Descobri que, de certo modo, eu tenho esse outro lado artístico também (embora nada muito elaborado e profissional, claro hahaha). Então, produzir as fotos para esse mês foi muito terapêutico e pessoal. Pude capturar frases nas quais acredito e que fazem parte de quem sou. 

I. A frase é de Nietzsche e acho que todo mundo que tem uma veia artística concorda com ela. E mesmo quem não tem e aprecia a arte, consegue entender o seu significado.

II. Acho que foi uma das primeiras frases que decorei proveniente de filmes (tirando HP haha) e eu também acredito muito nela, pois é verdadeira. Artistas são sonhadores e, por isso mesmo, a vida acaba por "destruir" aquilo que são, ou desejam. 

III. Iniciei um projeto pessoal num caderno que ganhei de presente de uma amiga e, nele, tenho escrito frases que me marcam e resoluções mensais. A primeira frase é do filme Histórias Cruzadas, que se tornou um dos meus preferidos da vida inteira. A segunda uma amiga, que é igualmente apaixonada por filmes franceses, em especial apaixonada pela Amélie Poulain, compartilhou comigo e eu acabei por gostar tanto dela que não pude deixar de escrevê-la.

#Para ver os outros temas: AQUI.

E para conferir as fotos das outras participantes do projeto, aqui: 


Mais fotos em maio!

Love, Nina :)

5 de abril de 2016

#Resenha de HQ: Vidas Imperfeitas

Mostrei AQUI que eu tinha comprado algumas ilustrações e HQ's da loja da ilustradora Mary Cagnin. Eu ainda estou atrás de molduras legais para colocar as ilustrações na parede do quarto, mas as HQ's já estão lidas. Eu tinha começado a lê-las, na verdade, digitalmente, pois dá para fazer o download de todas no blog de Vidas Imperfeitas. No blog, são seis edições, mas de forma física essas seis edições foram comprimidas para três. Lá, você também pode encontrar alguns extras da história :)


Juno Omura é uma garota bastante atípica. Não é nada "menininha", pelo contrário: vive batendo nos garotos e tem má fama na escola (justamente por sua violência). A vida dela parece ser normal, ela tem amigas, um ex-namorado e a família. É justamente aí que a sua vida perfeita para. Sua família, mesmo no começo, é problemática. Juno não mora com os pais, mas com sua avó. Seu pai parece ser controlador e sua mãe, submissa. A garota não gosta nada da relação de seus pais e se esquiva bastante de manter qualquer relacionamento com seu pai. Desde o início, a personagem principal me chamou atenção e me cativou, embora eu não pudesse entendê-la completamente - e é esse o propósito da história, aliás: o vagaroso desnude das relações humanas e de vidas, aparentemente, bonitinhas e felizes.

Daniel logo se encanta pelo mistério de Juno e, aos poucos, se aproximam. De início, tudo é um pouco premeditado, mas o amor que nasce entre eles não dá a sensação, em momento algum, que foi construído na base de qualquer outra coisa além de carinho e admiração, embora, da parte de Daniel, haja bastante ânsia de cuidado - não simplesmente por Juno ser uma garota, mas porque ele começa a entender que, embora ela seja durona por fora, existe muita coisa acontecendo por baixo da superfície. O bom é que essa "imersão" que acontece com Daniel na vida de Juno nos proporciona a mesma coisa. Como o mistério da storyline está plantada na personagem principal, é comum que as explicações e as pontas soltas surjam e se esclareçam de forma bastante rítmica, em compasso com Daniel.


Os volume 1 é narrado por Daniel e o 2 e 3, pela Juno. Uma muito boa para que o leitor não fique "perdido" na leitura foram as inserções de flashbacks. Embora a HQ trabalhe bastante com aquilo que é imediato (ou seja, com o presente), os retrocessos temporais serviram bastante para entendermos os gaps na história (a exemplo do porquê Juno não tem uma boa relação com o pai).

A leitura é super rápida, pois cada volume não tem nem cem páginas. Ainda assim, é muito fácil se ver dentro da trama, uma vez que todas as personagens são muito bem construídas, mesmo as secundárias. E foi muito bom ver a forma como a autora conseguiu trabalhar os pequenos plots, trazendo à tona personagens não tão essenciais (a exemplo do irmão mais velho de Juno e de suas amigas). Adorei a forma como a "armadura" e a fragilidade se misturam em diversos momentos e nos dá a sensação de que tudo ali é real - e poderia acontecer com qualquer um. O realismo contido nos diálogos e nas cenas foi algo muito agradável, pois aproxima muito o leitor da história. Faz com que o leitor acredite naquilo que lê.

Impossível não se apaixonar por Juno e Daniel - tanto como personagens pivôs da trama, quanto casal. Aliás, um ponto extra da história é que, embora o romance seja um dos plots, não é o âmago da existência de ambos. De certo modo, perceber isso foi uma surpresa, mas foi também algo muito positivo para a própria trama. Tanto é que o final me enlouqueceu um pouco, já que é irresistivelmente independente - ou seja, é livre e libertador.

Ainda que eu conheça há algum tempo o traço da Mariana, gostei bastante de conferir essa história do ponto de vista artístico e perceber a técnica e o crescimento de suas ilustrações. A HQ é inteiramente em preto e branco, à exceção das capas, que são coloridas. Gostei desse jogo de contraste e luz que a autora conseguiu dar à atmosfera por utilizar a bicromia - de certo modo, conseguiu transmitir o interior das personagens (não sei se esse foi mesmo algo pensado pela autora, mas foi isso que consegui sentir).

Recomendo as HQ's por adorar o trabalho da autora e por, realmente, ter me simpatizado e adorado muito a história. Para comprar as HQ's e outros trabalhos lindíssimos da Mariana, você pode conferir a Mary Cagnin Store (site) e o Mary Cagnin Art (Facebook).


Love, Nina :)