30 de julho de 2016

#Twelve Letters Project: uma carta de revolução


Revolução são as minhas palavras. Cartas são palavras em prosa. Hoje, eu quero carta em versos. 

o tamanho de quem fui não cabe mais 
em quem ainda quero ser
quem desejei ser encontrou 
um novo jeito de florescer e renascer
se, hoje, sou
amanhã não mais serei
quem prometi sempre ser.

hoje, sou
amanhã, não sei.

Cartas são.
Eu sou.

Para você que precisa de um começo, ou um meio ou um final.
Estarei sempre aqui.
Nina
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Conheça o Twelve Letters Project e os próximos temas AQUI. 

27 de julho de 2016

#LeiaMulheres: A redoma de vidro

Este ano eu me desafiei a ler mais livros escritos por mulheres. Quem olha pra(s) minha(s) estante(s) vê claramente que 85% de tudo aquilo foi produzido por mulheres, então, não é como se eu estivesse me desafiado porque estão faltando textos femininos. O que me motivou a ter entrado para o Clube de leitores do #LeiaMulheres (Brasil) foi o meu desconhecimento literário das autoras que compõem a minha lista e a vontade de terminar ou reler obras de duas delas (Lygia Fagundes Telles e Marion Zimmer Bradley). 

A obra da Sylvia Plath, embora não tenha sido a primeira que comprei e tentei ler do desafio, é a primeira que venho resenhar. 


Título original: The bell jar
Autora: Sylvia Plath
Editora: Editora Globo
Páginas: 274
Ano: 1963 (original) | 2014 (tradução para o português)

Existem muitos artigos que falam sobre os problemas psicológicos de Sylvia Plath, muitos deles a apontando como alguém frágil. Na orelha dessa edição, está escrito que a obra "é mais do que um relato sobre o desequilíbrio emocional de uma grande personagem (...)" e, desde a primeira vez em que li isso, só consegui rolar os olhos e sentir desprezo pela pessoa que escreveu esse trecho. Não acho que palavras estereotipadas sejam saudáveis para descreverem doenças mentais, em especial porque muitas delas propagam a ideia errada da realidade psicológica da qual a pessoa vive/convive/está. 

A redoma de vidro faz muito mais do que falar sobre a depressão: desnuda diversas ideias pré-concebidas erroneamente sobre a doença. Esther é uma garota de sorte para alguém da classe social dela, pois recebeu uma grande chance de trabalhar durante o verão em uma prestigiada revista de moda e deveria estar cheia de energia e alegria. O início da narrativa mostra liberdade, indiferença à alegria das suas companheiras de estágio e ansiedade. Existe muito desejo por parte de Esther de conquistar a tudo e a todos. A única pessoa em que a personagem não pensa é nela mesma, porque coloca os outros em primeiro plano. Esther esconde a inquietação trabalhando, indo a festas, desfiles e rememorando pessoas de seu passado, à exemplo de Buddy, um garoto que conhece há muito tempo e por quem achou que era apaixonada. 

O estágio termina e Esther volta para casa, onde a onda de êxtase diminuiu e ela se envolve em períodos de grande melancolia e incapacidade. O sonho da personagem é escrever um livro, mas nem isso consegue, porque não consegue mais encontrar motivação naquilo que gostava. Reconheci diversos momentos desses períodos de Esther imersa em si mesma e, por mais que a personagem seja muito diferente de mim, senti muita empatia por ela. 
"Para uma pessoa dentro da redoma de vidro, vazia e imóvel como um bebê morto, o mundo inteiro é um sonho ruim. 
Um sonho ruim. 
Eu lembrava de tudo. 
(...)
Talvez o esquecimento, como uma nevasca suave, pudesse entorpecer e esconder aquilo tudo. 
Mas aquilo tudo era uma parte de mim. Era a minha paisagem".
p. 266
Foi impressionante constatar que a linguagem e a personagem são muito atuais, apesar de mais de 60 anos da publicação. A liberdade sexual está muito presente em diversos trechos e grande parte das convicções de Esther posso dizer que compartilho, o que somente me fez entender a personagem cada vez mais. Não espere ler sobre a depressão a partir de um olhar imediatista, porque a intenção do livro não é amenizar ou colocar um ponto final na doença, pelo contrário: tenta, a cada capítulo, fazer com que o leitor entenda que a depressão não existe a partir de um único sintoma e de um único tratamento (embora, na época em que o livro tenha sido escrito, os métodos fossem precários e praticamente medievais - à exemplo da eletroterapia). 

Os relatos da doença são muito reais, uma vez que a autora conviveu com a depressão e fez tentativas de suicídio muitas vezes ao longo da vida, antes da definitiva, aos 30 anos. Houve uma mudança drástica na minha percepção em relação à personagem depois que ela tenta seu primeiro suicídio, pois a partir daí, não consegui mais visualizar a Esther - quem eu via era a própria Sylvia Plath. O desfecho aconteceu de forma inesperada para mim e, por isso, acredito que tenha ficado em aberto (e quem o continua é o próprio leitor). Isso me cativou ainda mais na narrativa, porque me fez aproximar mais ainda de toda a situação-chave do livro. 
“Aproximei minha imagem da foto da garota morta. Eram idênticas: mesma boca, mesmo nariz. A única diferença estava nos olhos. Na foto instantânea eles estavam abertos, no jornal estavam fechados. Mas eu sabia que, se os olhos da garota morta estivessem abertos, eles me encarariam com a mesma expressão vazia, morta e soturna da foto instantânea”.
p. 164
A proposta do livro permanece dentro da gente mesmo após a leitura e nos faz repensar não somente na depressão, mas em nossos ambientes de socialização, em nossas obrigações sociais e naquilo tudo que achamos que precisamos fazer, mas que acaba nos fazendo muito mal. Repensar sobre nossa saúde mental e nossos limites psicológicos deveria ser uma ação diária, mas acabamos nos sufocando com tantos compromissos (escola/faculdade/estágio/academia/festas/cotidiano) e A redoma de vidro nos proporciona esse período de reflexão. 
“Quanto pior você ficava, mais longe eles te escondiam” - p. 179
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I. Confira a minha lista de autoras para o desafio #LeiaMulheres de 2016 AQUI.

Love, Nina :)

22 de julho de 2016

#Resenha de livro: O oceano no fim do caminho

Sim, estou com m-u-i-t-a-s resenhas atrasadas. Um indício disso é que O oceano no fim do caminho, do Neil Gaiman, foi a primeira leitura de 2016 e só agora a resenha está saindo. Muito se deve por duas coisas: 1. o livro é tão maravilhoso, que eu não consegui sentar e escrever e 2. emendei tantas leituras umas nas outras nesse ano que não tive tempo de escrever todas as resenhas.


Título original: The Ocean at the End of the Lane
Autor: Neil Gaiman
Editora: Intrínseca
Páginas: 205
Ano: 2013
 + 

O oceano no fim do caminho é o primeiro livro que leio do Neil Gaiman e fico muito contente por ter conhecido sua escrita e sua mente genial a partir dele. Isso porque, realmente, a trama é in-crí-vel, me fez pensar durante dias em muitas questões e quase agoniar entre sonho e razão. O mundo do autor é mergulhado, literalmente, em uma espécie de subconsciente alerta que, por muitas vezes, sabe enganar o leitor de forma deleitosa e encantadora. 

Tudo começa quando um homem re-visita sua região de infância à procura de uma antiga vizinha. Com isso, ele começa a ter regressos de memória, narrando seus tempos de criança na fazenda onde morava, a relação com a imaginação e com Lettie Hempstock, uma garotinha que o embarcou em várias aventuras e o apresentou ao oceano. Embora o leitor saiba que as memórias do protagonista podem muito bem estar equivocadas, é inevitável que sejam muito convincentes.
"E não era mar. Era oceano.
O oceano de Lettie Hempstock.
Lembrei-me disso e, ao lembrar, lembrei-me de tudo".
p. 16
O grande valor do livro é, realmente, o poder que as lembranças têm. A trama envolve o leitor de tal forma que, ainda que saibamos que existe muita fantasia nas situações, nos deixamos levar por tudo aquilo. Lettie e o protagonista, quando crianças, têm idades diferentes e, ainda assim, formam uma dupla ótima. A garota é articulada, ardilosa e muito inteligente, portanto, contrasta levemente com o tipo que o garoto era. O protagonista vivia na imaginação, por isso, talvez, tenha sido fácil que ele entrasse nas "brincadeiras" da menina. Lettie parece ter respostas para as perguntas dele, em especial sobre a morte de um hóspede de sua casa. É a partir dessa morte que o mundo da fantasia começa a despertar de forma descontrolada. 

Algo que me chamou atenção é a força que Neil dá à família de Lettie, composta somente por mulheres. Lembro vagamente, inclusive, de um trecho que uma delas (acho que a avó de Lettie) diz que elas não precisavam de um homem por perto, porque ele não ajudaria em nada. Alusivamente, fiz uma co-relação com o fato de as mulheres serem associadas à bruxaria - pois toda a fantasia da trama é justamente calcada em certa magia, algo que vai além da compreensão racional. E é justamente a partir da falta total ou parcial de razão que a história mexeu tanto comigo. Neil se provou um autor maravilhoso, fantástico - e, ainda assim, não deixa de promover uma linha real. Ele brinca com o subconsciente de forma tão livre e cativante que este estado conversa com o leitor de forma muito lúcida. Esse jogo de realidade versus imaginação é quase como que uma balança o tempo inteiro permeando a leitura. 
“Existem monstros de todos os formatos e tamanhos. Alguns deles são coisas de que as pessoas têm medo. Alguns são coisas que se parecem com outras das quais as pessoas costumavam ter medo muito tempo atrás. Algumas vezes os monstros são coisas das quais as pessoas deveriam ter medo, mas não têm”.
p. 129
Algo muito perceptível é o fato de Neil deixar exposto o quanto o ser humano se deixa enganar em razão da verdade e da mentira. O protagonista, mesmo sabendo que o entranhado de rememorações pode enganá-lo (pois, diversas vezes, ele se vê em dúvida quanto a certas informações), vai até o fim em valor da sua verdade, ou seja, em valor de sua mente. O final deste livro é algo tão bem elaborado que o leitor se vê igualmente perdido, enganado e confuso. Porque a valoração da verdade versus a mentira, finalmente, é colocada à prova e o mais incrível de tudo é que o autor não apresenta essas questões de forma objetiva - o que faz é deixar que o leitor continue seu próprio caminho a favor da mentira ou da verdade. Ou seja, o livro termina nas páginas de papel, mas continua na mente daquele que o leu. Eu achei isso absurdamente fantástico, pois a questão não é que Neil tenha deixado um final em aberto, é muito mais do que isso. É um final tão certeiro, que as dúvidas ainda estão ali, à espreita do leitor. O sentimento de trapaça e de enganação explode de forma epifânica no desfecho, devo dizer - e é isso que, justamente, faz o livro e o autor serem maravilhosos
“Nada nunca é igual. Seja um segundo mais tarde ou cem anos depois. Tudo está se agitando e se revolvendo. E as pessoas mudam tanto quanto oceanos”.
p. 185
Eu comecei a ter notícias sobre a existência literária do autor justamente com o lançamento de O oceano no fim do caminho, entretanto, dá pra perceber que levei algum tempo para realmente ler esta obra dele. O que mais me motivou foi todo o ambiente e a proposta - já inerente - do Neil. Me afastei um bocado de fantasia, e com alguns empurrõezinhos de ótimas amigas (Ruh e Karla), escolhi o Neil para me guiar, novamente, rumo a este gênero - que foi a razão de eu embarcar no mundo dos livros aos 11 anos, aliás. 

A capa foi uma das grandes chaves para eu querer ler o livro, pois ela é tão objetiva e implícita (em igual simetria com a proposta da obra), que foi impossível não amá-la de prontidão. A contracapa é ainda mais marcante (que é uma cortesia do autor, aliás, e você pode conferi-la aqui). Então, esse conjunto muito bem pensado e elaborado de fotografias conseguiu exprimir de forma agoniante, estranha e encantadora o que é o livro. A escrita do autor é outra coisa que se casa perfeitamente com a atmosfera da trama - não é exacerbada, nem pobre. Tem ritmo e é muito cativante. Gostei muito do fato de Neil conseguir equilibrar diálogos e muitas memórias no decorrer do livro, pois não ficou nada maçante, ou corrido. Tudo tem o seu tempo na escrita dele e é algo que vai desabrochando aos poucos, como que numa forma de mostrar ao leitor que seu livro não é apenas uma coisa hermética e desconexa. A conexão e a costura - de forma a desencadear viagens temporais e de lucidez - que o autor conseguiu fazer e transmitir em sua obra, creio que poucos escritores já conseguiram.

E uma resenha que, imaginei, ficaria bastante curta... está desse tamanho. Prova de que não podemos mesmo confiar na nossa mente - lição número um de O oceano no fim do caminho ;) 
“Pessoas diferentes se lembram das coisas de jeitos diferentes e você nunca vai ver duas pessoas se lembrando de uma coisa da mesma forma, estivesse elas juntas ou não. Se elas estiverem uma ao lado da outra ou do outro lado do mundo, isso não faz a menor diferença” - p.196
Love, Nina :) 

16 de julho de 2016

#Essential Book: Julho

No mês passado, eu falei sobre a Luna Lovegood a partir da essência do personagem secundário preferido. Confesso que escolher personagens é sempre bastante difícil para mim, pois tenho que fazer constantes digressões e enfileirar todos aqueles que já amei e continuo amando para sortear um. Felizmente, a escolha que tive que fazer para este mês não foi tão difícil, pois fiquei entre dois garotos, uma vez que o tema de julho é a essência do personagem masculino preferido


O personagem que escolhi é o Theodore Finch, de Por Lugares Incríveis. Estava dividida entre o Theodore e o Holden, de O Apanhador no Campo de Centeio. Eu não quero casar, mas, se fosse escolher alguém, escolheria o Holden. Desde 2014, seguia firme nessa convicção, até que conheci o Theodore, no começo desse ano. Ambos os personagens têm essências melancólicas e são psicologicamente muito parecidos comigo. Resolvi fotografar sobre o Theodore, porque, desde que li o livro, penso no personagem o tempo inteiro. 

Dois jovens prestes a escolher a morte despertam um no outro a vontade de viver. Violet Markey tinha uma vida perfeita, mas todos os seus planos deixam de fazer sentido quando ela e a irmã sofrem um acidente de carro e apenas Violet sobrevive. Sentindo-se culpada pelo que aconteceu, a garota se afasta de todos e tenta descobrir como seguir em frente. Theodore Finch é o esquisito da escola, perseguido pelos valentões e obrigado a lidar com longos períodos de depressão, o pai violento e a apatia do resto da família. Enquanto Violet conta os dias para o fim das aulas, quando poderá ir embora da cidadezinha onde mora, Finch pesquisa diferentes métodos de suicídio e imagina se conseguiria levar algum deles adiante. Em uma dessas tentativas, ele vai parar no alto da torre da escola e, para sua surpresa, encontra Violet, também prestes a pular. Um ajuda o outro a sair dali, e essa dupla improvável se une para fazer um trabalho de geografia: visitar os lugares incríveis do estado onde moram. Nessas andanças, Finch encontra em Violet alguém com quem finalmente pode ser ele mesmo, e a garota para de contar os dias e passa a vivê-los.

I. Dentro da literatura existem dois tipos básicos de personagens: 1) o plano (que tem suas características imutáveis quase que a trama inteira) e 2) o redondo (melhor explorado pelo autor, é capaz de surpreender o leitor por não ser imutável). O Theodore pode parecer, à princípio, um personagem plano, mas que tem, em diversos momentos, características de revés, portanto, redondas.

A mais visível é que ele é capaz de oscilar entre momentos muito vívidos e momentos muito desesperançados. Por causa de muitos gatilhos do personagem, a trama dá um diagnóstico para seu comportamento: além de depressão e tendências suicidas, Theodore é bipolar

(A bipolaridade, de acordo com a psicologia, é um transtorno, o que significa que não tem cura. Os transtornos, no entanto, podem ser controlados. Isso depende do grau do transtorno e de qual tratamento é viável à pessoa).

 II. A oscilação de humor e mesmo de personalidade dele é bastante visível em muitos momentos. O livro, em linhas explícitas, dá ao leitor uma dica literária: o romance experimental de Virginia Woolf, As Ondas. Em muitas passagens de Por Lugares Incríveis há trechos de As Ondas. Um dos trechos que mais me marcaram de Woolf, e que pode completamente fazer uma alusão ao próprio Theodore, é sobre um barquinho que oscila.

(APRENDI A FAZER ORIGAMIS e a primeira coisa que fiz foram alguns barquinhos de diversos tamanhos e cores).

III. Esse quote é continuação do quote anterior, de As Ondas. Os dois barquinhos da fotografia representam Theodore e Violet, a personagem feminina da história; o tal choque do encontro

IV. No livro, Theodore e Violet precisam conhecem pontos turísticos do estado da Indiana. As viagens felizes são essências de Theodore, porque ele também é feito de momentos felizes.

V. Os momentos felizes existem aos montes, sim. Mas o sentimento de melancolia e desespero existe em igual proporção. Theodore se recolhe diversas vezes em crises de pânico e depressão e temos a sensação de que seus pedidos de socorro nunca são suficientes. 

I was disappearing in plain sight é um verso da canção No light, no light, da Florence and The Machine.(Tradução: Eu estava desaparecendo em plena vista).

Tenho ouvido muito essa música e é exatamente essa a sensação que, provavelmente, Theodore tem enquanto está recolhido em seus sofrimentos. 

VI. A torre do sino é emblemática no livro (a narrativa não deixa claro se é uma igreja, ou não, mas encontrei essa fotografia que tirei de um ponto da minha cidade e achei que se encaixava na proposta). É lá que Theodore e Violet se conhecem e é lá que a morte e a vida se encontram, dualidades que são a maior essência de Theodore. 

VII. Como eu disse acima, As Ondas, da Virginia Woolf, está constantemente presente na narrativa de Por Lugares Incríveis e pode exprimir muito bem todo o psicológico do personagem. Além do mais, ele é um pouco obcecado pela água (mais uma referência à obra de Woolf).
“Meu barquinho oscila inseguro sobre as ondas encapeladas e agitadas. Não há remédio (deixe-me anotar isso) contra o choque do encontro”.
As Ondas, Virginia Woolf, p. 156

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 I. O tema do mês passado foi sobre 
a essência do personagem secundário preferido 
e você pode conferir as fotografias AQUI.

II. Não deixe de conferir as fotografias das outras blogueiras do projeto :)

9 de julho de 2016

#Resenha de livro: Raio de Sol

Aconteceu algo engraçado com esse livro, quando o comprei pela Amazon. Eu achei que fosse um Young Adult (especialmente pela capa) e, quando comecei a ler, percebi que ele é, na verdade, um New Adult. Leio moderadamente New Adults, mas fiquei um pouco decepcionada, porque estava esperando algo diferente. Além do mais, algo me irrita muito em livros desse gênero: os relacionamentos abusivos romantizados a partir de atitudes e pensamentos.


Título original: Bright Side
Autora: Kim Holden
Editora: Planeta do Brasil (selo Outro Planeta)
Páginas: 445
Ano: 2016

Raio de Sol promete uma personagem feminina positiva e pra cima. Kate, ou Raio de Sol, é exatamente assim: levanta o astral de quem for, faz amizades facilmente, todo mundo se encanta com ela. Levei muitas páginas para entender que ela é, infelizmente, uma Manic Pixie Dream Girl. A garota perfeita. Mas, é claro, ela tem alguns segredos, porque essa é uma das premissas da maioria dos New Adults. O parzinho dela, o Keller, também tem a sua cota de segredos. Pautado pela tragédia familiar, os personagens foram feitos para arrebatar corações dos desavisados. 

Uma narrativa que busca a mudança dos personagens a partir de novas experiências (como o caso de Kate se mudar de estado para fazer faculdade), o livro oscilou bastante entre momentos irritantes e humanos. Minha irritação aconteceu quase que a história inteira e achei, a certo ponto, que seria muito difícil que eu gostasse de Kate e Keller. Kate é a estilosa, amigona, badass e tudo isso é completamente cansativo. Já Keller é um personagem "mais do mesmo" e repetitivo. Ele não é nada do que ninguém já não leu em outros livros do gênero: é "protetor", encontra uma garota aleatória e sente que a ama mais do que as outras e, no fim, fica grato por conhecê-la. 
“Na hora em que você pensa que conhece alguém, essa pessoa muda. Ou você muda. Ou os dois mudam. E isso muda tudo”. 
Além de Keller, há Gus, o melhor amigo de Kate. Ele está tentando a carreira de rockstar e, claro, acontece tudo como o planejado. Gostei mais de Gus do que de Keller, talvez porque conheci Gus através dos outros dois, já que há intercalações de narrações entre Kate e Keller. Com os passar das páginas, fui gostando mais da amizade de Kate e Gus, porque, apesar de haver um amor platônico ali, existe muita amizade, confiança e lealdade. Os personagens secundários (Shelly, Clayton, Stella, Maddie, Audrey) são planos, mas bastante agradáveis. Existe uma quantidade desnecessária de palavrões como de costume no gênero, o que não me agradou muito. 

A partir do momento em que os segredos são revelados tudo fica bastante intenso e foi aí que comecei a gostar mais do que lia, mesmo dos personagens. Com os segredos, eles se assemelharam com pessoas reais, mais humanas, e menos com aquilo que o público gostaria de ler. Com os segredos, a autora conseguiu até mesmo suavizar os abusos implícitos na trama. Quando digo abuso, quero deixar claro que não é nada físico, ou sexual. São palavras ou atitudes que apenas reforçam os estereótipos daquilo que se espera de um garoto apaixonado por uma garota e de uma garota apaixonada por um garoto. 
“Sei que você está triste agora. Sinta a dor, mas não se agarre a ela. A dor sufoca a vida. Deixe que passe”. 
Raio de Sol vende uma história muito bonita e inspiradora. Apesar de, às vezes, combinadamente trágica, nos dá a sensação de que é possível. Tirando a tragédia, a narrativa é sobre ir atrás dos sonhos, fazer a diferença e proteger aqueles que se ama. Os personagens são bastante problemáticos, no quesito desenvolvimento, mas, na hora certa, conseguem emocionar o leitor. Não chorei nem uma vez, mas me deixou com várias dores no coração. Eu pretendia trocar o exemplar no sebo, agora não sei mais se tenho coragem haha. 

Love, Nina :)

3 de julho de 2016

#Parceria: Poeme-se

Hoje tô aqui pra falar de uma loja que adoro há meses e que namoro sempre as camisetas. Se você, como eu, gosta de poemas e quotes literários, vai adorar a Poeme-se :)


Além das camisetas, dá pra encontrar bottons, pôsteres, canecas, porta-copos, bags, almofadas e cadernetas. No site, dá para escolher um autor específico e ver a coleção sobre ele. Não espere autores modinhas, ou autores clássicos. As coleções são bastante diversificadas e dá sempre para encontrar novidades e ótimas criações. O que mais gosto da loja é, com certeza, a criatividade. Muitos dos designs são simplesmente arrebatadores e apaixonantes.

Camisetas

Pôsteres

Canecas

Cadernetas

Bottons

Atenção para as compras:
- Parcelamento: 3 x sem juros | parcela mínima de R$ 35,00 no cartão de crédito
- Trocas: 7 dias após o recebimento do produto e não há custo
- Frete grátis: compras acima de R$ 99,00 para os Estados de SP, RJ, MG e ES

Se você gostou dessa amostra, pode começar a seguir a Poeme-se nas redes sociais e ficar sabendo das novidades:

SITE | FACEBOOK | INSTAGRAM | TWITTER | G+ | BLOG (é muitoamô, amo as postagens!)

Love, Nina :)

1 de julho de 2016

#Sorteio Inverno Literário

Mais um SORTEIO nesse mês no blog! :)

Para fugirmos do inverno, nada melhor do que ficar debaixo das cobertas lendo livros, não é mesmo? Por isso, mais uma vez, o Nina foi convidado para ceder um prêmio em um sorteio em conjunto! 



Blogs participantes
As Crônicas de um livro viajante
Não se preocupe com isso
Sonhando através de palavras
Quer uma ideia
Simplesmente Livs
No mundo da lua
Secret Magic
- Nina é uma
Parei na adolescência


Informações gerais
- Início dia 01/07/2016 - Término dia 31/07/2016 - Resultado em até 5 dias após o término.
- Cada kit terá apenas um ganhador (totalizando 2 ganhadores neste sorteio) e você pode participar nos dois.
Promoção é válida somente em território nacional;
- Cada blog é responsável pelo envio do livro cedido; 
- Nós não nos responsabilizamos por extravios do correio;  
- Cada blog tem o prazo de 30 dias para o envio do prêmio após a divulgação do resultado;
- Apenas as primeiras entradas são obrigatórias, mas quanto mais você preencher maiores as chances de ganhar :)
- Todas as entradas serão conferidas no ato do anúncio do ganhador e, se qualquer regra tiver sido descumprida, o ganhador será desclassificado e um novo sorteio será realizado;
- O ganhador terá 72 horas para responder ao e-mail enviado pelos organizadores anunciando a contemplação, do contrário, um novo sorteio será realizado;
- Na opção do Facebook é necessário que o participante "Curta" a página e não apenas visite, como o Rafflecopter sugere;
- Deixe um comentário nesse post com seu nome de seguidor e seu e-mail.








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Quer participar do outro sorteio deste mês?
NÃO DEIXE DE CLICAR AQUI! :)


Que a sorte esteja (duplamente) a seu favor! :)


Love, Nina :)