15 de janeiro de 2017

#Resenha de filme: Sing Street

Esse filme foi uma indicação da Cecília, do Blog Refúgio. Por tratar de música (o próprio título já sugere), deixei na minha lista e, alguns dias depois, assisti muito despretensiosamente. E foi uma ótima surpresa :)


Título: Sing Street
Diretor: John Carney
Duração: 1 hora e 46 minutos
Ano: 2016
★★★★★ +

Vocês têm que entender que qualquer narrativa que traga a música como proposta já me ganha totalmente. Não à toa que Once (Apenas uma vez) e Begin Again (Mesmo se nada der certo) se tornaram filmes adorados por mim - tanto no quesito da storyline quanto da trilha sonora. Tenho uma "métrica" para saber quão bom um filme sobre música é: se sinto vontade de ouvir a trilha sonora. Até hoje ouço as trilhas de Once e Begin Again. E, com certeza, a de Sing Street entrou para a minha seleção de playlists preferidas. 

Sing Street pode parecer um filme adolescente, porque é protagonizado por adolescentes, mas vai muito além disso. O que mais adoro em tramas adolescentes (livros e filmes) é que são subestimadas e, de repente, te surpreendem infinitamente. É por isso que fico muito decepcionada com pessoas que dizem que YA's são bobos e não-profissionais. O filme não conversa apenas com o universo adolescente, mas oferece questões universais. 

A família de Conor, o protagonista, está falindo a cada dia financeira e afetivamente. Seus pais brigam a todo momento, à princípio por causa de dinheiro. É assim que ele descobre que eles não têm mais condições de mantê-lo na escola em que está e, desse modo, começará a frequentar a antiga escola de seu pai, que é muito regrada e apenas para garotos. Nesse novo lugar, Conor é o garoto esquisito que não se encaixa e rapidamente começa a sofrer bullying. Dias depois, ele se junta a um colega também excluído e, juntos, planejam começar uma banda com o único intuito de agradar uma garota. A garota é Raphina, que de diz modelo e que tem um namorado. 

Mas a música começa a acontecer de verdade, apesar de Raphina. Conor faz amizade com outros garotos e, juntos, produzem letras, melodias e clipes. A banda é totalmente amadora - e esse é o intuito. É isso que chama atenção na trama, também. São adolescentes, na década de 80, ouvindo bandas como A-ha, Duran Duran e The Cure, tentando fazer com que suas referências se tornem algo autêntico. 

As bandas reais, que aparecem em clipes em TV's antigas, fazem parte de forma ativa do filme; não estão ali para cobrir espaços vazios, pelo contrário: os garotos da banda se "transformam" nos integrantes, copiando seus visuais. Há maquiagens, cabelos arrepiados, cabelos descoloridos, chapéus, roupas pretas. Nesse aspecto, o filme tem um super ponto positivo, que te faz querer continuar a vê-lo para saber quais são as próximas referências musicais. 

Mas Sing Street não é apenas sobre música ou como conquistar uma garota. É sobre família, sonhos e arte. E é a partir da música que todas as outras questões se inserem naturalmente na storyline: a repressão versus a liberdade, a mentira versus a verdade e a decepção versus o amor. Conor tem muito o que descobrir sobre si mesmo e seu irmão. Raphina tem muito o que descobrir sobre confiança e liberdade. 

Falando especificamente de Raphina, embora sua inserção seja clichê, o desenvolvimento do seu relacionamento com Conor é convincente. Gostei de entender que, a certo ponto, ela é irrelevante para que Conor fizesse música. É claro que o processo criativo dele é voltado para ela, mas não se prende ao que ela tem a dizer de sua música. De repente, o que era apenas uma distração se torna uma salvação. É a música que mantém Conor na escola e faz procurar o irmão para referências musicais. É interessante notar essa essencialidade que as canções têm em sua vida, pois ele acredita no que faz. E isso, na narrativa, é muito importante. Isso segue o sentido de sonhar, buscar mudanças e se desprender das dependências afetivas. 

Como eu disse acima, Sing Street não é sobre adolescentes - o filme se relaciona muito mais com o nosso lado esperançoso e libertário, o lado universal de quem precisa se agarrar a alguma crença para ir adiante. O filme é encantador e surpreendente, pois consegue fazer com o que espectador se identifique e cante muito junto. É um filme que renova a gente, acima de tudo.

Você pode ouvir a trilha sonora completa (inclusive as músicas compostas para a banda fictícia) AQUI. Spoiler: o Adam Levine tem uma música na trilha e fico me perguntando qual é o filme do qual ele participe que eu não vou amar.



Love, Nina :)

14 comentários:

  1. Parece que eu estava lendo minha própria resenha do filme hahahaha Mas não é de surpreender, já que temos um gosto bem parecido e um olhar quase sempre direcionado às mesmas coisas. Fico muito feliz que você tenha gostado da indicação. Eu sou suspeita para falar dos trabalhos de John Carney, porque, pra mim, essa fórmula mágica dele nunca falha. É só olhar para Once, Begin Again (que vai ser pra sempre meu xodó) e agora Sing Street. Já estou louca pelo próximo!
    Beijo, linda <3

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  2. Oi
    Acho YA's bobos, mas o adjetivo não-profissionais considero bem agressivo e sem noção. O fato de não se gostar de algo ou esse algo não atingir mais suas necessidades não significa que não seja profissional. Sobre Sing Street, é a primeira vez que vejo algo, não conhecia o filme, também gosto de filmes com músicas, o último que vi e amei, foi Hairspray. Vou tentar assistir sua indicação.

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  3. Apesar de amar filme que trazem essa lado adolescente com música , não me interessei por esse filme. Acho que falta algo pra que eu me encante pela história e me faça ter desejo de assisti-lo. Vou anotar sua dica caso tenha a oportunidade de vê-lo em breve, talvez me surpreende e vire fã. Rsrsrs Beijos!!! Sua resenha ficou muito bem escrita, parabéns!

    www.facesemlivros.com

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  4. Eu ainda não conhecia o filme e a proposta dele me agradou e até fiquei interessada para assistir, mas acho que não seria uma boa pedida no momento, não estou numa onde de ver filmes assim, mas em algum momento eu acho que o veria sim

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  5. Eu não conhecia o filme, mas assim como você adoro quando eles trazem música, então já ganhou uns pontinhos daí haha
    Gostei muito da sua resenha. Vou anotar a dica pra assistir depois.

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  6. Não ouvi falar desse filme e agora estou escutando a trilha sonora, amando. Vou tentar assistir o filme hoje. Adorei o estilo, lembrei dos filmes de minha infância. Beijos.

    www.viagensdepapel.com

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  7. não conhecia esse filme Nina, mas também amo filme com boa trilha sonora. gosto muito desses meio drama adolescente, porque me remete a minha adolescência. vou procurar para assistir, com certeza!
    uma ótima dica sobre um filme não muito divulgado!
    beijos, isa

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  8. Oiii Nina querida, como você está?
    Infelizmente eu não posso falar muito sobre esse filme, porque não o conhecia e agora fiquei chocada, é um dos assuntos que em filmes mais despertam meu interesse, vou ver se encontro para download.
    Beijinhos da Morgs!

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  9. Oi, Nina!
    Também adoro filmes que falam de música, principalmente, os que têm bandas de garagem como pelo que percebi é o caso desse!
    Não conhecia esse filme e adorei sua resenha, também acho muito chato quando algumas pessoas não conseguem diferenciar um drama adolescente bom de outro clichê, é muito ruim essa generalização.
    Bjss

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  10. Olá!
    Não conhecia ainda esse filme, mas adorei saber um pouco mais dele, ainda mais por ter a música como tema, adoro ver como as pessoas trabalham esse assunto. Adorei a sua resenha e fiquei bem interessada em assistir, tenho certeza que vou amar.
    Beijos.

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  11. Oi! Tudo bem?
    Não conhecia e achei interessante. Adoro filmes sobre musicas! Adorei o post e dica anotada!

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  12. Oi Nina, tudo bem?
    Seu blog está tão lindo, que felicidade ver você crescendo com o site, como escritora e com tantas resenhas tão tão bem feitas.
    Não posso estar sempre aqui, ando muito enrolada, me falta tempo até pra escrever.
    Mas sempre que tenho um tempo livre, lembro do seu cantinho e venho dar uma olhadinha.
    Muito muito sucesso!

    Beijos,
    Maria Carolina Araujo

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  13. Não conhecia o filme, mas sua resenha foi tão encantadora que fiquei realmente tentada a assisti-lo. Alias faz um bom tempo que nao assisto filmes relacionados a música, mas a dica já esta anotada.

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  14. Não me importo se um filme é protagonizado por adolescentes, se ele tem um bom enredo. E esse, além do enredo ser fascinante e surpreendente, ainda apresenta uma das músicas do Adam Levine na trilha!! Sugestão anotada!

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